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Se essa frase for realmente verdadeira, o país pode ter criado sangue nas veias. Se ela for verdadeira. Claro que ela pode ter se tornado verdadeira, durante esse processo de manifestações. Porque claramente ela começou de forma política. E foi aqui no sul, em Porto Alegre. E teve sim, cunho político. E organizaram essa questão dos protestos pelo aumento das passagens, que é legítima, mas que foi política. Porque milhares de protestos seriam legítimos, Brasil afora. Milhares seriam necessários. Essenciais, fundamentais. E não acontecem. Aqui no sul foi político. Teve sucesso, porque de fato a passagem é cara, foi respaldada pelo MP, e aí São Paulo pegou carona. Se lá foi político ou não, o início da mobilização, realmente não tenho conhecimento. Talvez no início. Mas agora, é certo que tudo tomou realmente outra proporção. Uma gigantesca e providencial proporção. Porque o Brasil estava perdido. Humilhado pela classe política, caça-níqueis e incompetente. Sem esperança. E agora, o vento pode ter começado e virar.

Falou-se muito da gota que desencadeou tudo isso, e tal. E não dá mesmo pra engolir que essa foi a gota. Porque é pequeno demais pra um país que é roubado descaradamente aos milhares de reais, diuturnamente, pela classe que governa o país. Dinheiro na cueca, na meia, leis fraudadas, tudo manipulado, enfim. O Brasil é um país largado a própria sorte, no tempo dos piratas e corsários. E eles não vivem no mar. Mandam em nós. Os piratas e corsários. Deputados e senadores que mal sabem dos seus assuntos, desconhecem as votações, gastam milhões única e exclusivamente pra se eleger mais uma vez. E a gota seria os 20 centavos? Não. Claro que não. O que aconteceu é que um processo de manifestação de cunho político repercutiu, foi amplificado pela grandeza de São Paulo, mal conduzido pela administração pública (que surpresa, não?) e aí sim, virou hit. E aí deixou de ser político. E local. E aí sim, se tornou legítimo grandioso, nacional, e pode ser só a ponta do iceberg.

Mas veja bem. A PEC 37, daquele cidadão que responde pelo nome de Lourival Mendes, de um partido chamado de PTdoB-MA está indo pra votação. Vai deixar a classe política ainda mais inatingível pela justiça do que já é, e pouco foi citada. Por enquanto. Uma PEC dessas, era digna de invasão da casa. Na hora da votação. Tem a questão tributária. As leis ultrapassadas que só cuidam dos bandidos. E falta de tudo. Saúde, educação, segurança, mil coisas. Então ainda tem muito chão pra percorrer, pra dizer que o Brasil está mudando de atitude. Tem que ser absolutamente verdadeira a frase que abre esse texto. Que nenhum partido me representa.

O movimento cresceu, ficou nacional, internacional, no momento em que o mundo inteiro olha para um Brasil de Copa das Confederações, do Mundo e das Olimpíadas. O movimento foi instantâneo, e desde hoje, certamente apartidário. Vários militantes com bandeiras foram até expulsos dos protestos de hoje em SP, aos gritos de “Nenhum Partido nos Representa”. O movimento toma a forma de desejo popular. O seu porte, sua composição, e suas reivindicações são complexos, múltiplos e imprevisíveis. Podem se consolidar como um zumbido no ouvido dos políticos, podem se fazer valer em momentos cruciais da vida pública brasileira. Que bom se for. Será a única esperança desse imenso e jogado aos corvos, país.

No Rio foram cem mil pessoas. Em São Paulo, igualmente gigantesca a impressionante, a manifestação. Porto Alegre, Belo Horizonte, e muitas outras capitais e grandes cidades encheram as suas ruas. O vírus se espalhou. Os motivos já não são mais os originais. Porque existem tantos motivos, que dá pra escolher. Os políticos andam como baratas tontas, alguns presos nos corredores dos congressos, acuados nos palácios, as assembleias. Eles que deixaram nossas porcas e ultrapassadas leis tornarem o Brasil um dos países mais violentos do mundo, eles que fizeram do sistema tributário brasileiro um assalto a mão armada sem contrapartida alguma para a população. Eles que não oferecem educação nem saúde, mesmo cobrando 5 meses do ano de impostos de cada trabalhador brasileiro, eles que são despreparados, nem tem ideia do que acontece no Brasil. Porque o país tem tanto problema, que a população foi pra rua, e eles não entendem porque. É porque tem motivo demais. É porque o país não infraestrutura nem pra crescer. É porque o problema é tão grande, que não sabem nem como começar a resolver. Estão perdidos, atordoados, merecidamente ignorantes do que os cerca.

