
“noites que passaram
noites que virão
noites que passamos
lado a lado em solidão
noites de verão
noites que viramos
esperando o sol nascer
esperando amanhecer
recomeça tudo lá fora
nas esquinas, nas escolas
um litro de leite
meio quilo de pão
recomeça tudo lá fora
neguinho da Zero Hora
vende manchetes
quinze pr’as sete da manhã
nada diferente
chegamos finalmente
ao dia de amanhã…”
(Engenheiros do Hawai)
BBB?
Big Brother Brasil, o décimo primeiro. Mais uma maratona chega ao fim, mais três longos meses de dedicação, de paixão, de vício. Por que não? Então entramos em novo período de gestação. São nove meses de espera, de expectativa, de reabilitação.
Tem gente que é viciado em beber, tem gente que é viciado em fumar, tem gente que é viciado em se drogar, tem gente que é viciado em jogar. Nós, só somos viciados em BBB. Por que não?
Tem filósofos, intelectuais, cultos e bem sucedidos, que nos chamam de fúteis, tem gente que diz que quem assiste BBB é ignorante, que deveríamos ler mais, discutir algo importante, tem gente que apenas zomba silenciosamente de nós. E daí, se gostamos de pessoas, de ver, entender, criticar, adorar, amar ou odiar atitudes, personagens, jogadas, de rir da comédia da vida privada. Opa, não é privada. Essa é a graça. É o laboratório BBB. Tem algo mais difícil de entender do que o ser humano? Deixa-me ser BBB! Por que não? “A propósito, …

O décimo primeiro, pelo professor Bial.
“Não vejo máscaras em vocês. Vi rótulos, estereótipos: bicha, sapa, piranha, mané. Julgamentos apressados e descuidados se revelaram frágeis. Com o passar dos meses, os estereótipos viraram pó. Pó não, reconhecimento e encantamento. Jogar bem é se jogar! Alguns participantes carregam o programa nas costas. Tem gente inteligente que não sabe ser feliz, e tem gente que sabe viver. Os protagonistas desta edição que mantiveram a chama acesa foram Daniel e Maria. Aplausos, por favor”
“Jogar bem é se jogar. Em terceiro lugar, vou chamar um dos protagonistas, nosso impagável Daniel”

Bial feliz, realizando um sonho, emocionado, quase chorando.
“Ah, Maria, você encantou o Brasil, com sua doçura, sua verdade. Ah, Wesley, você também nos encantou, por ser bem educado e carinhoso. Doutor, você que queimou tanta pestana nos livros de medicina, foi preciso trancar o senhor numa casa estranha pra lhe aplicar uma sova de vida. Entrou cheirando a leite; sai com perfume de Maria. Você nem sabe o quanto se transformou, doutor. Você não é mais o mesmo”

