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Lá vinha o Brasil, surfando tranquilo em altas ondas do bom momento mundial. Vários anos de crescimento, boas expectativas, exportações em alta, mercado imobiliário em ebulição histórica, tudo azul no país Verde e Amarelo. Todos felizes, cheios de glórias, clima de segurança total! A confiança era tanta, que o número de investidores na bolsa de valores (investimento de risco) crescia como nunca no país. Mas como o mundo é redondo, dá voltas, e tudo aqui é cíclico… Boom! Estourou a bolha.

No início não se sabia o tamanho do rombo. Mas as instituições atingidas sugeriam que não era brincadeira de peixe pequeno. Grandes bancos americanos (em especial os bancos de investimento) intoxicados por títulos podres, baseados em empréstimos hipotecários de alto risco que dificilmente serão pagos, sendo vendidos ou perdendo o controle. Gigantes do ramo imobiliário americano começaram a ruir. Fannie Mae e Freddie Mac ficaram a beira do abismo. Imediatamente foram arrastados bancos de nível mundial por todo o planeta. A europa, mais frágil do que se pensava, caiu rápido. Japão também. GM, Chrysler, AIG, e outros gigantes com baixa liquidez foram instantaneamente ameaçadas pela retração avassaladora no crédito mundial. Elas e toda sua poderosa cadeia, evidentemente. Já era fato consumado então, a maior crise mundial desde 1929. A família americana abarrotada de cartões de créditos, dívidas e sem poupança sinalizava que o problema não era apenas das grandes corporações. Os abonados executivos de Wall Street antes aclamados, agora eram caçados e demitidos. O mundo todo trancava o dinheiro para saber o quanto realmente tinha no cofre. As bolsas foram ao chão. Os governos anunciaram planos bilionários de ajuda às empresas mais afetadas, e o pânico estava totalmente estabelecido nos meses de agosto e setembro de 2008, auge da crise. O ouro explodiu. O ouro, que não é investimento, é proteção ao patrimônio. O mundo então voltava os olhos para os BRICs, enquanto curiosamente o dolar americano, epicentro da crise, valorizava.

BRIC é a sigla criada por um economista do Goldman Sachs que designa os quatro principais países emergentes do mundo: Brasil, Rússia, Índia e China. Os gigantes em tamanho e população que de uma hora para outra se tornaram o último pilar seguro do planeta. No início se previa que eram os únicos a continuar crescendo. Mas aos poucos esses países vão entendendo que nem eles escaparão da recessão.
Então chegamos ao Brasil. Nosso presidente falava em marolas, autoridades governamentais elogiavam a força do Brasil e sua blindagem. Mas o discurso otimista não se sustentou. A Bovespa seguiu o caminho das bolsas mundiais e beijou a lona, apavorando investidores e empresas. As multinacionais barraram imediatamente investimentos, e logo começaram a demitir. As grandes empresas se preparavam para sobreviver à crise, cortando na carne, encolhendo. De qualquer forma, os BRICs se comportam até o momento muito melhor que a tendência mundial, a China deve crescer, e o Brasil deve ficar do mesmo tamanho, ou muito próximo disso.

O governo segue mantendo um discurso sempre um pouco mais otimista do que a maioria dos economistas, e tem tomado algumas medidas tentando impedir a queda do consumo. Tirou IPI sobre veículos (uma das cadeias mais afetadas pela crise, e representa quase 25% do PIB industrial brasileiro), sobre alguns eletrodomésticos e deve baixar o rendimento da poupança. Tudo para fazer o dinheiro Verde e Amarelo circular.

E nas ruas, o que acontece? De fato a redução do IPI dos veículos zero Km gerou um fenômeno no mínimo curioso. Mundo em crise, desemprego aumentando, e as concessionárias de veículos novos com filas de espera para alguns modelos. Filas nos populares, ruas cheias de camionetes luxuosas, provocando a tendência mundial. Agora resta a dúvida, está sobrando dinheiro no bolso do brasileiro, ou a empolgação venceu o conservadorismo que nos manteve a salvo da crise antes, e estamos, agora, comprando apartamentos acima do valor de mercado (financiados…), colocando mais carros nas ruas com financiamento a perder de vista, exatamente como fez o americano alguns anos atrás…

Ciclo?

Boa sorte Brasil, de Verde e Amarelo.

O Brasil a Ferro e Fogo.

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É ferro. É fogo.

É básico. Todos sabem. Ninguém poda um arbusto indesejável em um jardim. Arranca-se ele com sua raiz, inteirinha. De nada adianta cortar uma folha ou outra, se é da raiz que ele renascerá.

Vejamos a crise das crises no nosso país. Alavancada pelos políticos que se tornaram os donos do poder justamente por passar a vida toda afirmando ser imunes as velhas práticas políticas eleitoreiras e governistas. Quanto mais folhas são arrancadas, mais se percebe o quão profundas são as raízes.

