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O tempo é de guerra de tronos, eu sei. Mas não há como deixar de abrir uma fenda nesse universo alternativo, para observar a season finale de Fringe, o quarto. Desligado de spoilers, por fora de fofocas e desatento com novidades, dei play no episódio 4×19, dias atrás. Rodou 2 ou 3 minutos. Parei o vídeo. Conferi o número, voltei. Parei de novo. Internet. Pesquisa. Susto. Retorno ao episódio. Chocante, diferente, ao melhor estilo surpreendentemente Lost de ser. Tivesse Fringe flertado dessa maneira com a loucura tempos atrás, não teria voado em céus de pouca audiência, embora de muita complexidade. 19 marcou. Deu um tapa na mesmice, e acelerou o lento desenvolvimento da trama central que sempre ameaçou o seriado.

Desde a chamada de abertura, do primeiro segundo, já era possível saber que Fringe não seria para todos. Conceito complexo. História densa, mas lenta demais. Inteligente, mas para poucos. E quem conhece o mundo dos seriados, sabe que muitos dos melhores caminham por esses caminhos perigosos, de querer ser ótimo, e não acordar o grande público. E na reta final, na despedida da quarta temporada, a penúltima, Fringe acorda sua audiência e introduz um final épico para um seriado criativo e denso. Demorou para se mostrar, é verdade, remou em diversas temporadas, é verdade. Mas em sua essência, sempre foi uma estória para ser contada.

Assim como Lost, e trazendo vários ex-losties, por sinal, Fringe brinca com os bonzinhos que não são bonzinhos afinal. Gênios que mudam de lado, universos que saem do seu quadrado. E não poderia ser diferente: Uma série que passou toda sua existência sobrevivendo de testes, experiências, sombras do futuro, do passado, e do universo ao lado, só poderia ter uma linha final da maneira como foi pintada, abaixo.

Finalizada a ponte para a derradeira quinta temporada, Fringe agora entra em sono profundo aguardando seus 13 últimos episódios. Talvez no futuro, talvez no passado, perdida no tempo, mas com uma mensagem: Mesmo na estória, tanto fizemos, tanto destruímos, que talvez sejamos obrigados a roubar de nós mesmos, para sobreviver no nosso próprio quintal. Os observadores, assim como nossos velhos conhecidos  “Os Outros”, sempre estiveram em casa. Tudo, mais uma vez, era só um mero detalhe temporal.

They are coming. Or, the winter is coming, for Fringe.


J.J. Abrams.

Mais uma série genial passa pelas mãos criativas de J.J. Abrams, criador de Lost, Alias entre outros. Não tem como negar, e o próprio JJ já confessou: Fringe tem inspirações em X Files, e claro que em Lost também. Fringe é um drama focado em avanço tecnológico, chegando ao limite da nossa imaginação sobre avanço científico. Em Fringe a ciência busca o seu limite. Os 12 milhões de dolares gastos no episódio piloto deixam claro que a produção é muito bem feita, deixando com inveja grandes produções do cinema. A loirinha toda plugada abaixo é a agente Olivia Dunham, uma das personagens principais do elenco. Olivia é recrutada para um grupo muito especial de investigações, que acaba tendo como cérebro o ex-maluco Dr. Walter Bishop, o Einstein da nova geração que já foi colega de pesquisa do homem mais rico do mundo: Willian Bell. Willian é o dono da Massive Dynamic, empresa que está na ponta da tecnologia mundial. A grande sacadade Fringe é que o mundo se tornou o grande laboratório de experimentos de uma organização. Esses eventos são chamados de padrão, e claro que logo a Massive se torna suspeita… Cada episódio da série tem um caso específico com um início e um fim, mas é claro que JJ não ia nos decepcionar, e grandes mistérios vão sendo apresentados e explicados conforme a série transcorre. Bishop tem um filho, Peter, que necessariamente não é o filho original dele, já que no último episódio da primeira temporada… Mas como eu ia dizendo, o misterioso filho de Bishop é tão genial quanto o pai (seria um clone dele?) e também faz parte da equipe, que conta ainda com agentes do FBI que volta e meia são renovados, pois é difícil saber quem realmente não está contaminado…

Pessoas que explodem, teletransporte, universo paralelo, e um festival de alterações genéticas inundam o mundo de Fringe, fazendo desse seriado um prato cheio para quem gosta de tecnologia, ciência, e principalmente pra quem acredita que enquanto nos espantamos com a nitidez do google earth, existem organizações estudando coisas além da nossa pobre e leiga imaginação. Que tal um gás que se torna sólido e torna um onibus num imenso monobloco? Claro que cheio de pessoas dentro…Ou então um careca que está presente em todas as fotos e registros de grandes desastres ao longo do tempo? Um observador? E sempre com a mesma aparência! Em cada episódio uma experiência diferente, todas relacionadas ao trabalho desenvolvido pelo Bishop no tempo em que ele trabalhava com Willian Bell. Tudo sendo testado em pessoas comuns… E será mesmo que terá sido por acaso a escolha da bela agente Olivia? Ou ela também ganhou super poderes? “Precisamos tornar nossas crianças aptas à enfrentá-los, precisamos habilitá-las para o que está chegando, e assim elas nos protegerão do que está por vir…”

Fringe encerrou sua primeira temporada no vigésimo episódio, e já tem uma segunda temporada garantida. A cena final? Willian Bell, recebendo Olívia, nas torres gêmeas, enquanto um jornal sobre a mesa traz na capa: Obama inaugura a nova Casa Branca. Vai perder essa?

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