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A Fazenda do Daniel, a 3.

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Menos do que.


Normalmente, quando temos um evento como uma final, seja ela do que for, temos vários fatores em paralelo. Exemplo: Ciello ganhou mais um ouro na piscina. O normal seria iniciar um artigo sobre o assunto da seguinte forma: Mais do que ganhar a n-ésima medalha em sua carreira, Ciello segue levando no peito o Brasil dentro das piscinas, valorizando o sofrido esporte brasileiro e blá, blá, blá… Observe, mais do que. Até quando se perde, o mais do que aparece, com uma linha parecida. Na Fazenda 3, o mais meio que é menos. Não há mais nada para acrescentar na descrição da vitória do Daniel: Daniel venceu a Fazenda. Venceu, pronto. Venceu, ponto. Mais do que vencer o BBB 10, Dourado protagonizou a edição, com Dicesar no contra-ponto. Mais do que o sucesso da edição, o BBB 10 teve a maior votação da história de todos os realities do mundo. Mais do que. Não teve na final da Fazenda. Teve no programa, que superou sim as edições anteriores. Mas na final, nos participantes que fizeram a final, não.

É inegável que a edição foi boa por um bom tempo, teve uma série de ingredientes interessantes, teve sucesso em tentativas que outros gênios já falharam (como fazer os grupos funcionarem), e teve sim um bom elenco, que foi piorado e muito pelo próprio público e suas escolhas avessas. A fazenda tem melhorado em muitas coisas, mas quem manda mesmo nesse tipo de programa (considerando que o que é certo é certo. Certo?) é o público. E foi o público que varreu todos os geradores de diversão, confusão, tensão, tesão, enfim, foi decisão do público passar de um reality bombão para Spa Rural Itú 5 Estrelas. Então, o público construiu menos do que. Menos do que poderia gerar esse explosivo elenco, menos do que poderia ser uma final de verdade, menos do que, menos do que.

Menos do que a vitória, Daniel Bueno levou 2 milhões de reais para casa. Merecia? Talvez sim, talvez não. Cada um tem sua visão, opinião, e a defende como pode, ou consegue. O fato é que Daniel ganhou em um ambiente já sem graça, já sem embate, já sem debate, já sem nada, já menos do que. Lá no início do programa, a Artigolândia apostava em Tico e Mallandro como protagonistas. Menos do que errou. Tico protagonizou a primeira e grande confusão da casa, envolvendo questões mais amplas, misturando moral com jogo, e sabemos que em jogo, o blefe é permitido. Ou ninguém aí joga poker? Ou truco? Jogo é jogo, e reality é jogo que vale dinheiro. Você aposta sua imagem, e roda a roleta. Blefa, arquiteta, planeja, faz estratégia, ou não faz nada como estratégia. Tico exagerou cedo demais, e perdeu. Mallandro foi o protagonista das votações. Ele é que arquitetava o voto da casa toda. Criou e dirigiu o grupo que ditou as roças por muito tempo, já que os coelhos eram bichos soltos no campo, sem cabeça e com muitas orelhas, e as ovelhas expostas pelos excessos do Tico acabaram virando o alvo do Mallandro. Após a saída do Mallandro, Viola assumiu os votos, mas ainda seguindo a orientação do Mallandro. E na verdade, esse pode ter sido o grande erro do Mallandro, fixar um alvo e atirar nele sem parar, com justificativas que o público simplesmente não se convence nem aceita. Estratégia, estratégia. Maçante, sem graça, desgastante. Chato. A melhor estratégia é aquela que se esconde, que não se revela antes da hora, e que principalmente não se usa antes da hora. Caíram Tico e Mallandro.