Mas o que se faz com essas raízes?

Quem já fez campanha algum dia em pequenas cidades pode ver mais de perto porque as coisas são assim. Com certeza já ouviu: “ Tudo bem, teu candidato é simpático, gosto dele, mas o que eu ganho com esse voto? Amanhã é domingo e ainda não tenho carne pro churrasco! Nem fiz o rancho do mês! Estou com a conta de luz atrasada! Ah sim doutor, eu troco o cartaz do outro candidato lá da porta da frente, mas tem que valer a pena né…”

Muitas vezes a mesma mão que bate é a mão que alimenta. Em muitos setores. Na política não é diferente. Quem é culpado, o político que arrecada fundos e costura manobras ou alguns eleitores que “trocam” seu voto?

Os dois. Os dois lados. Dois de dois, ou seja, todos. Não todos os componentes de cada lado, mas alguns. Alguns de ambos os lados. Culpados por corromper. Culpados por serem corrompidos. E ainda, os culpados por saber, e nada fazer.

A corrupção é a violência dos poderosos. O motivo pelo qual um político usa seu poder para outros fins que não o de trabalhar para o povo é o mesmo que leva um assaltante a puxar o gatilho por um tênis falsificado: A impunidade. Essa é a palavra chave para o Brasil.

O ser humano não é perfeito, está muito longe disso. É fraco, é suscetível, é “negociável”, “ajustável”, tem seu limite, e muitos seu preço. Alguns bem baratos, como promoção de final de feira. Claro que existem exceções, mas nem da pra saber se as exceções são os corretos ou os incorretos. Pode-se deduzir, mas não saber. O homem pode sucumbir. Uns menos, outros mais, outros ainda muito mais. Mas o que define mesmo isso é a impunidade. Se quem tem a tendência, e percebe a oportunidade, e sabe que nada acontecerá depois, fará. Se temer o que acontecerá depois, no mínimo pensará.

Mesmo nossas leis velhas, antiquadas e muitas vezes até ridículas precisam ser cumpridas. Mas quem manda nelas? Judiciário. Lindo, cheio de concursos, muito estudo e… Independência? Não. As autoridades máximas do judiciário são, (PASMEM!) escolhidas pelo presidente da república.
Ora. Vamos recapitular. Temos três poderes.O executivo, na figura do presidente. O legislativo, nas figuras dos senhores “com anel de doutor” (segundo definição da nossa atual autoridade máxima executiva), e o judiciário.
O legislativo está ao lado do executivo. Negociando, aprovando, trancando, articulando, as vezes sem mesada, as vezes com. Mas sempre ganhando alguma coisa para direcionar seu voto. Seja ilegalmente, seja “legalmente”, com aprovação de seu projeto, liberação de verba para sua região… Por que afinal de contas, sua região que o coloca lá! Como então liberar verbas e aprovar projetos que beneficiem seus eleitores, se volta e meia não aceitar uma barganha do executivo, necessitado de seu voto para suas aprovações… Há independência entre legislativo e executivo? Nem de longe.
Ah, mas o judiciário é independente, os caras nem negociam com os outros poderes! Sim. Seria ótimo. Se o poder judiciário não tivesse como comandantes ministros. Ministros, escolhidos pelo presidente da república. Opa! Como assim? Assim mesmo. O poder judiciário tem como chefes, pessoas indicadas pelo executivo. Independência? Rá, rá, rá.
Vivemos numa monarquia democrática, mas ninguém nos avisou… E o pior, nossos comandantes há muito não se perguntam: “Que rei sou eu?”.

O Brasil precisa de ferro e fogo!
Todos precisam saber que se não andarem na linha, a linha os cortará.

Ninguém vai querer superfaturar uma obra pública, sabendo que na cadeia não se pode comprar nem uma pizza! Pizzas! O prato preferido dos três poderes. Opa, três? Ou um?
O cinto de segurança existe há muito. Mas só começou a salvar vidas quando teve custo pra quem não usasse. Quem sabe as leis não começam a ser cumpridas, caso se tenha certeza do custo de ignorá-las!

É possível acabar com a corrupção?
Não!
Sempre haverá. É a natureza humana em exercício. Mas podemos suportá-las em níveis “aceitáveis”, banindo um ou outro que se aventura.
Como?
Punindo, prendendo, banindo da política. Arrumando as leis que mandam prender sem fiança quem mata um passarinho a bodocadas e que soltam assassinos condenados em meia dúzia de anos. Quando são presos.
E o povo aquele que troca churrasco por voto, deveria saber, quanto custa ao país, que é dele, aquela carninha de domingo…

Por que da maneira que estamos, logo, logo quem não vai aceitar as pessoas de bem, moralistas chatos e corretos, são os corruptos, covardes e ladrões!

Brasil?
Sim, mas só a Ferro e Fogo!

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