On ou Off?

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    Imprensa, ou prensa?

    “Em off é uma história, é uma lenda, essa coisa de off, que vocês aprendem na universidade que na vida real não funciona gente, não funciona, não pode ter off. Tem que ter on, tem que ter as pessoas falando e assinando embaixo. Isso aí é que ser homem, que é ser profissional”.

    Preciso confessar. Eu vinha resistindo em admitir o “fenômeno” Ronaldo no seleto grupo dos jogadores de futebol que, embora milionários, falem algo que faça sentido. O normal mesmo é só sair besteira. “O professor isso, o professor aquilo…”

    Não acompanho muito esse lado de notícias do futebol, não vejo entrevistas, até por não encontrar algo que se aproveite normalmente. Mas Ronaldo me surpreendeu em uma entrevista na semana passada. Provocado por um desses plantadores de discórdia que se intitulam jornalistas (ainda mais agora que não precisa canudo…) ele largou a pérola que abriu esse post. ” Tem que ter as pessoas falando e assinando embaixo. Isso aí é que é ser homem, que é ser profissional”. Mais um golaço de placa para o Gordo! Respeitei ainda mais Ronaldo Nazário, alvo constante de sensacionalismo, invasão de toda e qualquer privacidade (embora as vezes ele realmente planta para colher sozinho algumas patuscadas homéricas…).

    Enquanto isso, as flashes não páram. As notícias são instântaneas no mundo todo. Portais, blogs, twitter, redes sociais, e fotos, fotos, muitas fotos e vídeos. “Tá na capa da revista. Todo mundo é o alvo, ninguém está a salvo…” H. G.

    Hoje leio um artigo do Terra, que diz: “Mídia esgota ao máximo fascínio por Michael” (Jackson). E esgotou mesmo. Tudo bem, isso merece, essa cobertura é merecida por alguém de tal importância. Mas em que momento vamos começar a ver o sensacionalismo começar a atacar a imagem que queremos levar do ídolo? Ainda estou esperando, e creio que em breve vou ter que assistir a isso. A imprensa já vem a muito faltando com respeito a tudo. Baseado no papo barato de liberdade de imprensa, se aproveitando de um passado de censura, esse meio que deveria servir ao mundo só está interessado em encher os bolsos a qualquer custo. E com o poder que tem nas mãos, qualquer custo é algo que não pode ser admitido.

    Liberdade de imprensa? Ou abuso de imprensa? O que está faltando é um meio termo. Se existe algum controle, é censura. Se não existe controle nenhum vira abuso. E tem tido muito abuso. Não há respeito pelas individualidades, não há respeito pela privacidade, não há respeito por nada. Por um furo de notícia (que hoje não é apenas local, mas mundial) cada vez mais valorizado, os meios de comunicação são cada vez mais irresponsáveis. Seja através dos fotógrafos, dos repórtores, dos redatores, diretores… Não há limite algum para colocar uma notinha na capa de um portal de notícia. E sem limites, a liberdade pode ser mais perigosa do que a prisão. Quer imaginar isso? Retire as leis que regulam nosso convívio em sociedade, e assista a barbárie que o ser humano é capaz de estabelecer. Pois bem, as leis que regulam as notícias não estão funcionando, e estamos assistindo muitos episódios de barbárie na “imprensa livre”. Até onde é possível, ou razoável, a sociedade suportar?


    Flash livre ou algema no teclado?

    O desafio é achar o meio de campo nesse jogo perigoso.

    Uma questão de visão.

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    Ângulo de visão.

    A existência de uma teoria da relatividade, é um indício de que as coisas não são absolutas. Essa teoria tendo sendo criada e provada pelo gênio que foi, é um adicional ao indício. Tudo o que vemos, necessariamente vai ter sempre no mínimo dois lados, duas maneiras de ver, de perceber, de assimilar e concluir. As verdades são dependentes de como a história é contada, das condições de contorno, e acabam sempre ameaçadas pelas “meias verdades” ou informações parciais.

    A posição do observador é fator determinante do que ele vê. E de observador podemos entender não só a questão física, mas também a questão psicológica atua diretamente no resultado final percebido. No final das contas, boa parte do que vemos, é o que queremos ver. O que acabamos percebendo (e portanto, assimilando, já que a percepção está adiante da visão) está diretamente ligado aos nossos desejos ou medos. Sejam eles bons, ou não. Podemos perceber um otimismo que não existe em determinada situação. Ao mesmo tempo que podemos ficar criando monstros onde não existem, pelo simples fato de termos medos não resolvidos e não tratados como deveriam.

    Ao mesmo tempo que podemos colocar um capacete com uma super lente e não ver algo que está bem em frente do nosso nariz, podemos ver através de uma janela que nem mesmo existe. No fim, nossa mente acaba vendo o que lhe convém, seja para o mal, seja para o bem.

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