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    Tenho alguns amigos que são verdadeiros amantes de viagens como eu. Alguns mais experientes e rodados. Um deles, talvez o mais experiente, me olhou com cara de espanto quando comentei que o Canadá era o próximo destino. Parte porque tenho optado por alguns destinos mais peculiares, parte porque ele nunca havia pensado no Canadá como um país de forte apelo turístico, com tantos destinos para se conhecer no mundo.

    Não sei se a minha percepção era tão parecida com essa. Mas certamente quando se fala em Toronto, não é o mesmo que falar de Roma ou Paris. O fato é que um país tão bem posicionado em tudo de bom que a civilização moderna tem, me chamou atenção. E foi se revelando mais surpreendente do que parecia, a medida que mostrava seu lado francês, lá em Montreal e Quebec City, na cosmopolita Toronto, e nas pequenas e deliciosas cidadelas como Niagara on the Lake.

    Quando ir ao Canadá é uma questão importante, bem importante e que depende do que se quer ver. Como todos sabem, o Canadá faz frio de verdade. Mesmo. De congelar tudo, mesmo. Como não sou muito fã de frio, optei por abrir mão das paisagens de tirar o fôlego de Quebec City na neve, e fui no verão deles, nosso inverno. Apesar de um ar fresco a noite, de dia passamos de 30 graus várias vezes. Quente de correr da rua. Eu diria que maio e início de nunho são bons. A primavera também é alucinante no Canadá, porque eles amam flores! Estão por toda parte. Além das árvores….

    Se optar por ir no inverno, leve alguma roupa de frio, mas compre lá o restante. Porque nossas roupas não seguram aquele frio. Algumas jaquetas vem com a etiqueta de frio e chuva que suportam -25 a -35, com 400 mm. Essa me chamou mais atenção. Que tal parece? O frio vai dificultar muito a circulação, então sugiro inverno para uma viagem mais curta e focada em Quebec City, ou Montreal. Para rodar mais, prefira a primavera ou verão.


    Para o transporte. Alugar carro é bacana, porque o trânsito deles é um dos mais civilizados que já vi. Mas em cidades enormes como Toronto e Montreal, ficar de carro não me parece bom negócio. Sempre acabo pegando o bus Hop On Hop Off. Usei carro de Toronto para as pequenas Niagara Falls e Niagara on the Lake, fazendo de trem as demais movimentações entre cidades, e taxi e bus turístico dentro das cidades. Muitas caminhadas também.

    Os hotéis, assim como a alimentação, não são baratos. Nada exorbitante também, mas não ficam entre os mais baratos. É um país de custo de vida elevado. Como sempre, optei por hotéis centrais. Alguns não oferecem café da manhã na reserva. Os serviços sempre foram ótimos. Nas cidades menores, eventualmente você pode ficar numa Guest House, principalmente se for a Niagara on the Lake.

    O turista lá é bem variado, mas naturalmente tem bastante americano, que só precisa atravessar a ponte. Das cidades que visitamos, e que são as principais fora Vancôver, o turismo fica bem diverso, algumas tem o turismo intimista e tranquilo, outras o batidão de caminhadas extensas e muitas edificações a ver. A natureza exuberante da Costa Oeste do Canadá ficou para a próxima trip.

    Nas grandes cidades, tudo é meio parecido hoje em dia. Grandes prédios, mais modernos nas partes nobres, tradicionais nas médias, existem casas muito bacanas nos bairros mais tradicionais e caros, ao melhor estilo inglês, também passamos por bairros menos favorecidos, sim, até lá isso existe, e eventualmente até algum morador de rua tinha. Alguns curiosos. Vi pelo menos 3 deles acampados nas calçadas de Toronto, mas com uma Harley estacionada na frente, com um mochilão de carga. Alguns nóias, mas nada que oferecesse qualquer ameaça.

    Nas cidades menores é aquela coisa de filme mesmo. Casarões sem nenhuma, mas nenhuma proteção, carros soltos por todo lugar, da via era direto grama de jardim e muitos janelões sem grade alguma mostrando total confiança de que por ali, nada acontece. Outro mundo. Quase outro planeta.

    Claro que algumas cidades tem um preparo turístico, obras de arte compondo com museus e lugares clássicos, mas aqui atrações bem cuidadas não significam nada no Canadá, porque absolutamente tudo é bem cuidado. Parece que foi tudo desenhado a mão pra ser um modelo pro resto do mundo.

    Alguns grandes castelos são hoje hotéis, nada muito novo em relação a europa, mas uma rede em especial, a Fairmont faz com seus hotéis estejam entre as principais atrações turísticas. Claro que aí estamos falando em valores um pouco mais salgados. Em alguns casos, bem mais salgados. As lembranças de  guerras, batalhas e fortes se fazem presentes e são tão preservadas que parecem funcionar de verdade. Estão por toda a parte.

    Nos próximos artigos falaremos de cada uma das cidades visitadas, suas particularidades, suas atrações e suas dicas. E ao contrário do que possa parecer, cada uma delas é bem diferente da outra. Mantendo, é claro, o alto nível do país. Bora nessa odisséia pelo país dos países!

    Imagens: Arquivo Pessoal.

