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O esporte tem dessas coisas, e quem vive um pouco que seja desse mundo, sabe disso. Qualquer um, pode vencer qualquer outro, basta estar competindo. É claro que as diferenças técnicas podem tornar essa verdade uma missão quase impossível. Por exemplo, os alegres tahitianos e os espanhóis. Seria quase um milagre o time da paradisíaca Polinésia Francesa vencer a Espanha. Bom, eles não precisam, moram ao lado de Bora Bora. Pra que jogar futebol? Enfim. Seria quase um milagre. Já na luta de ontem, a questão não era assim. Porque dentro do octógono, basta um soco bem colocado no queixo, e acabou. E foi assim mesmo que aconteceu.

Um displicente Anderson Silva entrou pra brincar no UFC 162. E brincou. Não levou seu oponente a sério, não respeitou, não teve fair play algum, e acabou pagando o preço. Claro que, nesse mundo de lutas, pra não falar em mundo de esportes, ainda podem existir outros fatores, e tal. Mas vamos admitir que esses fatores estavam fora de questão, e que eram apenas dois caras querendo quebrar a cara um do outro. O desafiante, cara novo e invicto, entrou como zebra. Concentrado, sabendo o que enfrentaria: Um mito. Já o Anderson, talvez cansado de ser o homem a ser batido, talvez já acreditando que era invencível, talvez apenas em uma noite em que resolveu brincar, foi passear no UFC. Pelo depoimento logo depois da luta, deu a entender que quer férias, e que não deu bola pra derrota. Talvez. Mas pouco provável. O mais provável mesmo, é que, infelizmente, o mito brasileiro resolveu acreditar que era imbatível. Aumentou o grau de brincadeira que já o acompanhava, e correu riscos completamente desnecessários. Mesmo antes do nocaute, já era meio que visível que o exagero poderia acabar mal. Todos que entram naquela gaiola tem a mão pesada. Basta uma boa bofetada, e pronto. Tá lá um corpo estendido no chão. Mas ele seguiu brincando, mesmo sem estar dominando a luta. Se estivesse surrando o oponente, se tivesse dando um passeio no primeiro round, até daria pra entender. Entender, não concordar. Porque não é legal tirar onda. Mas se for parte da estratégia da luta, do fator psicológico, dá pra entender. Mas ele não vinha bem. Já tinha levado uma escovada no chão, e não é a primeira, porque o Sonnen já tinha feito isso. Estava atrás em pontos, e seguiu brincando. Facilitando, querendo ser um super herói. Ou se achando um super herói.

Claro que é quase um absurdo criticar um lutador que é considerado por muitos um dos maiores da atualidade, só porque ele perdeu uma luta. Mesmo que pareça uma forma ridícula de ter lutado, ele, que é um mito, tem todo  direito de lutar como acha que deve. Quem perdeu o título foi ele, quem vai ter que correr atrás da máquina, é ele. Mas se não foi estratégia de luta, se foi apenas flauta de alguém que se achava invencível, aí podemos até achar que foi bom pra ele. Porque a prepotência normalmente é fatal. Melhor agora, que ainda é novo e pode retomar. Se o mito quer mesmo descansar da responsabilidade monstruosa de ser o homem a ser batido no mundo do MMA, ou se o brincalhão exagerou e perdeu de bobeira, logo vamos saber. E certamente, mais dia ou menos dia, teremos o mito de volta. Lutando sério, e carregando a nossa bandeira pro lugar mais alto do mundo do MMA.

Imagens: Portal Terra.

A Copa do Brasil?

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Eu reconheço mesmo, esse pessimismo quanto a capacidade do Brasil gerir uma Olimpíada e uma Copa do Mundo. E fui a favor, desde o início, aumentando a complexidade da minha opinião a respeito. Julguei, e ainda julgo que é ótimo para o país, que vai ser bom de qualquer forma. Vai ser bom se funcionar. E vai ser bom também, se não funcionar. Se funcionar porque funcionou, e porque os políticos (são eles que mandam em tudo, inclusive na parte técnica, que não deveriam) fizeram alguma coisa direito. E se não funcionar, é pra dar logo a real pro povo brasileiro, que por estar um pouco melhor de vida, acha que mora em um grande país resolvido. A vergonha será reveladora, e quem sabe até acorde o nosso povo sem sangue nas veias. O que é difícil. Mas não deixa de ser uma oportunidade. Quem sabe um alerta, mesmo que mal entendido. Enfim. Bom que veio a olimpíada, bom que veio a copa. Mas o meu pessimismo quanto a capacidade de gestão, segue firme.

