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Rio – 20

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De simples não tem nada, essa nossa questão de sustentabilidade. É meio que um paradoxo, uma batalha entre qualidade de vida e economia mundial. É hoje, e sempre será, um tema polêmico e sem consenso. Tudo isso porque é caro. Muito caro. O planeta certamente não será sustentável com a população que vem aí. Não será. Isso é tão óbvio quanto  a propriedade de o planeta se defender. E vai. Porque a natureza sempre foi perfeita, e de indefesa não tem nada. Nós, humanos, nos achamos mais importantes e mais dominantes no planeta do que realmente somos.

Ontem estava assistindo ao resultado dessa função toda, de Rio e 20 e tal, e fazendo minhas observações. Enquanto isso vi uma propaganda qualquer, que dizia mais ou menos assim: A natureza não sabe se defender, e nós, inteligentes somos os únicos que podemos salvá-la. Aí, não concordo. Não somos tão inteligentes, e muito menos tão poderosos a ponto de o planeta não saber se defender. É óbvio, é claro, que não estou falando que devemos deixar de lado a sustentabilidade, e continuar detonando o planeta loucamente como temos feito. Tem que cuidar, justamente para ele não “cuidar” da raça humana da maneira dele. Não é o planeta que depende de nós. Nós é que dependemos dele. Nós não precisamos salvar o planeta. Nós precisamos é nos salvar, salvando ele. Porque se a gente não salvar, ele se salva. Mas aí, não nos salva. Porque o tempo dele é diferente, a força dele é diferente, e se ele quiser, nós somos indiferentes. Um assoprão aqui, uma tremidinha ali, uma lava fervente acolá, uma gelinho derretido a mais do outro lado. Deu. Acabou. A raça humana vai ter que começar tudo de novo. Isso se Noé voltar e recolher alguns exemplares, senão…

É meio polêmico esse texto, eu sei. Mas realmente acho que só podemos acabar com o planeta explodindo todo nosso arsenal nuclear ao mesmo tempo. Fora isso, ele assopra a raça humana em segundos planetários (que podem significar milhares de anos), e fica novinho em folha, em outros segundos planetários. Então eu acredito que a questão é nos salvar. Mas aí voltamos ao ponto do custo disso tudo. Porque o preço é alto. Não adianta achar que separar latinhas de banana podre vai salvar o planeta. E luzes com timer e carros elétricos. É óbvio que tudo isso é necessário, mas também é óbvio que isso é a lasquinha da ponta do iceberg. A sustentabilidade real implica em amassar as super-economias até cansar. Implica em custos, prejuízos, em brecar o crescimento da indústria, em onerar e muito a nossa vida já bem cara. O bicho papão americano vem aqui e sai de fininho, de ladinho. Isso porque é movido a cocô de dinossauro queimado. O mundo queima petróleo assim como o mar é salgado. A indústria faz a maior meleca e a gente joga nossa sujeira toda na água. E isso é difícil de mexer. É preciso admitir que o preço é alto. Tem que ser feito, claro, mas é muito caro. E o mundo já anda sem dinheiro, pelado, pelado, nú com a mão no bolso. Então, quem quer gastar 30 bilhões em sustentabilidade? Os caras não conseguem nem manter em pé os próprios bancos! Azar deles. Precisa ser feito. Certo. Mas quem o fará?

Nem repassei ainda, mas sei que o texto não ficou lógico, foi e voltou, e abordou questões diferentes e iguais por ângulos diferentes e iguais ao mesmo tempo. Não foi de propósito, mas não será corrigido. Porque esse tema é assim mesmo. Um paradoxo confuso. Queremos proteger o planeta, mas na verdade precisamos proteger ele para que possamos viver nele. Senão, ele resolve o problema dele e nós ficamos do lado de fora da festa. Aí a população precisa de muito PIB pra crescer como está crescendo. Porque tem gente saindo pelo ladrão desse planeta. Vai faltar tudo, pra essa gente toda. Vai faltar comida, água, vai faltar lata de lixo, pra tanto consumo. O mundo pra manter essa população, precisa ser muito mais rico, mas ao mesmo tempo precisa que esse PIB não amole ainda mais a vida verde e azul do planeta. Então precisa pagar o alto preço da sustentabilidade. Precisa brecar produções, gastar em tecnologias, parar de pegar atalhos e queimar cocô de dinossauro pra movimentar nossas máquinas rudimentares. Sim, porque somos rudimentares demais ainda.

Então é muito lógico que os países ricos não queiram pagar a conta. Porque teriam que financiar a sustentabilidade dos países pobres, e pisar com toda força no ABS da economia deles. A conta é cara, mas também é clara. O presidente americano que topar isso, será crucificado depois, mesmo sem que o povo americano saiba porque está fazendo isso. Vai ser verde e pelado. Mas os presidentes sabem, porque já fizeram essa conta. E sem Estados Unidos, a coisa toda não anda. Porque além de mais rico, é o mais poluidor. Aí ficamos nessa. Só não dá pra se enganar, e achar que a coisa é simples, e que não se faz porque não se quer. Mas é necessário? Ah, isso é. Porque a única coisa que a gente ainda tenta se enganar, é que temos que salvar o planeta. Os únicos que correm riscos aqui, somos nós. Porque o planeta pode se congelar todo, ou se incendiar todo, que depois ele se arruma e volta todo novo em alguns segundos planetários. Só que aí, amigo, irmão, camarada, nós é que não estaremos mais aqui pra escrever a história. A não ser que Noé..

