Degrau por degrau, a escada é vencida. O corpo acusa uma dor de cabeça imensa, é ressaca. A noite foi de bebedeira, e logo atrás dos tortuosos passos de Charlie, uma bela mulher vai deixando a casa, dizendo "eu te amo", e ouvindo "obrigado". É apenas uma delas, a dessa noite. Ainda de ressaca, Charlie ouve algumas boas tiradas da Berta, sua doméstica abusada e metida a engraçadinha, mas como Charlie depende dela até para ligar a cafeteira, sempre paga pra ver.

A casa é a beira mar, em Malibu, e Charlie vive de fazer jingles comerciais. Trabalha pouco, ganha muito, e gasta tanto quanto. Os dois homens e meio aparecem quando seu irmão, um quiroprata sem o menor jeito com mulheres é expulso de casa pela esposa Judith, que diz ter virado lésbica. Mas não virou. Um Alan sem dinheiro não consegue viver com a mãe deles, a controladora e destruidora de moral Evelyn, e vai parar na casa de Charlie com seu filho Jake. Alan é um americanoide chato, aquele, todo certinho que vira um adolescente perto de mulheres. Ou pior que isso.  E Jake come pizza, assiste TV, e responde a tudo e todos com sarcasmo, ironia, e uma considerável pitada de burrice.

Ela está na sacada, mais uma vez. Rose aparece sempre, sem convite, escalando a sacada do casarão. É a vizinha milionária, psicóloga, e naturalmente louca. Uma noite com Charlie e se apaixonou, para todo o sempre, além de colar as partes íntimas dele com super-cola. Também colou os armários da cozinha, se é que isso tem alguma importância perto da primeira colagem. Está completo o elenco principal da fantástica comédia Two and a Half Men. Depois, aparecem as incontáveis mulheres de Charlie, uma ou duas que sempre acabam dando o golpe em Alan, e um bom número de namorados de Judith e da mamãe Evelyn.

O interessante em Two and a Half Men, é que a história não cansa. Primeiro porque é tão simples que não se atrapalha sozinha.  E depois, porque é completamente impossível passar batido por um episódio. Não tem como. Seguramente umas três ou quatro grandes gargalhadas serão liberadas nos 20 minutos de cada episódio da série. Todos os atores são ótimos, e o roteiro é sempre impecável.

Mas aí é que vem a verdadeira comédia da série. No meio da oitava temporada, Charlie Sheen, que interpreta o Charlie Harper da série acaba incorporando o personagem, se envolve em inúmeros problemas químicos (aqueles lá, tradicional dos atores, cantores e tal), briga com o produtor da série e acaba demitido. Entrega o cargo de maior salário da TV americana para Ashton Kutcher, e revoluciona o seriado.  Segundo as mais informadas línguas, Charlie sairá de cena após seu casamento com Rose (esperamos que dessa vez, sem cola...), será pego no flagra em uma óbvia traição, e cairá nos trilhos do metrô...

"Eu assistirei ao meu falso funeral com a presença de minhas falsas ex-namoradas; na TV da minha sala de cinema muito real, com a minha mulher muito real comigo. Fico orgulhoso ao pensar que precisaram de algo tão grande como um trem em alta velocidade para me tirar de cena. Menos que isso seria um insulto!"

Charlie Sheen

Com metrô ou sem metrô, Two and a Half Men volta cena nos próximos dias, e então, saberemos se o bilionário que tem problemas com mulheres personagem de Ashton Kutcher, dá conta, ou melhora esse clássico e engraçadíssimo seriado.

"Quem não vai assistir? Estou tão curioso quanto todo mundo"

Artigolândia, a gente te vê por aqui.