As manifestações foram gigantescas. E aí é claro que em alguns lugares a violência pegou. No Rio, a coisa desgovernou. Porque o país ficou desgovernado por décadas. O povo aprendeu com os governantes a perder a noção. Perdeu a educação. Aprendeu com os políticos, que a impunidade existe. Alguns foram bandidos, com os quais os governos os obrigaram a conviver. E agora, estão batendo na porta dos palácios. Pichando, incendiando, fazendo o que os governantes nunca impediram. Pra depois dizer que não sabiam de nada. Em Porto Alegre ônibus queimaram, cenas nunca antes vistas aconteceram. No Paraná o palácio foi cercado, em Brasília, veja bem, o congresso ficou cara a cara com a multidão. Olhando de perto, olhando com atenção. A luz amarela acendeu no país canarinho. E foi tão rápido que não dá pra saber que horas o trem vai passar.

O inacreditável aconteceu. A paciência do pacato sangue brasileiro acabou. De uma hora pra outra. Sem sinais, sem sintomas. De forma avassaladora, desproporcional. Assustadora. O Brasil se tornou, do dia pra noite, em outro país. As ruas estão irreconhecíveis neste 17 de junho. Algo aconteceu. Uma faísca acendeu um barril de pólvora que parecia estar eternamente molhada. Não estava.

E repercutiu lá fora, e vai repercutir ainda mais. O mundo está vendo. E não vai reconhecer o velho Brasil. Aquele país apagado, em que o povo aceitava passivo mandos e desmandos, já não parece ser o mesmo. Porque tudo isso não vai parar tão cedo. E nem diminuir. É imprevisível, é verdade. Mas a curto prazo, não vai diminuir, nem terminar. Uma manifestação sem comando, sem motivo único, sem cabeças, com mil sentenças. Mil sentenças. Não se pode combater o que não se conhece. Alô politicada. Apertem os cintos. O piloto sumiu.

É segunda-feira, 17 de junho de 2013. Um dia em que vivemos a história do Brasil sendo escrita.

Agora que já vimos as primeiras impressões da capital eslovaca, e falamos da sensação de estar lá, no primeiro post, é hora de entrar nos principais pontos turísticos. Vamos lá, visitar esta pequena e agradável cidade nas margens do clássico e não azul Danúbio?

Como no primeiro post já vimos o lindíssimo aeroporto de Bratislava, que humilha em beleza qualquer um dos vergonhosos brasileiros, e boa parte do pessoal chega em Bratis de barco ou trem, a primeira grande visão da cidade é a New Bridge, ou Novy Most, na incompreensível língua deles. Acima dela, que nem é tão nova assim (é do final da década de 60) o UFO. Claro que o UFO é o apelido local pra essa curiosa estrutura, que nem tem muito a ver com as características da cidade, mas acabou se tornando um importante cartão postal. Tem um restaurante lá em cima, que obviamente oferece uma das melhores vistas da cidade, junto com o castelo. Pela ponte você passa, ou vê de longe.

E o restaurante, é uma opção. Não fomos porque só tínhamos uma noite, e optamos pelo lindo centro noturno. Segundo nosso taxista, é caro. A outra ponte conhecida, a Old Bridge (criativo, não?) é uma ponte de ferro, nada demais. Você vai passar por ela na caminhada pelo calçadão do Danúbio, a caminho da Blue Church.

A segunda grande visão da cidade é o Castelo de Bratislava (Hrad). A grande edificação branca fica 85m acima do Danúbio, e o local é habitado desde a transição entre as idades da Pedra e do Bronze. Deve ter um pouco de história, não? Obviamente, como boa parte dos castelos da europa, foi destruído e reconstruído  várias vezes.

