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    Agora que já vimos as primeiras impressões da capital eslovaca, e falamos da sensação de estar lá, no primeiro post, é hora de entrar nos principais pontos turísticos. Vamos lá, visitar esta pequena e agradável cidade nas margens do clássico e não azul Danúbio?

    Como no primeiro post já vimos o lindíssimo aeroporto de Bratislava, que humilha em beleza qualquer um dos vergonhosos brasileiros, e boa parte do pessoal chega em Bratis de barco ou trem, a primeira grande visão da cidade é a New Bridge, ou Novy Most, na incompreensível língua deles. Acima dela, que nem é tão nova assim (é do final da década de 60) o UFO. Claro que o UFO é o apelido local pra essa curiosa estrutura, que nem tem muito a ver com as características da cidade, mas acabou se tornando um importante cartão postal. Tem um restaurante lá em cima, que obviamente oferece uma das melhores vistas da cidade, junto com o castelo. Pela ponte você passa, ou vê de longe.

    E o restaurante, é uma opção. Não fomos porque só tínhamos uma noite, e optamos pelo lindo centro noturno. Segundo nosso taxista, é caro. A outra ponte conhecida, a Old Bridge (criativo, não?) é uma ponte de ferro, nada demais. Você vai passar por ela na caminhada pelo calçadão do Danúbio, a caminho da Blue Church.

    A segunda grande visão da cidade é o Castelo de Bratislava (Hrad). A grande edificação branca fica 85m acima do Danúbio, e o local é habitado desde a transição entre as idades da Pedra e do Bronze. Deve ter um pouco de história, não? Obviamente, como boa parte dos castelos da europa, foi destruído e reconstruído  várias vezes.

    De longe, devo admitir que ele não parecia tão belo. Tanto que fizemos a cidade toda, voltamos pro hotel descansar, e só na tardinha é que subimos no castelo. Da heresia, ao acerto. Quase perdemos de ter a melhor vista da cidade, um castelo que de perto é belíssimo, aberto ao público e bem cuidado.

    Mas até isso deu certo em Bratislava. Pegamos dia, entardecer, e noite. Muito bom. Lá no Centro Histórico algumas ruas ainda remetem a um tempo medieval. Mas não são todas, é preciso caminhar um pouco lá por dentro pra encontrar o clima…

    As muralhas que cercam o Castelo permitem caminhar por elas, e assim você vai acompanhando o desenvolvimento de toda a cidade, já que o Castelo fica bem na ponta da cidade. Uma parte dele estava ainda em restauração, mas nada que atrapalhasse as fotos. Se conseguir passar por lá ao entardecer, fortemente aconselho. Lá de cima se tem a melhor vista da Catedral Gótica de St Martin, construída entre os séculos XIII e XIV.

    O Centro Histórico. Tudo lá é filmado. Não tem ninguém suspeito na rua. Só depois das 11 da noite, que vimos chegar os moradores de rua, provavelmente pra dormir lá dentro da proteção das câmeras. Pode andar com a máquina profissional pendurada no pescoço mesmo, que ninguém vai dar bola. Aliás, fizemos isso pela cidade toda, fora do centro histórico também, e apesar de não ter legiões de turistas fora do centro histórico, nem dá pra dizer que chamamos alguma atenção.

    A entrada de cima do Centro Histórico é via a St. Michael’s Tower. A torre, na verdade, é um portão, o único remanescente dos tempos medievais, construído em 1300 e reconstruído em estilo barroco em 1750. A torre é bonita, claro, com seus mais de 50 m de altura. Mas fica melhor casada com o conjunto da obra. Ela forma um lindo cenário somada a rua principal, recheada de bares e restaurantes, além de pequenas lojas e ruelas bem antigas. É o ponto de partida da visita ao Centro Histórico.

    Já comentei da feirinha entre a praça principal (Hlavne Namestie) e a de cima no outro post. Vale a pena não só visitar, mas comprar também. Derrube as rendas. São lindas e baratíssimas. Peças maravilhosas por 10 euros é o que mais tem. Até capa de almofadas compramos, lindas e de excelente qualidade. Mel, pelo visto, é uma das especiarias da cidade, tem bancas exclusivas. E as lembranças, nem preciso falar. Quando você vai voltar a Bratislava pra comprar de outras? A do Cumil e a do Paparazzi são as mais legais.

    Na mesma praça tem um café sensacional, com uns refrescos muito interessantes, e boas sorveterias nas ruas de acesso. Entre a praça e o Cumil, tem uma que oferece um sorvete azul, que o sorveteiro não soube explicar em inglês do que era feito, que era uma delícia! Esse com a plaquinha dos smurfs! Não dá pra não provar um sorvete com a assinatura dos smurfs, certo?

    Descendo a praça principal em direção ao lindo calçadão do Danúbio, você passa pelo Cumil, que é a mais conhecida, mas tem inúmeras esculturas em bronze pela cidade, e pela Filarmônica Eslovaca. Bom, a passagem foi rápida e optamos por não entrar em museus ou assemelhados em Bratislava. Então só apreciamos a arquitetura exterior destes prédios. Como tudo é pequeno, não é esforço algum passar por todos os pontos turísticos que vamos comentando aqui.