Dudu, de tanto fazer besteira, chegou a ser perseguido, e claro, protegido. Mas era tanta besteira que o público não conseguiu ficar protegendo ele por mais tempo. E protegeu bastante tempo. Guri demais, bobo demais, sem noção demais. Aí veio a samambaia que pirou, Janaína, que poderia ter feito algo mais, que poderia ter chegado longe demais. Mas também se perdeu na própria estratégia que já dava pinta de funcionar, e caiu sozinha, quando já quase não havia como perder. Ou para quem perder. E tinha Luiza, que pintou o cabelo, mas não firmou. Carrasco sem perfil, lutou e jogou, mas cambaleou e tombou. Tinha Nany e Evans, divertidas demais, piradas demais, over demais, demais para o público. Um belo elenco, um elenco mais do que, que no final virou menos do que. E os demais, participaram, demais.

Menos do que, mais do que, o fato é que o galo preferiu Daniel. E Daniel venceu por vencer. Venceu porque os outros perderam. Venceu quem no final, se viu com concorrentes que não deveriam estar na final. Lisi, sem brilho, escondida, esquecida, caiu na final. E caiu da final, em terceiro lugar. Abreu  se manteve na mesma linha, com discursos, com moral, com papo muitas vezes chato, mas também sem ser o centro de nada com coisa nenhuma na edição. Abreu estava lá. Ponto. A final da fazenda deu a impressão de ser uma daquelas corridas malucas onde um tumulto na largada derruba os principais favoritos, e a turma do fundão chega onde não deveria chegar. Então restou Daniel, o modelo bonitão que começou mal, fez o sombra do Mallandro, depois do Viola, foi o camareiro da Carol, brigou com a Jana, para no final então… Chorar pela família perdida! E já que os adversários da final não tinham muito mais para mostrar, ficou Daniel para vencer, uma corrida que antes da largada, tinha tudo para ser diferente, para ser mais pegada. Foi uma corrida interessante e movimentada, para uma chegada menos do que… parada.

Fazenda 3, com o elenco que a Record fez mais do que, e o público resolveu reduzir a menos do que …  Daniel vencedor!

Imagens: Rede Record de Televisão

A Fazenda, A Final

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O último, antes do último.

A Fazenda 3 chega ao seu final com uma sensação diferente, diferente das demais edições de realities desse formato, de relacionamento. A Fazenda 3 chega ao seu final com uma sensação de banho maria, de quase indiferença, de já que está, que se vá. Para quem acompanhou a guerra (sim, guerra, com direito a tudo o que uma guerra tem direito) do BBB 10, os belos duelos e tensões do Lado B do BBB 9, e até mesmo as confusões até o final do jogo das outras fazendas, nessa final, ao invés de ataque de nervos e dedos cansados, o que parece é que teremos expectadores comendo pipoca tranquilamente, apenas assistindo. Até o Hipertensão que tem outra proposta, estava gerando mais expectativa e torcida do que a grande final da fazenda. Se isso aconteceu em função dos grupos, ou em função do público, que optou por retirar todos que faziam barulho, não se pode ter certeza. Talvez pelas duas coisas, talvez ainda com outros ingredientes, talvez. O fato é que temos uma final leite morno, para uma edição que começou como milk shake.

As Condições de Contorno:

Um fator que pode ser decisivo em um reality show é formação da final. Já ouve reality com final de duelo, a última dupla sobrevivente, e já teve muito reality com final tripla. Fico com a dupla, que não deixa dúvida. Mas acima de tudo, fico com a regra clara. Não anunciar antes, ou durante o programa como será a final, é deixar para a produção um coringa na última rodada. Fran e Max que o digam, quase derrotados pela malandragem do Boninho. O artifício da divisão de votos de participantes aliados pode ser fatal para um campeão, ou custar um merecido segundo lugar, né Fran? As vezes pode gerar um não merecido segundo, né Fernanda? Essa carta, na mão de produção, nunca agradou, e espero que no 11 ela não seja tão importante. Porque na Fazenda 3, talvez ela seja. Com dois avestruzes próximos, Daniel e Lisi, brigando com a ovelha sobrevivente, Abreu, este último leva vantagem, assim como Luiza saiu em desvantagem, provavelmente sendo também votada por quem sempre a protegeu. Sorte da Lisi, provável prejuízo ao Daniel.

