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Cancun não é México. Essa é a primeira consideração. Pelo menos a Cancun praia, ou região hoteleira, ou o “7″. Como queira. A cidade de Cancun, o município mesmo, nem mesmo se chama oficialmente assim. Seu nome é Benito Juárez. Cancun é o nome comercial, mas já traz um aviso. Ele significa, em maia, Ninho de Cobras. E não chega a ser de graça. Cancun não é perigosa, no sentido de perigo que conhecemos por aqui. E como o México de verdade conhece tanto quanto, ou até mais. Mas Cancun, esse oásis turístico na ponta do México também tem lá suas artimanhas. Muitas delas, por sinal.

A região hoteleira é, na verdade, um gigantesco complexo turístico. São hotéis gigantes, colados um no outro, de forma que não há acesso para a praia da rua. Não há, fora 3 ou 4 pontos em toda a orla do 7, como acessar a praia, a partir da rua. Você só acessa a partir do seu hotel. Os pontos de acesso livres, são extremamente policiados. Vários guardas, e as vezes até militares do exército. Se vê metralhadoras por lá, discretamente. Assim como a entrada da cidade. Na verdade, na entrada de todas as cidades onde tem turismo, existe barreira policial armada pra guerra. Na entrada. É assim que o quintal dos americanos no México é mantido seguro. E realmente é seguro, de assaltos e violência.

Cancun tem duas estações do ano, definidas pelos próprios moradores: A quente, e a muito quente. O sol é sempre de arrebentar. E a chuva vem e se manda rapidinho, dando lugar de novo a um sol de rachar. Fica bom de encarar a praia até as 17 horas, depois o vento incomoda. Mas a água é sempre quente, então, só complica a saída, se o mar estiver calmo pra você se manter mergulhado nele. O clima é de fato muito bom pra praia. Mas complica forte nos passeios. Veremos nos artigos a seguir.

O avenidão principal sugere que você está em uma mini Miami. Provavelmente essa foi mesmo a ideia da criação de Cancun, em 1970. Hoje é um balneário super badalado, com dois claros objetivos: Atrair a gurizada festeira americana, bem como americanos de classe média, aparentemente mais média baixa do que média, canadenses e brasileiros. Muitos brasileiros.

Restaurantes grandes, bem armados, um centro noturno que bomba, casas clássicas dos grandes centros, como Senor Frogs e Hooters, embalam a agitadíssima noite de Cancun. “Puts Vegas Night Life to Shame“, escrevem eles por tudo. Um exagero, claro. Mas que eles sabem fazer o seu barulho, sabem.

O tempo de estadia em Cancun é uma questão forte a ser considerada. Depende do objetivo da viagem. A maior vantagem de Cancun sobre outros destinos Caribenhos, é a quantidade de coisas pra se fazer, no sentido de lugares a visitar, e a questão cultural envolvida. Porque estamos falando da civilização Maia, não de estátuas de estadistas. Essa, por sinal, foi a vantagem que mudou nossa viagem das ilhas ABC (Aruba, Bonaire e Curação) pra Cancun. E não sei se foi uma boa decisão, mesmo tendo adorado Cancun. Apesar de que é quase obrigatório conhecer Cancun, pra quem gosta de viajar. Então, que se faça logo ela.

Quando se vai para Cancun? Ir no meio do ano pode ser quente demais. No mais, basta evitar a temporada de furacões (setembro e outubro, ou cole daqui), e o spring break americano e canadense, que são as férias dos estudantes destes países, que abalam Cancun. Cole daqui, e não vá a Cancun de 02 a 30 de março.

Curiosamente, a maior parte dos pacotes pra lá são de poucos dias. Cancun é território da maior operadora brasileira. A CVC. Eles dominam aquele lugar. Tem realmente uma mega estrutura montada lá. Os melhores operadores locais de passeios são parceiros deles. Mas eles cobram caro por isso. Muito caro, se comparado aos preços que você vê na rua pelos mesmos destinos. Mas vai confiar? Passeios inteiros são da CVC. Na Coco Bongo, na boate icônica de Cancun, que tem shows, arquibancadas e tal, a CVC tem duas noites que tem fila especial, entra antes, lugares melhores, enfim.

É na quarta e no sábado que a Coco Bongo tem duas filas: A da CVC, e a do resto do mundo. É impressionante. Então 40% ou mais de Cancun, é Brasil. E os pacotes CVC, são de poucos dias. No hotel que ficamos, os funcionários chegam a falar em 80% de brasileiros por lá. É um hotel preferencial CVC, essa é uma razão pra um número tão absurdo.