De longe, devo admitir que ele não parecia tão belo. Tanto que fizemos a cidade toda, voltamos pro hotel descansar, e só na tardinha é que subimos no castelo. Da heresia, ao acerto. Quase perdemos de ter a melhor vista da cidade, um castelo que de perto é belíssimo, aberto ao público e bem cuidado.

Mas até isso deu certo em Bratislava. Pegamos dia, entardecer, e noite. Muito bom. Lá no Centro Histórico algumas ruas ainda remetem a um tempo medieval. Mas não são todas, é preciso caminhar um pouco lá por dentro pra encontrar o clima…

As muralhas que cercam o Castelo permitem caminhar por elas, e assim você vai acompanhando o desenvolvimento de toda a cidade, já que o Castelo fica bem na ponta da cidade. Uma parte dele estava ainda em restauração, mas nada que atrapalhasse as fotos. Se conseguir passar por lá ao entardecer, fortemente aconselho. Lá de cima se tem a melhor vista da Catedral Gótica de St Martin, construída entre os séculos XIII e XIV.

O Centro Histórico. Tudo lá é filmado. Não tem ninguém suspeito na rua. Só depois das 11 da noite, que vimos chegar os moradores de rua, provavelmente pra dormir lá dentro da proteção das câmeras. Pode andar com a máquina profissional pendurada no pescoço mesmo, que ninguém vai dar bola. Aliás, fizemos isso pela cidade toda, fora do centro histórico também, e apesar de não ter legiões de turistas fora do centro histórico, nem dá pra dizer que chamamos alguma atenção.

A entrada de cima do Centro Histórico é via a St. Michael’s Tower. A torre, na verdade, é um portão, o único remanescente dos tempos medievais, construído em 1300 e reconstruído em estilo barroco em 1750. A torre é bonita, claro, com seus mais de 50 m de altura. Mas fica melhor casada com o conjunto da obra. Ela forma um lindo cenário somada a rua principal, recheada de bares e restaurantes, além de pequenas lojas e ruelas bem antigas. É o ponto de partida da visita ao Centro Histórico.

Já comentei da feirinha entre a praça principal (Hlavne Namestie) e a de cima no outro post. Vale a pena não só visitar, mas comprar também. Derrube as rendas. São lindas e baratíssimas. Peças maravilhosas por 10 euros é o que mais tem. Até capa de almofadas compramos, lindas e de excelente qualidade. Mel, pelo visto, é uma das especiarias da cidade, tem bancas exclusivas. E as lembranças, nem preciso falar. Quando você vai voltar a Bratislava pra comprar de outras? A do Cumil e a do Paparazzi são as mais legais.

Na mesma praça tem um café sensacional, com uns refrescos muito interessantes, e boas sorveterias nas ruas de acesso. Entre a praça e o Cumil, tem uma que oferece um sorvete azul, que o sorveteiro não soube explicar em inglês do que era feito, que era uma delícia! Esse com a plaquinha dos smurfs! Não dá pra não provar um sorvete com a assinatura dos smurfs, certo?

Descendo a praça principal em direção ao lindo calçadão do Danúbio, você passa pelo Cumil, que é a mais conhecida, mas tem inúmeras esculturas em bronze pela cidade, e pela Filarmônica Eslovaca. Bom, a passagem foi rápida e optamos por não entrar em museus ou assemelhados em Bratislava. Então só apreciamos a arquitetura exterior destes prédios. Como tudo é pequeno, não é esforço algum passar por todos os pontos turísticos que vamos comentando aqui.

O único que é mais longe (além do Devin Castle, que já vamos falar) é o Slavin. Uma das edificações da praça é a Igreja Jesuíta, a edificação sacra mais antiga da cidade. A antiga prefeitura também fica por ali, bem como algumas grandes lojas de recordações.