    O único que é mais longe (além do Devin Castle, que já vamos falar) é o Slavin. Uma das edificações da praça é a Igreja Jesuíta, a edificação sacra mais antiga da cidade. A antiga prefeitura também fica por ali, bem como algumas grandes lojas de recordações.

    Ainda no ponto das coisas curiosas de Bratislava, o Museu da Farmácia, que não entramos, mas dizem ser bem pequeno. Talvez pra alguém da área seja interessante. Na região do calçadão ainda se encontram a Galeria Nacional Eslovaca, o Teatro Nacional Eslovaco e o Museu Nacional Eslovaco.

    Já pro outro lado da cidade, fugindo do Danúbio, está o outro núcleo de pontos a visitar. A “Casa Branca Eslovaca” fica bem no centro nervoso da cidade, cercada por bondes, ônibus e edifícios comerciais. Tem uma fonte toda moderna, diferente, em frente ao prédio do governo, a casa branca. Apesar do apelido, ela não tem nada demais. Um charme simples, mas sem pompa. Atrás tem um jardim, que está mais pra um parque onde os eslovacas vão pegar um sol. Agradável, mas também bem longe dos jardins do padrão europeu.

    Depois de passar por dezenas de igrejas pela Europa, você acha que já viu de tudo em matéria de arquitetura sacra. Que nada. Tem a St. Elizabeth’s “Blue” Church. Construída em estilo Art Nouveau, ela parece um grande bolo sagrado! É linda e diferente! Fica a alguns minutos dos demais pontos, mas é uma visita obrigatória. Realmente é muito diferente.

    Acabamos não vistando o Slavin, um cemitério/homenagem para soldados soviéticos que ajudaram na libertação de Bratislava dos alemães. Tem que pegar algum transporte, é afastado do centro, mas visível do Castelo e do UFO. Também é visível a diferente torre da TV eslovaca, completamente diferente do que conhecemos como torre de TV.

    Para a turma da gastronomia. Almoçamos em um restaurante preparado pra turistas. Até porque, sair do circuito turístico pra comer, seria difícil. A língua é complicada mesmo, se a casa que você chega não fala inglês.

    O Slovak House serve pratos típicos, fortemente temperados, tem uma apresentação muito bacana, e uma decoração interna de fazer inveja aos melhores bistrôs de Paris. Não é caro, porque em Bratislava quase nada é, mas também não passa por barbada. Pelo porte, está na média europeia.

    No jantar fomos no Roland, na praça central. Fica em um prédio muito bonito, que de noite, iluminado é ainda mais charmoso. Como era noite, optamos por pratos mais convencionais. O salmão na espaguete estava espetacular, somado a vista da praça toda iluminada, e com atendimento quase exclusivo (cidade de bate e volta turístico esvazia a noite), certamente foi o jantar mais agradável de toda a viagem. Mais uma das surpresinhas positivas de Bratislava.

    Para fechar Bratislava, a visita que não fizemos e que mais doeu. O Devin Castle. A fortificação que também foi destruída (Pelas tropas napoleônicas em 1809) e renovada fica no topo de uma imensa rocha. Na margem do Danúbio, fica a uns 40 minutos do centro de Bratislava. Tentamos o city tour que levava lá, mas não tinha na tarde em que tínhamos. Esse certamente tinha muita história pra contar.

    Saímos de Bratislava em um agradável passeio de barco em direção a Viena. O Twin City Liner é rápido e estável, mesmo quem adora passar mal de barco não vai ter problemas. Oferece uma vista linda da cidade e pra quem não conseguiu visitar o Devin Castel, o barco propicia uma linda amostra grátis.

    É isso. A agradável Bratislava do nosso ponto de vista. Pra quem está indo pra lá, a dica é chegar de sangue doce, sem esperar grandiosos monumentos e riquezas europeias. Bratislava é uma cidade típica, pequena, ainda se preparando para o turismo, mas com deliciosas particularidades e curiosidades, além de segura, limpa (apesar das pichações espalhadas pela cidade toda) e um povo educado e hospitaleiro. Some-se a isso a história recente do país, a liberadade da cortina russa, a separação dos tchecos, e fica ainda mais fácil admirar e gostar da Bratislava. Aqui nesse comentário a nossa queridíssima mestre-sala de muitos anos, Nalva Clara nos conta um pouco da experiência dela na Bratislava de outros tempos. Muito interessante.

    D’akujem Slovenský !

    Mais da Bratislava:
    Bratislava, Eslováquia. Post I.
    
    Fotos: Arquivo Pessoal.

    Post I – Bratislava como ela é.

    Foi em um lindo e iluminado aeroporto que tivemos nosso primeiro contato com Bratislava. A pequena capital eslovaca, que fica tão perto de Viena e das outras princesas do leste, que chega a atrapalhar. Porque a turma toda vai passar o dia em Bratislava. E ela merece mais que isso. Programamos uma noite, e faltou uma mais. Fazia sol. Excelente e providencial, pra quem tem pouco tempo. Íamos dormir lá, é verdade. Mas chegamos ao meio dia, e iríamos pra Viena em algum momento na manhã seguinte.