Vou dizer, e ser linchado. Mas não dá pra fazer Cancun aproveitando ela razoavelmente, em uma semana. Ou você descansa e fica na praia, ou faz os passeios que são fundamentais. E não estou falando de parques artificiais, pra jogar bobo no rio, como o Xcaret, ou Xel-Ha. Estou falando de Chichén Itza, Tulum, Cozumel e Isla Mujeres. Se gosta de snorkel, tem que colocar aí Puerto Morelos. Só nesses já foram 4 ou 5 dias. Vai aproveitar o que de praia? E o hotel all inclusive que não saiu barato? Com uma semana em Cancun, ou não vê o que precisa, ou volta sem descansar e pegar praia. Não dá. Ficamos 15 dias, pra pegar praia tranquilamente, descansar de um ano pesadíssimo, e fazer os passeios obrigatórios. E faltaram pelo menos 3 dias. Pra enjoar e querer voltar pra casa.

E tem a Lua de Mel em Cancun. Vi muitos casais de lua por lá. A maioria adorando. Mas adorar uma lua de mel em Cancun, depende de parâmetros. Eu desaconselho, e por várias razões. Primeiro porque a maioria dos hotéis são all inclusive. E esse negócio atrai um público diferente. E atrai grupos grandes, e de jovens, e de grupos recompensados por desempenho na empresa. E você não vai querer nada disso ao teu lado na piscina, em sua lua de mel. Ou vai. Enfim, eu não.

Segundo porque Cancun tem muitos passeios. É, isso é bom, eu sei. Mas são passeios fortes. Cansativos, de muita estrada, em grupos grandes, e pingando em toda a rede hoteleira da cidade, pra recolher o pessoal. Quase uma hora em cada passeio, recolhendo pessoal. De alguns deles você volta exterminado. Não acho legal isso em lua de mel. Não fazer eles? É uma opção. Mas aí, perdeu o melhor de Cancun. Então, escolha outro dos milhares de destinos lindíssimos do Caribe. Quase todos mais exclusivos e tranquilos do que a bombada Cancun. Muito melhor pra lua de mel. É questão de opinião. Mas bem lógico, se você der uma pesquisadinha de 1 hora.

O Mar. São 22 km de praia, com água linda, leve e quente, e areia fina, deliciosa de pisar. Mas há considerações. Na maior parte da região hoteleira, a perna do “7″, o mar é brabo. Brabo mesmo. Até pra caminhar a beira mar, não é muito legal. Porque pra cima a areia é fofa demais. Bem fofa. E bem na beira, é inclinada, porque o mar violento deixa a faixa assim. Não dá pra nadar numa boa na maior parte do mar de Cancun.

Pra um nadador como eu, em meio a temporada de travessias, isso foi uma decepção. Grande. Gigantesca. Claro, faltou pesquisar. O cara compra um enlatado, e acha que não precisa pesquisar mais nada. Toma. Não faz seu esporte preferido num dos melhores mares do mundo, e ainda paga o dobro, ou triplo, ou cinco vezes mais pelos passeios. O preço da ignorância. Pesquise, sempre. É uma das melhores partes da viagem.

Em algumas poucas regiões dá pra nadar. Mas tem que se movimentar por lá. Normalmente as ondas são fortes, existem muitos buracos e bancos de areia, e correntes muito fortes. Cada hotel tem seu salva-vidas, e todos eles dizem que nadar ali, não dá. Tem inclusive placas proibindo nadar. Mesmo assim, entrar na água é uma delícia. Ela parece muito mais leve que as nossas águas, mesmo as de Santa Catarina. E quentes, muito quentes. De noite, ainda é bem quente. A cor da água muda, de azul escuro, pra claro, e as vezes fica com 3 tons de azul. Lindíssima, mais ainda na parte da tarde, com o sol a pleno. Mas não dá pra nadar. O 7 de Cancun tem o mar de um lado, e uma gigantesca lagoa do outro. Mas lá só esportes aquáticos que não incluem entrar na lagoa. Porque tem crocodilos. Tem placa avisando por tudo. Ou seja, tem mesmo.

Comprar em Cancun é desafiador. Você acha o mesmo produto, principalmente artesanato e “recuerdos”, por até 3 ou 4 vezes o preço, de um lugar para outro. E, ao contrário de outros destinos turísticos, nem sempre a coisa faz sentido. Uma das lojas com os melhores preços de lembranças, ficava dentro do nosso hotel. O que normalmente é ao contrário. Mas já os “camelôs” que vão vender dentro do hotel, cobram até 3 vezes o valor das lojas que a agência leva. O que quer dizer que pode sair umas 4 vezes o preço justo da mercadoria. Nos perfumes e maquiagens, segundo as meninas, o preço é bom ou equilibrado com o Panamá (comparativo lógico, já que boa parte dos brasileiros fazem conexão lá). Nos EUA obviamente tudo é mais barato.