 

Vitória.

Não da guerra. Mas de uma importante batalha.

Esse foi um final de semana histórico no Rio de Janeiro. Hoje foi um marco, na história moderna do Rio. E o fator mais importante talvez nem tenha sido a ocupação do Complexo do Alemão em si, pelo menos não esse fator sozinho. A tomada do território dos traficantes, tido como o “coração do mal” na cidade, sem dúvida foi importantíssimo. Mas de igual importância também foi a virada que aconteceu no comportamento da população carioca. O apoio, a vontade com que a população aplaudiu, colaborou, a forma como a população do Rio comprou essa batalha.

O apoio da população na invasão e retomada dos territórios ocupados pelos traficantes ficou registrada, entre outros fatos, no disque denúncia, que nunca teve volume de ligações similares. E não só isso. A riqueza de detalhes fornecidas nas denúncias, o envolvimento do denunciante, e a preocupação com o desfecho do fato tornam a virada protagonizada pela força de segurança um fator preponderante na guerra contra o tráfico de drogas no Rio. Guerra contra o tráfico? Ou guerra contra as drogas? Essa é outra discussão. O que importa é que os cariocas querem seu território de volta, e agora, começam a tê-lo. O povo apoiou porque acreditou no poderio bélico apresentado, porque se sentiu seguro. Apoiou porque queria uma demonstração de força, porque queria acreditar que o Brasil é mais forte que os traficantes do Rio. Porque não aconteceu antes? Quem sabe. E quem sabe não fala. Mas aconteceu agora, e a população viu os traficantes fugir correndo, de chinelo e sem camisa, com tanques na sua cola.

A população apoiou, acreditou. E acreditou porque percebeu que desta vez era para valer. Desta vez, o governo não pediu licença para entrar na comunidade, não negociou muito. Né? Mandou a bandidagem sair, e depois, foi entrando, com tudo que tem direito. Com forças de Marinha, Exército, Aeronáutica, polícia federal, civil, militar e do temido BOPE, o Brasil recuperou um território tomado há anos pelo poder paralelo do tráfico, um aberração na mais bela e mais turística cidade brasileira. Foram 2.700 homens, 37 blindados, 9 helicópteros, e uma invasão tranquila, bem longe do que se poderia imaginar. Se teve algum acordo, conselho, mediação no meio disso tudo? Bom, a lógica diz que ninguém seria maluco de encarar tal poderia bélico morro acima. Mas quem sabe? E importa? Quase que não. O território está recuperado. Desta vez, ao contrário do que ONGs, e filósofos pseudo-intelectuais bunda branca gostariam, os tanques foram usados ao invés das rosas. E funcionou.

Mas essa é só uma das etapas, importante, mas inicial. Essencial, mas inicial. Tomar o território é o básico, mas implica em outras questões. Sabidamente, onde as UPPs já funcionam, as drogas continuam circulando, o que mudou foi o tráfico. Por isso a pergunta lá de cima: A guerra é contra as drogas, ou contra o tráfico como ele é? Bem, o problema maior, agora, é o tráfico como ele é. Então, vamos falar do tráfico como ele é. Depois de retomados os territórios (do Complexo, ainda faltam os outros…), agora é a hora de garantir que eles permaneçam fora do domínio do poder paralelo. Falando em paralelo, faço um paralelo dessa ocupação com a guerra do Iraque. Os EUA entraram com tudo, tomaram o território iraquiano. Mas a resistência continuava. Nas casas, nos becos, no escuro. Um tiro perdido, um soldado no chão. Essa segunda parte é mais dolorosa, é de paciência, como já adiantou um dos comandantes da operação. O território já está ganho, agora é preciso limpar os buracos do território.

Depois de ganho o território, é preciso encontrar os bandidos que não apareceram ainda, é preciso encontrar seus armamentos, é preciso apreender e prender. Aí é preciso que o judiciário não estrague o trabalho da polícia, como normalmente acaba fazendo. Lembram da principal prisão dessa operação? Toda a força de um país, e a principal prisão foi um bandido que estava preso, e foi solto, um assassino, torturador, que foi colocado em semi-aberto. Por quem? Quem foi o responsável por colocar de volta às ruas uma bandido como Zeu? Ninguém deu um nome, na imensa cobertura da imprensa. Quem foi o juiz que liberou? Quem foi o político que apresentou o projeto de lei que permitiu tal aberração? Quem assinou? Porque ninguém fornece essas informações? De nada adianta prender, se o presos não ficam onde devem. E se ficam, comandam tudo de dentro da prisão.

Sem dúvida que a operação foi importante. Foi mais que isso. Foi surpreendente, foi quase inacreditável, frente ao que temos visto nos últimos anos nos noticiários sobre o tráfico no Rio. Mas não pode parar em tomada de território. O caminho é longo, tortuoso, e o pior: Político e jurídico. Se nossas leis continuarem as mesmas, não há BOPE que dê jeito. Se a política não for mais cobrada, não há BOPE que dê jeito. Ou alguém tem dúvida que “Tropa de Elite 2″, o filme, tem mais verdade do que ficção? Ou só verdade. A primeira batalha está vencida, o primeiro e grande passo foi dado. Agora, enquanto os homens de preto, faca na caveira, continuam o heroico (sim, heroico) trabalho deles, cabe a todos nós, pressionar o congresso, pressionar os políticos, pressionar as leis bunda moles, porque do contrário, logo a piscina da foto estará cheia de novo. De cocaína e maconha.

Caveira.