“O fato das coisas não mudarem há muito tempo não quer dizer que elas sejam imutáveis”
“A propósito, quem é burro mesmo?”
“Até que chega uma mulher, uma linda mulher, que atrai os homens e intriga as mulheres. Uma mulher que afaga na cara das mulheres tudo que elas detestam ser, ter sido ou vir a ser de novo por alguma circunstância. Vem então essa boneca de pano com um sorriso, ou feitiço? E com esse tal sorriso e com suas lágrimas, valei-me, ela não apenas sorriu, não apenas chorou.”
“A ela, a única Maria do mundo!”
Maria.
Aos Costumes!
Não havia. Já faz algum tempo que não havia mais como Maria perder. Desde que Wesley entrou, Maurício voltou, e Maria se tornou a atriz principal da novela de número 11. Todas as luzes do palco iluminavam Maria, alguns foquinhos acompanhavam Daniel, e luzes negras pairavam sobre os Cuecas Rosas.
Maria foi a protagonista de uma edição sem protagonistas. Boninho no BBB 9 entendeu, e nós só entendemos agora, o que Boninho entendeu no 9, com Pri, Fran e Max. No 10 o velho sonho foi adiado, em função de uma idéia brilhante que fez a edição mais impactante da história, com Dourado e Dicesar protagonizando a batalha mais épica dos realities do mundo todo. 150 milhões de votos comprovam isso. A matemática é absoluta e indiscutível.
“O fato das coisas não mudarem há muito tempo não quer dizer que elas sejam imutáveis”
Então no 11 o velho sonho de conduzir uma mulher ao prêmio foi retomado, e realizado. No 11 Boninho lembrou que a única maneira de uma mulher vencer, seria ela não servir de escada para protagonista algum. E assim fez-se o 11. Com o alto de custo de não ter protagonistas naturais, a edição se encarregou de iluminar o caminho de uma mulher de sorriso fácil, carisma gratuito, e que viveu intensamente o BBB. Muito se pode falar de Maria, mas não se pode negar que ela viveu fácil esses três meses dentro da casa. Maria fez e aconteceu, e acabou que venceu.
Muitos ficaram pelo caminho, mas eram muitos que também não mereciam a vitória. O 11, o BBB do medo (né Bial?), o BBB dos aspirantes, dos Cuecas e Calcinhas (né Bial?) chegou ao seu final sem unanimidade, com a sensação de que qualquer que fosse o vencedor, ele não seria merecedor. Isso quando comparados a outros campeões, a outras edições. Mas essa é a 11, e alguém do 11 precisava vencer. E venceu o sorriso fácil, a mulher que se jogou, que se humilhou, que ficou com dois participantes, que se arriscou, e no final chegou.

Maria não jogou? Ah jogou. Jogou-se, mas também jogou. E como jogou. E jogou para dentro, e para fora. Maria foi apenas para um paredão, no início do programa. E qual é o objetivo de quem joga para dentro? Pois é, não ir ao paredão. Mas sem pânico, sem desespero, sem mostrar o medo, sem estragar o jogo para fora. Maria jogou para fora? Seu carisma jogou, seu sorriso fácil jogou. Maria fez o que poucos conseguem, e talvez tenha feito sem querer. Como flertou um ligado Maurício Ricardo, “Real, ou não?” Um personagem foi construído, uma novela foi criada, Maria e seus dois maridos. Dá para negar que Maria observava as câmeras muitas vezes durante seus números? Não dá. É só olhar com atenção.
Maria fez fortes alianças, Maria teve poucas desavenças que gerassem voto, Maria apesar de sempre comentada, em paredão nunca era lembrada. Maria construiu um personagem, bem ou mal, chamou para si os holofotes, e proporcionou à edição a escolha de seu jargão. O Lado D apostou em Maria e ajudou em tudo isso? Claro que sim. Mas a pergunta é: Por que ela foi a escolhida? Por que ela deu condições, deu material, fez a novela, aproveitou a chance. Foi a única escolhida? Não foi. Talula foi blindada, Daniel protegido, mas no fim, Maria venceu.
Um BBB dito fraco, isso é fato. De produção forte, de interferências estrondosas, de elenco medíocre, mas que deixou seu legado: Uma mulher venceu. E a partir de agora, Boninho e Bial, sem bandeiras, sem sonhos ou pesadelos. Que venha um 12 aberto, franco, sem aspirantes a ator, sem modelos querendo aumentar cachê, sem dançarinos ou cantores querendo mostrar seu trabalho. Que venha um 12 somente com BBBs de raiz, de essência, de franco atiradores, de jogadores, querendo levar embora o prêmio principal, e nada mais. Vai 11, porque agora entramos em período de gestação.
Eles “PERDEU.”

Maria: “Eu acho que ganhei de tanto que mariei”
Daniel: “Que pena. Que porcaria, eu queria ganhar.”
BBB 11. The End.

Caros comentaristas da Artigolândia!
Foi um imenso prazer ter todos vocês aqui conosco, neste pequeno mas simpático blog da net BBB. A exemplo do ano passado, a riqueza dos comentários fez parte fundamental do blog, enriqueceu e valorizou este imenso desafio que é blogar um programa como este reality show. É só por vocês que vale a pena. Um sincero muito obrigado. Aquele abraço!
BBB terminado, seguimos por aqui com posts de assuntos gerais, Hipertensão, Fazenda…
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BBB, hasta la vista, baby.
Imagens: Rede Globo
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