Já roupas, não é bem assim. Tem que pegar promoção. E elas existem. De qualquer forma, tem todas as marcas mundiais que não tem na maior parte das cidades do Brasil. Ou seja, mesmo pagando mais, você pode comprar por não ter outra opção dentro de um certo período de tempo. Uma viagem e outra, já que moramos em um país proibitivo pra artefatos de qualidade mundial. Mas, uma pesquisa de preços vai bem, se não quiser perder dinheiro. Bastante, dinheiro. As diferenças não são 5 ou 10%. São muito maiores. Shoppings bem projetados como o Isla se fazem presentes e abarrotados de grifes mundiais de alto padrão, mesclado com redes locais. Não falta opção. Mas nem sempre é vantagem. Lojas de prata com produtos lindos, mas nem sempre baratos brigam pelos clientes a ponto de as operadores te levarem até elas.

Se movimentar em Cancun é bem fácil. A zona hoteleira é uma rua. Todos os ônibus passam em todos os lugares. E os motoristas, apesar de correrem como malucos, dão atenção aos turistas, apesar de sem muita simpatia. Aliás, não espere tanta simpatia em Cancun, em lugar nenhum. Mas eles te informam, te ajudam, enfim. Vivem disso.

Tome cuidado no aeroporto. Na chegada você não tem a dimensão do aeroporto. Principalmente se for a noite. Porque ele é lindo e grande, desajeitado, é verdade, mas é lindo e grande. Dá de relho em qualquer rodoviária de avião do Brasil. Porque aeroporto de verdade, não temos nenhum. Nenhum mesmo. Bom. A chegada é complicada, ainda mais se for a noite. Os livros de viagem te avisam, e é verdade. Toda Cancun vive do turismo, não tem mais nada lá. E é uma cidade grande, não a região hoteleira, a da cidade, de fato. Então que todos vivem disso. Alguns de forma honesta, explorando nos preços, e outros, de outras formas. Na saída do aero você é abordado no mínimo umas 5 ou 6 vezes. Te oferecem de tudo. Táxi, hotel, e o pior, convite pra conhecer hotel e clube de férias. Passe reto. Ninguém vai fazer nada. Mas se você parar, pra sair, é complicado. Abaixo foto da “Cidade Cancun”.

Os Clubes de Férias. Soube de gente do nosso voo que aceitou conhecer um hotel, ainda no aeroporto, ganhou desconto por isso em passeios, assinou alguma coisa, e pior, deu o número do cartão de crédito. Ficou das 8 da manhã, as 10 da noite na armadilha. No seu hotel também vai ter. Poucos não tem, os tais clubes de férias. Mas você pode ganhar com isso. Nós não aceitamos o convite pra propaganda (que é como eles chamam a armadilha) logo de cara. Ofereceram internet de graça por uns dias. Por que lá é pago na maioria dos hotéis. E é caro. 10 dolares a hora, 17 por dia, ou 80 5 dias. Isso no Grand Park Royal Cancun Caribe, que ficamos. Quase no final dos 15 dias, pedi valor de transporte pra Cozumel. Nos deram 3 de graça, pra assistir a propaganda. Falam em 90 minutos, mas você perde um turno. Se for esperto. Se deixar levar, pode ter dificuldade pra sair do enrosco.

Pode não parecer, inclusive pra quem passou voando por lá, mas Cancun é densa, vamos falando dela aos poucos. Como tem muita coisa, mesmo, pra se fazer, teremos uma série de artigos, que vão incluir: Chichén Itza, Tulum, Cozumel, Isla Mujeres, Puerto Morelos, Playa del Carmem, Compras em Cancun, Noite de Cancun, os All inclusive, e Outras Atrações em Cancun (Cenote Il Kil, Ruínas El Rey, Valladolid)

Imagens: Arquivo Pessoal.