Ainda no ponto das coisas curiosas de Bratislava, o Museu da Farmácia, que não entramos, mas dizem ser bem pequeno. Talvez pra alguém da área seja interessante. Na região do calçadão ainda se encontram a Galeria Nacional Eslovaca, o Teatro Nacional Eslovaco e o Museu Nacional Eslovaco.

Já pro outro lado da cidade, fugindo do Danúbio, está o outro núcleo de pontos a visitar. A “Casa Branca Eslovaca” fica bem no centro nervoso da cidade, cercada por bondes, ônibus e edifícios comerciais. Tem uma fonte toda moderna, diferente, em frente ao prédio do governo, a casa branca. Apesar do apelido, ela não tem nada demais. Um charme simples, mas sem pompa. Atrás tem um jardim, que está mais pra um parque onde os eslovacas vão pegar um sol. Agradável, mas também bem longe dos jardins do padrão europeu.

Depois de passar por dezenas de igrejas pela Europa, você acha que já viu de tudo em matéria de arquitetura sacra. Que nada. Tem a St. Elizabeth’s “Blue” Church. Construída em estilo Art Nouveau, ela parece um grande bolo sagrado! É linda e diferente! Fica a alguns minutos dos demais pontos, mas é uma visita obrigatória. Realmente é muito diferente.

Acabamos não vistando o Slavin, um cemitério/homenagem para soldados soviéticos que ajudaram na libertação de Bratislava dos alemães. Tem que pegar algum transporte, é afastado do centro, mas visível do Castelo e do UFO. Também é visível a diferente torre da TV eslovaca, completamente diferente do que conhecemos como torre de TV.

Para a turma da gastronomia. Almoçamos em um restaurante preparado pra turistas. Até porque, sair do circuito turístico pra comer, seria difícil. A língua é complicada mesmo, se a casa que você chega não fala inglês.

O Slovak House serve pratos típicos, fortemente temperados, tem uma apresentação muito bacana, e uma decoração interna de fazer inveja aos melhores bistrôs de Paris. Não é caro, porque em Bratislava quase nada é, mas também não passa por barbada. Pelo porte, está na média europeia.

No jantar fomos no Roland, na praça central. Fica em um prédio muito bonito, que de noite, iluminado é ainda mais charmoso. Como era noite, optamos por pratos mais convencionais. O salmão na espaguete estava espetacular, somado a vista da praça toda iluminada, e com atendimento quase exclusivo (cidade de bate e volta turístico esvazia a noite), certamente foi o jantar mais agradável de toda a viagem. Mais uma das surpresinhas positivas de Bratislava.

Para fechar Bratislava, a visita que não fizemos e que mais doeu. O Devin Castle. A fortificação que também foi destruída (Pelas tropas napoleônicas em 1809) e renovada fica no topo de uma imensa rocha. Na margem do Danúbio, fica a uns 40 minutos do centro de Bratislava. Tentamos o city tour que levava lá, mas não tinha na tarde em que tínhamos. Esse certamente tinha muita história pra contar.

Saímos de Bratislava em um agradável passeio de barco em direção a Viena. O Twin City Liner é rápido e estável, mesmo quem adora passar mal de barco não vai ter problemas. Oferece uma vista linda da cidade e pra quem não conseguiu visitar o Devin Castel, o barco propicia uma linda amostra grátis.

É isso. A agradável Bratislava do nosso ponto de vista. Pra quem está indo pra lá, a dica é chegar de sangue doce, sem esperar grandiosos monumentos e riquezas europeias. Bratislava é uma cidade típica, pequena, ainda se preparando para o turismo, mas com deliciosas particularidades e curiosidades, além de segura, limpa (apesar das pichações espalhadas pela cidade toda) e um povo educado e hospitaleiro. Some-se a isso a história recente do país, a liberadade da cortina russa, a separação dos tchecos, e fica ainda mais fácil admirar e gostar da Bratislava. Aqui nesse comentário a nossa queridíssima mestre-sala de muitos anos, Nalva Clara nos conta um pouco da experiência dela na Bratislava de outros tempos. Muito interessante.

D’akujem Slovenský !

Mais da Bratislava:
Bratislava, Eslováquia. Post I.
Fotos: Arquivo Pessoal.
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