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    A Flauta da Bola

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    A flauta é um instrumento musical de sopro formado por um tubo oco com orifícios. Bastante antigo, a execução de tal instrumento consiste no ato de soprar o interior do tubo ao mesmo tempo em que se tapam e/ou destapam os orifícios com os dedos.

    Fonte: Wikipedia

    No futebol, flauta é também um instrumento muito antigo. Antigo, e poderoso. Muito poderoso. Lembro da flauta, lá dos tempos do 302, o clássico apartamento onde tudo começou na Capitolândia. Futebolisticamente falando, eram tempos tricolores aqueles, eram tempos de Felipão se inventando, tempos de vencer todos os jogos, tempos de amassar a seleção do Palmeiras, tempos de levantar as taças, tempos de Libertadores, era, mais precisamente, 1995.

    Eram tempos azuis, mas também eram tempos laranjas, tempos holandeses, eram tempos de Ajax há anos sem perder, eram tempos de Ajax sendo praticamente a seleção da Holanda. Então chegou a hora, chegou Tóquio, e então chegou a temporada das flautas. Rivarola expulso, 0 x 0 em tempo normal, 0 x 0 na prorrogação, e chegou a temporada dos pênaltis. Só quem passou lembra, só quem assistiu sabe, só quem chorou nunca esqueceu. Foi a maior sinfonia de flautas da história de Porto Alegre. Foi uma invasão de flautas. Antigas, modernas, automáticas, a Holanda praticamente se mudou para o Brasil. Se via mais camisetas do Ajax na capital gaúcha, do que gaúchos na rua. O Inter desbotou, e virou laranja. Na aula, frascos dos produtos de limpeza Ajax se faziam presentes em todas as salas, em todos os andares. Claro, volta e meia algum flauteador acabava sendo obrigado a beber o líquido que tanto idolatrava, justo. Mas o fato é que foi a maior de todas as flautas. Os foguetes não cessavam, dia, noite, madrugada, dia sim, dia também. Foi a flauta do século. Só quem viveu sabe. Só quem chorou nunca esqueceu.

    Lembro perfeitamente quando saí de casa, algumas horas após o jogo, enrolado na bandeira tricolor, mão enfaixada (sim, um armário destruiu ela), acompanhando meu primo rumo a casa de outro amigo, atravessando a praça da matriz. Na primeira visão exterior do dia (o jogo era pela manhã, cedo), um colorado caminhava, leve, com a camisa do Ajax vestida. Sorte, dele, estar do outro lado da rua. Sorte, dele, perceber a fúria que tomava conta dos gremistas arrasados do outro lado da rua. Sorte, dele, que conseguiu sumir na quadra sem esboçar uma reação sequer, sem mexer um músculo sequer. Azar nosso, que ainda iríamos sofrer a maior flauta de toda a história.

    Lembro perfeitamente quando meu outro primo, terceiro morador do 302, o Vanzolin, chegou em casa, com dois frascos de Ajax, urrando pelo apartamento. E ele nunca havia ido ao Beira Rio. Não sabia o nome de mais de um jogador colorado. Mas tocar flauta, ele sabia. Ah sabia. E tocava, dia e noite ele tocava. Inconsolável era o momento. Lembro das horas que não conseguia sair do quarto, lembro da vizinhança tentando me arrastar de lá, lembro das parcerias árabes inventando que no ano que vem teria mais. Mas lembro mesmo da flauta. A flauta, é um instrumento muito forte no futebol. Não se pode esquecer da flauta.

    É, então o mundo, que é redondo (e azul) girou, e agora, o Mazembe soprou o interior do tubo colorado, tapando e destapando os orifícios com a chuteira, fazendo 2×0, e nem levando o título, porque ainda era semi-final. 15 anos depois da maior flauta da história de Porto Alegre, 15 anos após a flauta tocada por um dos lados de uma das maiores rivalidades do futebol mundial, é chegado o momento de pagar. E pagar caro, e pagar não apenas perdendo uma final de mundial, que é normal, porque quando um ganha, o outro perde. É pagar nem indo para a final, é pagar picando de bunda no jogo de aquecimento. É pagar, a flauta de 15 anos, a flauta que já debutava, é pagar, na mesma moeda, a maior flauta do estado.

    Flauta é assim, um dia cá, outro lá. A maior das flautas, pela lei da física, já que veio, um dia iria voltar. E voltou. Bundando no gramado de Abu Dhabi.

    Eu sabia, naquele dia fatídico de 95, que embora o Inter precisasse ser campeão da Libertadores para isso, mesmo assim, eu gostaria, queria, devolver aquela flauta…



    Comemoração do Goleiro Kidiaba, do Mazembe
    

    Marmelada veloz

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    Nós somos brasileiros. Moramos no Brasil. Somos calejados, doutrinados, somos mesmo acostumados com essa doce especiaria regional portuguesa. A mais famosa vem de Odivelas, cidadezinha próxima a Lisboa. A marmelada é um puré de marmelo (abaixo) cozido com açucar em partes iguais. Portanto, muito, mas muito doce. Brasileiro gosta de doce. Gosta muito. Por aqui, quem se encarrega de produzir nossa marmelada são os goianos. É lá da Cidade Ocidental e de Luziânia que vem nossa marmelada. Branca ou vermelha, a marmelada faz parte do dia a dia aqui no nosso belo e cheio de frutas Brasil.

    Mas como nosso país é um dos mais criativos de mundo, e outras coisinhas mais, a marmelada no Brasil tem outras muitas fontes. Brasília, por exemplo, não cultiva a fruta mas é uma das maiores produtoras mundiais de marmelada. Inclusive pizza de marmelada é bem comum por lá, em certos estabelecimentos. Mas não fica restrito a capital nacional não. Praticamente toda a cidade tem um grupo de pessoas que trabalha com marmelada. Então estamos bem acostumados. O Brasil tem algumas atividades esportivas que até vai bem. Vai bem sim. Algumas até domina. Mas também nesse assunto de certa forma estamos acostumados a apreciar o doce português. Principalmente no esporte nacional, regido por uma entidade sediada lá no Rio dos Janeiros. Então que o torcedor assiste aos jogos tomando sua cervejinha e comendo marmelada sentadinho no sofá. Até aí tudo normal.

    Mas tem alguns esportes que são mais individuais, regidos por entidades internacionais e tudo mais. E tem brasileiros que são, e principalmente que foram realmente ícones mundiais. E lá vem a Fórmula 1, a mais importante modalidade mundial de velocidade. Por lá o Brasil já foi muito importante. Hoje é menos, bem menos. Mas continua presente mantendo alguma posição. O grande problema é que somos viciados em marmelo. Então um dos nossos pilotos que nem chega a ser importante, mas é filho de um dos mais importantes pilotos brasileiros e do mundo, resolve participar de uma marmelada veloz. Bateu, de propósito, seu carrinho em uma curva. Por ordem da equipe, que queria o safety car na pista. É claro que o círculo da F1 não tem só bobos, então logo começaram a perceber e comentar que aquele acidente estava estranho, e nosso marmelão abriu a boca, explodiu a equipe dele, e ainda saiu com um acordo de que não seria punido.

    Alô Nelsinho, marmelada na F1, por favor, que mal gosto! Escolha outra especiaria… Vá produzir champanhe como seu pai, não marmelo…

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