Sou viciado. Sou réu confesso nesse processo. Conheço poucos, muito poucos que acompanham tantos seriados como eu. De alguma forma isso me credita para comentar, indicar ou contra-indicar esse viciante passatempo. Não que eu tenha muito tempo disponível, porque ninguém tem. Mas vício é vício, e a gente acaba encontrando uma forma de alimentar eles. Mesmo que a noite de sono acabe reduzida, o que interessa, é o vício.

Claro que nenhum vício é muito bom, caso contrário teria outro nome. Mas entre todos os que tem por aí... Diria que ser viciado em seriados é um sonho de consumo para milhares de pessoas. E o que, afinal de contas, os torna tão interessantes? Qual a magia desse formato que consegue desvirtuar amantes inveterados das salas de cinema, ou mesmo deixar babando ao redor da TV quem nem mesmo tinha esse hábito? Seria a sequência? A inteligência? A oportunidade de desenvolver o tema com mais calma, mais artifícios do que um filme? Uma pergunta interessante que se tem após entrar para o seleto time dos viciados em seriado é: Como um filme consegue se desenvolver em tão pouco tempo???? Alguém consegue imaginar uma versão de Lost para o cinema? O fenômeno Arquivo X tentou. Chega a ser censurável comentar o resultado dos filmes.

Saber porque um seriado atrai tantos seguidores segue sendo um festival de fogos de artifício: Um para cada lado, com cores e explosões diferentes. Os estúdios devem saber. Nós, pobres viciados, seguimos apenas usando sem moderação, explicação ou entendimento lógico. Amamos e pronto. Pelo menos agora temos um dado sobre nosso vício, uma pesquisa sobre quem vicia mais!

Pois bem, a pesquisa elaborada pelo site Lovefilm.com apontou os programas televisivos que mais causaram dependência nos telespectadores americanos:

1. “24 Horas” - 19%
2. “Lost” - 17%
3. “Friends” - 10%
4. “Heroes” - 9%
5. “The Wire” - 7%
6. “Doctor Who” - 6%
7. “CSI” - 5%
8. “Prison Break” - 4%
9. “The Sopranos” - 3%
10. “Sex and the City” - 2%


Alguma surpresa? Não para este viciado. No topo da lista o seriado que tem um formato inédito. Cada temporada é um "filme"de 24 horas corridas, horas reais, horas de pura ação. 24 horas detêm até hoje o meu recorde pessoal de episódios em um só dia: 9. Nem é tanto. Nesse quesito conheço muita gente que me supera. Mas o que nada supera mesmo é curiosidade que 24 horas deixa, desde o primeiro episódio da temporada até o último.


Seguindo a lista, o fenômeno que dispensa apresentações, Lost. Como já escrevi aqui na Artigolândia, o maior seriado de todos os tempos (me arrisco total e conscientemente a dizer isso antes do final, mesmo sabendo o risco que corro de cair na barbárie que foi o final de Arquivo X). Na cola de Lost está Friends. Com outra idéia, outro objetivo, e resultados tão fantásticos que após 5 anos fora do ar ainda é tido como o terceiro programa mais viciante. Nem vou comentar o fato de que Friends não tem necessidade (apesar de ser muito melhor) de ser visto em sequencia. Saudades da Rachel!

Heroes sim, confesso que me surpreendeu um pouco. Já começo a pensar que já entra o fator americano. Ainda mais com The Wire na sequência, apesar de que este apresenta a estrutura mais parecida com 24 horas. Faz sentido. De qualquer maneira, o vicio em seriado vai sendo transferido, de série para série. Alguns com louvor, outros nem tanto. Uns fazem rir, outros chocam. Outros assustam. Outros ainda aceleram o coração. "Os outros..."

E quem, entre os viciados todos, consegue não se emocionar revendo os 6 entregando as chaves...



Quer saber?

Eu amo meu vício!