Hipertensão teve muito de hiper. Hiper provas, hiper participantes, hiper comidas, hiper explosões, e teve um fato mais hiper ainda: Um vencedor hiper unânime. Isso sim, é o fato mais hiper de toda essa tensão. Praticamente todo o público do programa torcia, na grande final, pelo Toshi. O japa que entrou depois, mas entrou ganhando e apavorando. Enquanto o auto-declarado muito inteligente Marcos colocava seus amiguinhos de voto como escudo, e escapava praticamente de todas as provas de eliminação, Toshi ganhava, e com a Barbie Plim Plim Andressa, muitas provas e imunidades. Foi um jogo duríssimo para quase todos, e a final representou uma força de arquitetura BBB contra uma força de arquitetura Hipertensão. Foi a estratégia e articulação do Marcos, contra a fera calada Toshi. E foi assim que tudo aconteceu:
O Hipertensão
Dessa vez, ao contrário de No Limite, Bonifácio acertou na medida, e levou a cabo a proposta do programa. Sem ondas nem delongas, inundou o Reality de provas difíceis e as vezes até beirando o absurdo. Foram valentes os participantes, ou boa parte deles. A fórmula do reality permitiu que os bons de “briga’ não pudessem ser eliminados por estratégia BBB, como o No Limite permitiu e afundou. No Hiper, apesar de ter algum espaço para essa arquitetura BBB, usada e abusada pelo Marcos, um dia o confronto chegaria, e nenhum tenso foi eliminado sem pisar na bola em alguma prova. O tempero, a pitada de Hipertensão, funcionou.
Os Hipertensos
Quem imaginou mulheres frágeis, sem chance contra brutamontes e atletas, errou e quase errou feio. Não fosse a caída de moral da Nanda aos 44 do segundo tempo, teríamos uma guerreira presente na final e com boas condições de vencer. Até a Barbie Andressa provou sua valentia em provas dificílimas de eliminação, coisa que sua principal crítica Lorie não alcançou. Tivemos a bravíssima e efetiva Janine, o hipertenso Leo (a imagem do programa, se fosse para escolher um rosto representativo) e alguns outros como Danilo, que voltou depois, naquela votação meio assim, meio assado, que foi bacana mas ao mesmo tempo injusta com a poderosa Nanda. Foram bravos, os hipertensos.
A Final
Lucas, que se escondeu na sombra de escudeiro do Marcos, foi mais longe do que devia, talvez no lugar de Nanda, ou de Janine, mas perdeu na primeira prova da noite. E foi uma prova simples, praticamente de natação, que visivelmente tirava do circuito quem não sabia nadar. Lucas. Na segunda etapa, com a justiça que o programa merecia, Danilo que não deveria estar ali mais do que Janine, Leo ou Nanda, caiu em mais uma prova de água, que poderia ter também tirado Toshi. Lembram do hilicóptero? Pois é, e Marcos venceu mesmo essa segunda etapa.
Na final das finais, Bones não poderia ser mais Bones: Mandou a prova que ambos os competidores menos se sentiam a vontade. O velho e bom Bones, já antecipando o espírito com o qual irá preparar o BBB 11, colocou os finalistas dirigindo contra um dominó de carros “em pé”, prova meio que de coragem, meio que de sorte. Campeão também precisa de sorte, não é mesmo? É mesmo. Toshi. Campeão do Hipertensão, o Reality mais radical do Brasil foi vencido pela força que muitos não tiveram, pela concentração que Leo não teve, pela sorte que faltou para Janine, pelo foco que faltou na última hora para a Nanda e pela coragem que Marcos escondeu durante boa parte do jogo. Toshi levou os 500 mil mais difíceis da era dos realities até agora no Brasil, e deixou 20 para seu aviãozinho, sua mascote, que o detalhista e irreverente Bonifácio silenciosamente apelidou de Plim, Plim, na piscadela da moça, Andressa. Explode Toshi, porque a arquitetura para ganhar Hipertensão é hipertensão, e não BBB.
Hipertensão. Vitória unânime, justa, hiper, tensa.
Plim Plim.
Na Fazenda
E enquanto o Hipertensão encerrava as atividades, lá no sítio o Britto colocava o Tico Santa Cruz para fora. Dois famosos, de três eliminados. Dos três que poderiam fazer uso de sua fama anterior, frente aos demais anônimos, dois já caíram por não saber como lidar com sua fama. E não será assim que acontece aqui fora? Reality é real.
A saída de Tico Santa Cruz decorreu de uma participação desastrosa do cantor. Visto o elenco, parecia que a Fazenda 3 já tinha pelo menos um favorito, e era justamente o Santa Cruz. Tinha Mallandro, tinha Evans, e depois era um grande festival de anônimos ao grande público. Uns mais, outros menos, mas os três grandes, eram esses, e agora é somente um. E se Santa Cruz saiu por não saber jogar, justamente o contrário é o Mallandro. Como bem disse a comentarista Mônica mais cedo, malandro é malandro, mané é mané.
Santa Cruz saiu por fazer o Dourado, no contexto errado, no momento errado, no conceito errado, atropelando cachorro morto que acabou renascendo e tomando sua vitalidade, toda. E sai com 74%, sai para não deixar dúvidas, sai sem retorno nem depósito, por um festival de erros estratégicos de quem definitivamente não entrou no jogo. Mallandro dá aula. Como diria Jack, é a Ópera do Mallandro.
Hipertensão: Imagens Rede Globo de Televisão
A Fazenda: Imagens Rede Record de Televisão













