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Na Moral do Bial

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O conceito é fantástico. O formato provocativo. Bial manda muito bem. E as pautas, as pautas formam o conjunto ideal do Na Moral. Além do outdoor, foi ótimo assistir um Bial se buscar, se reencontrar, se resgatar. Porque um correspondente internacional tem carga, tem cultura. Porque um apresentador do fantástico tem prestígio com o público, tem força, tem o povo do seu lado. E no início do BBB tudo era desafio. Mas depois de tantos anos, pra um fortíssimo jornalista apresentar o BBB, um programa altamente rentável mas altamente criticado, ficou pouco. E aí parecia um Bial meio desconfortável, nos últimos tempos. Achando que podia dar mais. Querendo dar mais. E Bial parecia se sentir desprestigiado, e é um cara grande pra isso. Na Moral, bom pro Bial. Bom ter de volta o lado jornalista de um cara que sabe o que faz.

Porque essa coisa de cara de paisagem de hoje em dia, essa coisa de não se manifestar, ou se manifestar sem se indignar, e se necessário ir a luta e brigar, é que acaba com tudo nesse Brasil. As pessoas sabem das coisas, conhecem os fatos, e a ratalhada continua fazendo o que faz sem ninguém retalhar. Parece não correr sangue na veia das pessoas. Faz falta se indignar, sair da zona de conforto, se incomodar, se irritar, retalhar. E o conceito do Na Moral brinca com isso. Vai trabalhar assunto quente, que pega fogo. E gostei da atitude do Bial. Porque de bom apresentador tá cheio por aí. Mas apresentador que interage com convidado, a ponto de se mostrar incomodado, também é legal. Porque mostra atitude. Claro que precisa respeitar a opinião. Mas mostrar que gostou ou não gostou também pode. Enfim, a receita funcionou. Faltou tempo, sim. Foi muita coisa, sim. Dinâmico demais, beirando o superficial. Mas vamos apostar no início do jogo. A primeira receita. Porque se o programa aprofundar mais, melhor. Claro, não pode cair no programa de entrevistas comum, as vezes arrastado demais, porque o conceito é outro. Tem um ajuste de velocidade aí, de quantidade de assunto, pra ficar no meio termo. Mas pro piloto, foi bom.

Quatro convidados fizeram parte desse primeiro programa. Maria Paula, o filósofo Pondé, o jornalista Antônio Carlos Queiroz, e como DJ do programa Alexandre Pires. O mote do Pires era o clipe da música Kong, aquele, dos gorilas e popozudas que lhe rendeu muita dor de cabeça. Um dos muitos núcleos do programa foi esse. Pondé, Maria Paula e o Queiroz ficaram na questão do politicamente correto. Tema que é batido. Mas excelente. E é um porre essa coisa de politicar super corretamente ou ser banido. Já falamos sobre isso aqui, relacionado com o twitter, lá no Twitter Cop.

Pondé até não se mostrou muito, talvez tenha sido o mais apagado dos convidados. A questão pegou mais é pro Queiroz, autor do Guia do Politicamente Correto, que vamos combinar, é algo lamentável. Cada um escreve sobre o que quiser, claro. Aqui falamos de BBB, e muitas pessoas acham isso ridículo. Mas crítica a gente ouve, e também faz. E esse Guia, só tenho a criticar. Desde a primeira palavra do Queiroz no programa ele já parecia acelerado, esperando as alfinetadas. Que vieram, com um visivelmente incomodado (com o guia) Bial. Cansa, ter que cuidar do politicamente correto. Limita, empobrece. Não acrescenta nada. Claro que não estou pregando um faroeste de palavras de chumbo. Há de se ter bom senso. Mas não censura sob o manto do politicamente correto. Nenhum exagero é bom. Seja por atos de exagero, seja por doutrinas que tentam impedir exageros, e com isso limitam muito do que o mundo e as pessoas são. Nessa moda do politicamente correto, prefiro estar bem longe do desfile de coleções.

Somente esses assuntos já seriam suficientes para o curto tempo do programa, que também é tarde na grade de programação. Mas teve mais. Teve recriação de caso de assédio moral, e recriação do que poderia, mas não foi, um assédio sexual. Os temas poderiam ter gerado dois programas, até mais. Aí é que o programa falhou. Quis mostrar demais, e se arriscou no perigoso terreno da superficialidade. O assédio moral no trabalho foi uma história trágica. Já o assédio de chefe para estagiária, uma história com final feliz, de casamento e tudo. Contrapontos, que enganaram direitinho os convidados. Todos eles condenaram o chefe que convidou a estagiária para jantar, e depois tiveram que encarar o casal casado bem feliz na sua frente. Há que se saber então, que a vida precisa correr, e as vezes o juiz precisa deixar a bola rolar. Difícil saber quando e quanto. E por isso mesmo que até no futebol o juiz é a figura mais odiada e xingada do jogo. Hoje está muito fácil de julgar, criticar e condenar. O difícil mesmo, é acertar, quando se julga e se fala tanto. Quanto ao assédio moral, a palavra do estudioso foi que a onda estabilizou, já não é mais como antes, porém as pessoas são bem mais sensíveis nessa questão. Todos os temas foram bons. Batidos, mas polêmicos. Pena que foram jogados todos ao mesmo tempo. Precisa desacelerar um pouco, Bial.