Das obras Brasil afora, a gente sabe como está, a situação. Tudo atrasado. Mobilidade atrasada, aeroportos a beira do caos com trânsito normal, estádios andando naquelas, e todo o resto que né. Vamos falar de mobilidade, pra começar. Estive na europa no último mês. Foram 5 países. Quase 1 mês. Trem, avião, barco, tudo. Malas ilesas, nenhum atraso, nenhum cancelamento, nenhum arranhão nas malas. Cheguei ao Brasil. Foram 2 horas, e uma conexão pra chegar na minha cidade. O aeroporto trocou de portão 3 vezes. Depois disso tudo, o ônibus nos levou pro outro lado do aeroporto pra embarcar. Uma mala foi encharcada, e outra quebrada. Uma conexão, duas horas. Tive a certeza de ter chegado ao Brasil. E não é a primeira vez que vivo isso aí, que acabei de contar. Táxi. Lá fora, quase todos falam inglês. Em alguns países enrolam e dão umas voltas. Na maioria, não. Chego na minha cidade. Moro ao lado de um dos maiores centros comerciais da cidade. O taxista pediu pra eu guiar ele, porque ele não sabia onde era. Pode? Tive de dizer rua por rua, pra não ser enganado na minha própria cidade. Tenho pena dos turistas. Muita pena, na verdade. Nossas cidades não andam. Estão paradas. O trânsito não existe. São Paulo parou, o Rio está parando, BH está no caminho pra parar. Porto Alegre, pequeníssima, faz viadutos pra colocar sinaleira em cima, e embaixo. É uma piada. Está parando também, mesmo com seu pequeno tamanho. Imagine na sua cidade, um turista tentando andar de metrô, ou de ônibus urbano, ou pegando um taxi. Coloca uma máquina fotográfica no peito dele, que é como o turista anda no mundo inteiro, pra ver o que será a Copa do Mundo no Brasil. Imagina aí, a cena.

Aí vem os estádios. Esses, até pensei que só iriam sair muito caro. Mas que não fossem problema, porque afinal de contas, é o óbvio. É convidar alguém pra jantar, sem ter a mesa. Não tem como não ter estádio. Então eles vão acontecer e pronto. Nem que a presidenta vá lá empilhar os tijolos. E ela vai, porque é valente. Já teve que mandar malandro fazer estádio sem mais choradeiras. E mandou, e tão fazendo e pronto. Mas não adianta uma faca na bota. Porque é todo um sistema incompetente. E gente incompetente demais, que não sabem o que fazem e tal. E a burrocracia brasileira que enoja qualquer cidadão minimamente preparado pro mercado. É tudo uma grande piada que já conhecemos em todas as outras coisas.

Vamos deixar nossa incompetência de lado, porque essa todo mundo já conhece demais. Os estádios. Vamos voltar a eles. Os óbvios. A mesa do jantar. Aqueles que de tão óbvios, até o Brasil ia conseguir fazer. Pois é. Eis que o Brasil resolve fazer um amistoso. E chama logo uma das maiores seleções, de um dos países mais ricos e poderosos do planeta. A seleção de um dos mais organizados e competentes países. O país da pontualidade. A Inglaterra. O que acontece? O jogo é suspenso, quase na véspera, porque há o entendimento que o estádio não é seguro. Talvez porque os papéis não foram entregues a quem deviam ser. Talvez não esteja mesmo. O fato é que a coisa não saiu como devia. Não está liberado, não está OK, e a justiça foi lá e brecou o evento. Os ingleses já estão aí. Jornalistas do mundo inteiro estão chegando. E talvez não saia jogo. Já viramos piada. Já dizem por lá que fomos humilhados pela nossa própria incompetência. Já vamos ficar sob os olhares desconfiados do mundo inteiro, acerca da nossa capacidade de gerir uma copa do mundo de futebol.

É muita sacanagem. Mas precisa ser dita. Isso não é surpresa. É até óbvio, que não há essa capacidade. Porque a gente não consegue fazer coisa muito menor. Infinitamente menor. Tá fácil demais adivinhar  resultado disso tudo. É claro que esse jogo vai sair e tal. Mas o sinal já foi dado ao mundo. É assim que será. Aos trampos e barrancos, a copa vai sair. Mas não vamos passar ilesos. Passaremos vergonha. Seremos humilhados. Veremos nossa verdade nua e crua. Olharemos no espelho verde e amarelo, pra assistir o jogo da mais pura verdade, sobre nós mesmos.