Destinos via Panamá

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Não faz muito tempo que a Copa Airlines entrou nas preferências brasileiras, para destinos América acima. E a razão é bem fácil de entender. É bem brasileira. Compras a preços justos! Porque nesse ponto, somos um alvo mais do que fácil. Pagamos fortunas por qualquer produto que seja considerado de qualidade, pelo mundo. O tal “custo Brasil”. Jeitinho brasileiro de dizer “assalto ao brasileiro pagador”. Porque qualquer brasileiro que compre, no Brasil, um produto mundial, é assaltado. Bom, comprando fora o governo também deu um jeito de dar mais uma assaltadinha, aumentando e criando impostos para compras fora. Mais uma vergonha desse país medíocre que cobra sua incompetência do povo. Enfim. Vamos deixar a política de lado, porque o objetivo é dar dicas do autodenominado “Hub das Américas”, o aeroporto do Panamá.

O voo que sai de Porto alegre é pequeno. Pequeno, pro tempo de viagem, claro. Um 737 800, que pelo que diz a Copa, é o maior da frota deles. Então nem da pra culpar a rodoviária de aviões de Porto Alegre, aquela que não tem pista pra avião grande e faz gaúcho ir de avião médio pra Europa. Espremidinho, mas faceiro porque não precisa ir a São Paulo. Inocentes. Aí ficam mil horas na alfândega, porque né. Pode comprar nada lá fora. Porque aqui os preços são justos. Eu sei, é artigo de dicas, não de choradeira. Mas é que sou desse tipo de gente. Inconformada pelo fato de morar numa aldeia indígena que ainda entrega tudo o que tem por espelhos dourados. Feitos na China. Bom. O avião não é confortável. Pelo menos pra alguém com quase 1,90, como eu. Os bancos tem pouco espaço, reclinam pouco, e o serviço é meio jogadão. Mas não é ruim, o serviço. O conforto sim. O povo passa o tempo todo levantando pra caminhar ou ficar ao lado do banco. Banco sim. Não dá pra chamar de poltrona. Em resumo, você que vai escolher a Copa pra aquela paradinha pras compras, saiba que não terá conforto pra isso. Vai espremidinho.

Não sei se foi azar ou não, mas as duas aterrissagens foram com emoção. Certo. Avião no chão, tínhamos 2 horas pra fazer as compras da ida. Na volta, nos deixam 6 horas lá, pra gastar bastante. Como eu queria fazer uma compra fundamental na ida, uma GoPro Hero 3 que seria (e está sendo) absurdamente usada na água e fora dela, saí comprando. Calma. Dá tempo. Te dizem que o aeroporto é enorme, que tem que correr. Não é. Claro que não é como nossas rodoviárias de avião aqui do Brasil. Mas quem conhece uma beira do mundo aí, nota que é pequeno sim. Não é limpo, mas faz sentido e é bem organizado. Dentro do avião já tem um mapa dele, que é pra você saber pra onde precisa sair correndo.

E tem muita loja. Nem tudo vale a pena, mas tem muita coisa que vale. Assim, comparando sempre com a nossa aldeia. Não vale comparar com país de verdade, que produz as coisas e sabe o preço justo, como os Estados Unidos. No Tio Sam tudo é muito mais barato. Tudo mesmo. Então que a comparação é com o Brasil. Tem várias lojas de roupa, as do mundo, com preço bem menor que o nosso. Mas ainda assim, quase caras. Tem que dar uma olhada nas promoções, que aí sim, podem valer a pena. Já nos eletrônicos o jogo é mais fácil. Nos celulares, não pareceu tanta vantagem. Mas também não olhei com tanta atenção assim. Já nas máquinas fotográficas, vale a pena mesmo. A máquina que comentei acima, saiu por 430 dólares. Espia aí no Brasil, o preço da Hero 3 Black. Dá nem graça a brincadeira.  Bom. O aeroporto é fácil, bem fácil de se localizar, as lojas estão espalhadas pelos corredores das “asas” do aeroporto, e na região central dele. Então, sem pânico, 2 horas dá pra comprar metade do aeroporto.

O Panamá é um país interessante, nessa jornada optamos por não fazer stop, nem na volta, mas deveria, e na próxima farei. As compras fora do aeroporto, dizem, são um pouco melhores. Algumas, não. Outros equipamentos eletrônicos também são super vantajosos, como HDs externos, pentes de memória pras nossas mil máquinas e dispositivos dessa linha. Os “recuerdos” do Panamá não chegam a ser muito criativos, mas o chapéu clássico é obrigatório! Bueno, boas compras pra quem passar pelo Hub das Américas, sim, é um exagero, claro que é. Mas se comparar com as nossas rodoviárias de avião, teria que chamar de Hub das Galáxias! Só não esqueça de encolher as pernas antes de embarcar!

Hasta la Vista! Próxima parada, Cancun!

Links Úteis:

O Aeroporto.