Falar de Buenos Aires é tão fácil quanto difícil. Fácil por que tem muito o que falar, e difícil, porque é preciso achar espaço para tudo o que precisa ser dito. Um dos destinos favoritos da turma aqui do sul, pela proximidade, facilidade e atrativos, a capital argentina faz valer a afirmação popular que é um pedacinho da europa aqui na America Latina. Isso tudo, apesar dos altos e baixos econômicos enfrentados pela Argentina. A chegada em Buenos Aires é sempre a mesma,  após o pouso no Ezeiza ou Aeroparque: Check in no hotel e aquela saída o mais rápido possível para a Florida (Rua central, de intenso comércio), da qual o hotel sempre é vizinho. O charme de uma cidade “quase européia” seduz rapidamente qualquer turista e logo não há qualquer lembrança de problemas, trabalho e  visitante quase nem se lembra de porque mesmo veio até BA, se fazer compras, assistir a um grande show, ou simplesmente passear pela capital portenha. Bom, não precisa de motivo para viajar a Buenos Aires!

 

 

 

 

 

 

Uma das grandes marcas de Buenos Aires sem dúvida é o tango, a sensual dança que aparece em casas especializadas, nos parques, nas ruas onde o turismo circula mais forte, e no próprio jeitão intenso de ser, do argentino. Caminhando pela Florida, comprando lembranças no La Boca, raridades em San Telmo, ou mesmo tomando um sorvete na Recoleta, fatalmente qualquer visitante em Buenos Aires irá assistir uma apresentação de tango, ali mesmo, no meio da rua. É um dos grandes pontos da cultura local, e uma das atividades obrigatórias pelo menos na primeira visita a Buenos Aires é assistir um show em uma das muitas casas especializadas. A mais conhecida é a Señor Tango, mas existem muitas outras opções para jantar, e apreciar um bom vinho assistindo ao sensual espetáculo de tango.

Como em toda grande capital, o roteiro cívico também é muito interessante. Com uma boa caminhada iniciando na Plaza de Mayo, se pode conhecer vários prédios fantásticos do governo, o Obelisco de 1936, uma das ruas mais largas do mundo, a Calle 9 de Julio, o Teatro Colon considerado um dos melhores teatros do mundo pela acústica e valor artístico da construção de mais de 100 anos e outras edificações espetaculares de Buenos Aires.

Buenos Aires é grande, muito grande, mas vale a pena caminhar bastante pela cidade, sentir o clima do que a cidade já foi em um passado distante, do que ela já foi em um passado nem tão distante assim, e do que ela é hoje. E tudo isso fica muito claro quando se observa os gigantes casarões que já pertenceram a apenas uma família, remetendo a riqueza econômica e cultural que o povo portenho experimentou no passado. Já em um período mais atual, a cidade nem tão rica mas ainda requintada, limpa e organizada lembrava muito várias cidades européias. Esse período teve um sobressalto forte no momento da séria crise financeira vivida anos atrás pela Argentina, e isso pode ser notado em vários bairros e na região central, que já não tem aquela segurança toda, e muito menos a tradicional limpeza das ruas.

 

O câmbio nos favorece, a comunicação nunca foi tão fácil, e o número de turistas europeus e brasileiros impressiona. A irresistível Galeria Pacífico, e as dezenas de restaurantes, com suas pastas e carnes com ótimos preços e qualidades invejáveis tornam Buenos Aires um opção para qualquer viajante, em férias ou para um simples final de semana esticado.  À noite, bares, sempre com enormes placas da Quilmes convidam, a falta de pressa de uma cidade que nunca dorme cedo tranqüiliza, e a segurança das ruas (nem tanto) permite que se fique por ali indefinidamente.

No fim de semana, alguns passeios são indispensáveis, como a Recoleta e sua feira muito parecida com o nosso Brique da Redenção (de Porto Alegre). Um Hard Rock decadente, uma galeria de lojas de design que deixa as pessoas de bom gosto e sofisticação sem saber o que olhar primeiro, o belíssimo Museu de Belas Artes, que exige pelo menos umas 3 horas para uma rápida apreciada em suas obras são algumas das atrações deste bairro nobre e valorizado de Buenos Aires.

 

 

 

 

 

 

Na Recoleta ficam muitos dos hotéis mais nobres da capital, muitos restaurantes, e muito espaço gramado no parque, quase sempre ocupado por estudantes e muitas pessoas aproveitando dias ensolarados. É uma parada não só obrigatória, mas também muito prazeiroza, tomar um sorvete na Freddo de frente para o parque. O famoso Cemitério da Recoleta é por si só uma grande obra de arte, sempre lotadíssimo de turistas do mundo todo admirando as obras dos nobres portenhos ali sepultados.