    Tinha investigado como ir do aeroporto (foto acima) para o centro com o ônibus 61 que parte de 10 em 10 minutos, mas acabamos optando pelo táxi, mesmo sendo visível a facilidade de ir de ônibus. Ali já começou a impressão positiva da cidade. Perguntei um valor aproximado pela corrida, o taxista disse uns 20, 22 euros. Deu 23, ele pediu desculpas e ficou sem jeito. Sério mesmo. Ele ficou sem jeito por errar por um euro a previsão de custo. Por aí você começa a entender o espírito do eslovaco.

    Durante o percurso falamos bastante. Preparado, nos deu vários mapas, rabiscou neles (o trânsito parou várias vezes), e nos deu várias dicas e instruções. Educadíssimo e super prestativo. Tivemos uma ótima impressão da cidade na chegada. Pegamos um Ibis no centro, no pé do castelo, e a meia dúzia de passos do centro histórico. Quarto espaçoso, tudo novo e bonito. O pessoal do hotel estava com uniforme de hóquei, o esporte nacional, já dando o clima da cidade. Na foto acima, a troca da guarda da residência do governo. Pegamos por acaso, como em várias outras cidades.

    O tempo era curto na Bratislava. No dia seguinte Viena já chamava, mesmo que sem hora marcada. Então, logo após o rapidíssimo check in, só arremessamos as malas no quarto, pegamos o equipamento fotográfico e saímos. O centro histórico é muito aconchegante. Boa parte das edificações são barrocas. A impressão inicial é que a cidade anda mesmo se preparando para ser de fato turística, já tem uma boa estrutura pra isso, e falta mesmo é turista. Tudo é muito tranquilo, não existem filas, os restaurantes e bares sempre tem mesas sobrando, quando não estão quase vazios, e todos são muito simpáticos e prestativos. Claro que não é aquele povo brasileiro, todo feliz e sorridente. São mais sóbrios. Mas simpáticos!

    Na praça principal tem uma feirinha muito simpática. Estava funcionando numa quarta a tarde, então presumo que esteja sempre por lá. Pra quem veio da Bélgica, a renda estava super barata. E bonita. É de comprar várias peças. As lembranças da cidade também são um sarro. Compre um Cumil e um Paparazzi. O sorvete segue o padrão europeu, sensacional, e tem bons restaurantes. Os típicos tem a comida bem forte. Mesmo. Vale a pena provar. Na questão das compras não deu tempo de explorar muito a cidade. Tem um shopping grande na entrada da cidade, e tem o belíssimo Eurovea, que também não conseguimos ir.

    Andar de noite pela Bratislava é uma beleza. A sensação de segurança é total, como o taxista já havia falado. “Perigo? Na Bratislava? Não, não tem isso aqui não”. Como a maioria dos turistas fazem bate e volta de alguma outra cidade próxima, a estrutura turística desde a tardinha até a noite fica quase vazia. Então é possível jantar no castelo, no UFO, ou na praça central (foi a nossa escolha), tranquilamente e escolhendo a mesa com a melhor vista. Alguns restaurantes começam a se desmobilizar as 10 horas, então é bom ir cedo.

    A cidade não apresenta os grandes monumentos das principais cidades europeias, não tem aquela sensação de poder e riqueza, mas tem seus encantos. Como os hotéis e restaurantes são bons e baratos, fazer bate e volta de Viena ou Budapeste nem vale a pena. Se resolver passar por lá, fique uma noite. Vindo dos países de cima, fica até mais fácil e barato, pois Bratislava recebe vôos de baixo custo, ao contrário de Viena. De lá pra Viena, vá de barco pelo Danúbio. É um passeio clássico que merece sua presença. Avalie um tempo extra para visitar o interessantíssimo Devin Castle, destruído por Napoleão em 1809 e tem algumas ruínas recompostas. Não tivemos tempo pra ele, pois fica fora da cidade, e fez falta, principalmente vendo ele lá do rio, na viagem pra Viena.

    Se o centro histórico é bem cuidado e monitorado, no resto da cidade o contraste fica mais evidente. Lugares lindos em frente a prédios depredados e pichados é coisa bem corriqueira. A cidade é limpa, parece bem organizada e com um transporte público que parece bem eficiente. Não é uma cidade grande, tem menos de 500 mil habitantes, então não é difícil de se conhecer, nem de captar o clima da cidade e do povo. As marcas do passado de ferro são bem visíveis, mas o desejo de ser vista pelo mundo também. Além do centro histórico, a região do castelo, e do outro lado a região do palácio real são as principais regiões turísticas. Bratislava em resumo é uma pequena e agradável surpresa.

    No próximo post, as principais atrações da capital eslovaca!

    Imagens: Panorâmica, Wikipedia. Demais, Arquivo Pessoal.