Não só pela ligação/admiração que esse site tem pelo Bial, não só pelo Na Moral, mas pelo conjunto da obra, e principalmente pela proposta do programa, pela natureza, inquietude e provocação dos assuntos pautados, que anunciamos que a Artigolândia vai entrar junto nessa empreitada. Vamos acompanhar, repercutir, criticar e provocar Na Moral. Bora de novo Bial, bora discutir Na Moral!

Imagens: Rede Globo de Televisão.

 

Imprensa Vermelha

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A maré é vermelha.

Não importa a hora.

O hábito de ligar a TV ou rádio, e ficar a par do mundo logo cedo da manhã é algo que não encaixa no meu cotidiano. Mas esses dias aconteceu de ligar. Que horror. Alguém fez um assalto cinematográfico, alguém foi assassinado, alguém pulou da ponte, do prédio, ou da lua. Um carro bateu, uma moto levantou vôo, é sempre algo assim. É uma maré vermelha. Só desgraça. O mundo virou isso? Ou foi a nossa imprensa que passou de branca ou marron para vermelha? E não é só de manhã cedo. É em qualquer hora, em qualquer noticiário. Só que de manhã, né, a cabeça está vazia, e a receptividade é maior.

Saí correndo do quarto, meio vestido, meio não. Mas precisava desligar aquilo. Começar o dia com aquela enxurrada de desgraça? Não, obrigado. Prefiro a notícia virtual. Lá, clico onde eu quiser, no máximo o título me sobrecarrega. Aí pensei: Será que quero ficar alienado? Será que quero me esconder da verdade? Até fiquei em dúvida alguns segundos, mas então lembrei. Antes não era assim. Não tanto. É porque agora você não precisa mais buscar notíticas. Tem penca delas,  porque agora elas são mundiais. Agora elas chegam aos cachos, de todos os assuntos, de todos os lugares. É só escolher. É como deixar de fazer compras no supermecardo, e ir fazê-las no centro de distribiuição da rede. Tem tudo. E tem muito de tudo. Quer ver? Busca uma notícia qualquer, uma dos grandes portais. Aí copia parte do texto, e cola no super buscador, aquele, goograndão. E aí? Achou muita coisa né? Vários sites, vários jornais. Mesma notícia, algumas palavras diferentes, as vezes nem isso.

Então?

Então que tem notícia para todos os gostos, cores e tamanhos. Se aconteceu ontem, as 5 da manhã na Croácia, a hora que você acordar, pode ser até as 5:15, a notícia já está na sua frente. Te olhando, te esperando, tentando interagir com teu cérebro. Então que hoje nós temos todas as notícias. Todas do mundo inteiro, entende? Antes tinha as locais. E quando falo locais, falo da cidade mesmo, do estado. Pouco tempo atrás, até as nacionais tinham um certo delay. Agora nem as da China, do Japão, ou de qualquer outro recanto do mundo chegam atrasadas. Tudo chega na hora. Na mesma hora. E se as mídias “oficiais” seguram, por qualquer motivo que seja, o twitter fura, o facebook escancara. Não tem mais jeito.

Os poderosos donos de jornais? Já era. Lembra daquele filme, em que um poderosão do governo liga para o dono, ou até para o editor chefe de um jornal? “Segura isso, não pode publicar não, é segurança nacional. Te prometo uma exclusiva, um café, um furo…” Sim, são muitos os filmes. Porque acontecia de monte, né? Já era. A mídia social fura tudo, e todos. Poder da comunicação? Que nada. Todo mundo é escravo agora. Publica, e publica com diferencial, porque senão o piadista do twitter dá mais Ibope que o jornal todo. E aí? E aí que tem todas as notícias. Todas. Mas o que vai para o ar? As vermelhas.

Outro teste? Tá.

Seleciona um dia qualquer, mas um comum mesmo, em que nenhum príncipe case, ou o terrorista mais procurado do mundo não seja morto e jogado no mar. Aí, você varre todos os canais. Assiste todos os noticiários. Mas assiste com uma peneira. Pode ser colorida. Assim:

Se a notícia for boa, bacana, alegre, positiva, é verde.

Se for forçada, duvidosa, Ibopeira, é marrom.

Agora, se a notícia for ruim, terrível, triste, é vermelha.

No fim do dia, joga a aquarela no chão. O que aconteceu? Uma onda. Uma maré. Uma maré vermelha.

Ei imprensa. Tem todas notícias aí. Todas do mundo. Certeza que as pessoas só querem ver as vermelhas? Mesmo?

Ei pessoas, o que vocês querem ver? Porque né, eles colocam no ar o que dá Ibope. Né?

Bom dia Brasil.

Verde e Amarelo.