O bairro mais tradicional também é o maior de Buenos Aires. Palermo dá toda a impressão de Europa, com tudo incluído. O bairro é dividido em Palermo Chico, Bosques de Palermo (um parque com 80 hectares de bosques), Palermo Soho (aqui fica a imperdível Plaza Serrano) e Palermo Hollywood. As lojas de marcas mundiais se enfileiram nas belíssimas e “anchas” avenidas. E vale muito a pena comprar! Retornar da Recoleta ao centro caminhando cansa, mas vale muitíssimo cada passo! Las Cañitas tem uma rua (Baez) que abriga vários barzinhos, já foi a “Calçada da Fama” de BA, fica atrás do gigantesco hipódromo, e é movimentada de quarta a domingo. Já foi mais transada, mas andou perdendo muito do seu charme nos últimos anos. A Plaza Serrano é uma excelente opção para comer alguma coisa rápida sem se afastar no movimento da noite, e flertar com os petiscos ouvindo a mesa ao lado cantar ao som de um violão qualquer. Tem até bar 24 horas por ali, e é realmente muito movimentada. Para quem quer esticar a noite mesmo, a casa noturna do momento é a Pacha.

No domingo há a famosa Feira e o Mercado de Pulgas de San Telmo, que na realidade é uma venda de velharias, relíqueas e peças de coleção. Lugar para uma visita única, na primeira vez que se vai a BA, apesar de alguns restaurantes temáticos interessantes. San Telmo já fora um bairro de luxo outrora, depois abandonado por seus moradores durante a peste…

La Boca com seu “caminito” permanece sempre igual, e oferece os maiores preços de BA para suas lembranças. Lugar totalmente voltado aos turistas, e que deve ser visitado até as 18 horas, a partir de então se torna muito perigoso. O velho porto segue com aquele odor habitual, muito desagradável, mas não tem como ir a Buenos Aires sem passar algumas horas perambulando pelo La Boca. Os amantes do futebol poderiam perguntar: O River mudou de cidade? Não se vê camisas do River por lá, só entrando nas lojas e pedindo. As vitrines são tomadas pelas cores do Boca e da Seleção, estão por todos os lugares. Em La Boca fica La Bombonera, o lendário estádio do Boca Juniors, que pela sua geometria verticalizada lembra uma caixa de bombons (só se vê a cabeça dos torcedores). No estádio se pode fazer passeios guiados, e tem um museu que vale a visita. Quem gosta de futebol, precisa conhecer a origem do Boca e sua história.

A nova sensação imobiliária de Buenos Aires é a região do Puerto Madero, com seus 16 prédios gigantescos reformados. A parte “turística” do bairro oferece uma infinidade de restaurantes e bares. O complexo é seguro, mas se recomenda chegar até ali de táxi. Os táxis argentinos continuam, como sempre, baratos, correndo como loucos e vários sem faróis, depredados e sem manutenção. São mais de 40 mil táxis na cidade, rodando incansavelmente para todos os lados que se olha.

 

 

 

 

 

 

Acima a esquerda, o complexo de prédios que abriga os restaurantes, e a direita os investimentos imobiliários que crescem cada vez mais nessa região revitalizada da cidade. Abaixo a linda Ponte de La Mujer, obra de um arquiteto espanhol.

Buenos Aires continua culta, chique, com as pessoas geralmente bem vestidas, frequentando cafés e restaurantes a qualquer hora do dia. Embora menos do que antigamente, ainda se vê senhores de boa idade chegando em restaurantes altas horas da noite, e senhores lendo jornais em cafés cercados de velhos amigos. As bibliotecas diminuiram, mas ainda dão uma verdadeira aula de cultura no nosso Brasil.

Como em qualquer viagem, o visitante quer fazer suas comprinhas, e levar as tradicionais lembranças. Estas últimas, se encontra por toda Florida, e nas feiras de bairro (Recoleta, San Telmo, La Boca). A comprinha básica, de roupas, ou aquela marca sempre mais cara no Brasil, se pode fazer na Florida ou na belíssima Galeria Pacífico, que fica ali mesmo, na rua central de Buenos Aires. A Galeria, na verdade, é uma visita também obrigatória, pela sua beleza. E as compras mais elaboradas, aí sim, ficam por conta de Palermo ou Recoleta.

Em resumo, Buenos Aires é uma cidade imperdível, uma viagem de verdade por preços muito acessíveis. Um cidade em que o número de vezes que se vai, é proporcional a vontade de retornar. Já estive lá cinco vezes, e a cada viagem, o desejo de voltar aumenta. Olé!

Alguns Links Interessantes:

Site Oficial do Turismo

Dicas BR

Teatro Colon

Señor Tango

Café Tortoni

Feria San Telmo

Siga La Vaca

Sorveteria Freddo

La Bombonera