    #NoFilter

    Ah, o Canadá! Um país de verdade! A ser usado como modelo, copiado, estudado… O Canadá é o país que imaginamos quando visualizamos tudo o que queríamos que o nosso fosse. Tais indo ao Canadá? Pois prepare-se. O choque será grande! Vive no Brasil? Prepare-se ainda mais, será humilhante ver como um país pode ser tão superior ao nosso em tanta coisa.

    Quando decidimos que o Canadá seria o próximo destino, foi pelas fotos da natureza, que sim, é uma das mais belas desse mundão. Que o tio google mostrou quando foram chamadas as imagens no buscador. A beleza natural do Canadá é chocante. Mas aí, quando comecei a estudar o possível roteiro e entender a geografia do país, a decisão rapidamente apareceu: O Canadá não pode ser visto em uma só viagem. São pelo menos duas, e bem diferentes.

    Em território é o segundo maior país do mundo, fica atrás apenas da Rússia. É quase um continente. Ao mesmo tempo sua população é relativamente pequena, frente ao território. 36 milhões. Um país tão gigantesco e tão perto do gelo acabou sendo construído ao longo da sua fronteira com os Estados Unidos. Simplesmente a maior fronteira terrestre do planeta. Tudo lá impressiona.

    Olhando o mapa, ele exigiu uma decisão: A viagem seria para Colúmbia Britânica e Alberta, onde fica a poderosa Vancôver e a região de Calgary, Banff, as montanhas e todas as imagens lindas que me convenceram que o Canadá era agora, ou para a região de Ontário e Quebec, onde ficam praticamente todas as demais cidades ultra conhecidas desse país que tem participação massiva entre as melhores cidades do mundo para se viver. Vancôver também é uma delas, claro, mas fica solitária a 5 mil quilômetros de Toronto, Quebec, da capital Ottawa e Montreal.

    Como foi a natureza que me levou ao Canadá, não sei explicar porque decidi que a primeira das duas viagens que julguei necessárias para conhecer esse super país, foi para a Ontário e Quebec. Aquelas coisas de ir se envolvendo com o roteiro e pronto. Então assim, foi estabelecido o roteiro: Toronto, Niagara Falls, Niagara on the Lake, Ottawa, Montreal, e Quebec City. Foram 25 dias, viajados de carro e majoritariamente de trem. O lado das montanhas ficou para uma próxima.

    A série de artigos sobre o país será longa, afinal de contas 25 dias é uma bela imersão, para um único país. Começaremos como usual falando no geral do país, em dois artigos, e depois abordando cidade por cidade. Agora então vamos falar desse país chocante!

    O Canadá se revele rapidamente. Não é um pais de segredos. Ele sai mostrando sua civilidade, educação, organização, limpeza, misturando o clássico com tudo o que a tecnologia pode oferecer. Desde os primeiros minutos, vocâ já sabe que chegou a um lugar bem diferente.

    Abrindo comparações, do que conheço, apenas a Áustria lembra um país tão de primeiro mundo como o Canadá. Alemanha? Não achei. Não como esse país. Austrália? Pode ser, não conheço, e é o outro país massivo nas melhores cidades do mundo para se viver. Alguns até dizem que a Austrália é um Canadá de clima ameno. Bom, apesar de distantes, a ascendência é parecida.

    Uma das coisas que chama atenção de imediato é que tudo é limpíssimo e organizado. É muito impressionante. As calçadas são impecáveis, as vias perfeitas. Os carros, em sua grande maioria super possantes e enormes parecem andar freiando seus potentes motores para rodar em uma velocidade educada. Para poder parar quando um bone pára no meio da rua e as pessoas descem sem preocupação alguma. Para atender aos pedestres e conviver em uma paz milagrosa com o trânsito em geral.

    Dependendo da cidade, a pluralidade é enorme. Em Toronto você parece ver mais imigrantes do que canadenses. Em verdade, todas as vezes que falava com alguém e comentava que a próxima cidade seria Niagara On the Lake (uma espécie de Gramado canadense), a resposta era sempre a mesma: Ah, então vão conhecer os canadenses!

    A nossa chegada foi justamente em Toronto, porque sempre prefiro chegar nas maiores cidades com mais energia. Alternar com pequenas cidades em que se possa desacelerar, e ir curtindo as diferenças de cada região do país. Não é um país barato. Não é. Acredito que sai mais caro rodar por lá do que a maioria dos paises europeus, por exemplo. Claro que não estou falando dos nórdicos, ou da Suíça. Mas da maioria deles, e dos mais visitados, sim. A alimentação não é barata, e confesso que achei meio limitada. É bem americana. Até o mercado é caro. Bom, eles ganham bem.

    Receptividade? A de um país plural. Educado, acostumado a receber. Que fomenta isso, inclusive. No mais, aquela estilo um pouco mais reservado do que estamos acostumados no Brasil. Na maioria do Brasil, pelo menos. Visto? Era necessário quando fomos, e não saiu barato. Hoje quem tem visto americano não precisa mais. Quem tem passaporte europeu também não precisa. No próximo artigo falaremos de quando ir, e das temperaturas…

    Imagens: Arquivo Pessoal (Salvo Mapa)

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