O Raio X dos Finalistas:

Daniel, o Kadu que inverteu. Ex avestruz, ex parceiro de Viola, ex seguidor do voto em massa, da caça-ovelhas do Mallandro, dos flertes de colegial com a Carol “provoca e sai”, o modelo bonitão que não ia chegar, chegou. Não é o perfil de vencedor, mas conseguiu emplacar uma final, e em uma edição em que não restaram grandes protagonistas (nem pequenos), talvez exista uma chance, ou um segundo lugar. Nos últimos momentos do jogo, Daniel apostou no coitadismo, na ex-mulher e filho distantes, no quero ser feliz, no velho por favor me consigam 2 milhões para que eu compre a felicidade de volta. Pouco jogo, pouca atividade, nada de protagonista.

Lisi, que não havia figurado nas roças durante todo o programa, agora ganha uma série sequencial de Raio X, sem novidades tal e qual seu jogo. Jogo? Razoável visão, pouca ação, e por final, uma restante reclusão. Lisi chegou, olhou, pensou, mas não jogou. Tirando uma ou outra jogada, nada protagonizou. Esquecida ficou, e teve seu mérito em se manter fora da mira, fora das roças, e fora da maioria das polêmicos. Méritos? No geral, quem não é visto, não é lembrado. E na final, é bom lembrar, o voto, é no lembrado, e não no esquecido. Se manter fora de tudo, ajuda a não receber voto de rejeição, o normal da eliminação. Porém, na final, quem virou samambaia, fica sem o milhão no bolso da saia.

Abreu, o ator mais conhecido da edição, que pouco mudou sua estratégia (ou a falta dela) durante todo o jogo, chegou na final depois de muitas roças. Ovelha amplamente roçada, seguiu praticamente toda a edição usando discurso pronto, sem confrontos diretos, e batendo na tecla da perseguição aos ovelhas. No pós grupos, não fez mais do que administrar uma confiança que crescia a cada retorno de roça, e chega na final confiante e dono da razão, exatamente como quando entrou no programa. Dos três finalistas, foi o que menos alterou o modos operandi, e parece ser o único com uma torcida um pouco mais organizada. Tem aquele jeitão meio prepotentão, mas dos 3 finalistas, ainda foi o que mais apareceu. Apareceu, mas não protagonizou, se levar a taça, vai ser por ator coadjuvante.

O Resumo da Ópera:

Compilando ovelhas, avestruzes e cinzas de coelhos, salgando, untando com margarina, temperando com caldo de galinha caipira, batendo no liquidificador, e servindo em banho maria, essa final tende a ficar polarizada entre os meninos. As meninas, que até a pouco pareciam estar se encaminhando para um bom resultado, ficaram representadas por uma participante apagada, e devem amargurar um doloroso terceiro lugar. A briga, deve ficar entre o galã de novela, e o modelo bonitão, contrariando a lógica do reality “concorrente”. Se é que se pode comparar BBB e Fazenda. Não. Mas é o que se apresenta, e se a dificuldade extra do Daniel, em ter uma participante aliada na final dividindo voto, vai decidir ou não, talvez seja a grande questão. Abreu é o que é, e foi o que sempre foi. Quem gostou, nunca desgostou, quem não gostou, nunca mais simpatizou. Daniel mudou, na era pós Viola se reinventou, e sobre mulher e filhos, se debruçou e chorou. O duelo final fica entre o coitadismo do quero ser feliz, versus a estratégia de não ter estratégia, o jogo do anti-jogo. Uma final até pobre, para um jogo que foi rico em brigas e discussões, mas sem grandes jogadas e jogadores. Um final sem emoção.

Deixando BBB e suas jogadas e jogadores para depois, e voltando para a Fazenda, simplificando o simples, trazendo a lógica do lógico, depois do ator Dado, da atriz Karina, deve vir mesmo, o ator Abreu. Na fazenda, o gato não comeu, nem surpreendeu. Ou surpreendeu?

Imagens: Rede Record de Televisão
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