Acabou.

Depois de 6 anos, a sensação da despedida de um dos melhores, senão o melhor, seriado de todos os tempos não pode ser nada diferente do estranho, do sentimento de perda, e do julgamento implacável. Sim, Lost, como todo seriado inovador e com enredo enigmático e imprevisível, é o seriado mais julgado desde Arquivo X. Todo grande fenômeno gera uma expectativa igual ou maior ao seu impacto e sucesso, arrecada os mais observadores, detalhistas, exigentes e fanáticos seguidores, e por tudo isso se torna um ícone. E também por isso paga o preço dos gigantes. A possibilidade do final de Lost agradar a todos, por esses fatores já ditos, sempre foi nula, isso sabido desde a primeira impressionante temporada. E assim chegamos, com contentes e descontentes, emocionados e desconfiados, ao final da jornada do 815.

Embora tenha plantado e tratado das grandes e polêmicas  questões da fé versus razão, do bem versus o mal, lost tratou de ir ainda mais longe. Flertou com o tempo, com passado e futuro, com energias inexplicáveis, flertou com a imaginação e criou milhares de teorias. Lost foi além, muito além. Mitologia, ciência e experimentos, inteligência e coração, e muitas, muitas perguntas e respostas. Algumas explicáveis, outras nem tanto. Mas sempre vi Lost como uma grande máquina de fazer e desfazer gigantes. Os mistérios, por maiores e mais complexos que parecessem, sempre acabaram, na maioria das vezes, desvendados de forma simples e coerente. Outras vezes, nem tanto.

Ursos polares em uma ilha tropical, como explicar? Com experiências cietíficas feitas por uma organização de pesquisa. Fácil. Uma escotilha enterrada no meio da selva, o que poderia ser? Mais um pequeno laboratório da Iniciativa Dharma. E quem era o todo poderoso Jacob? Um menino assustado e sem respostas. Quem diria. E um monstro de fumaça que escolhia quem matar e quem poupar, como explicar? Com uma fonte de energia no coração da ilha. Ok, já complicou. E foi assim o seriado todo, com idas e voltas, com momentos de futuro e de passado, de perguntas e respostas, culminando com uma realidade paralela. Paralela? Não era. Era de futuro, e de um futuro distante. Lost terminou de maneira lógica, com o tempo traçando seu destino, a morte levando aos poucos os nossos heróis perdidos, com o caminho da vida normal e casual no seu puro e cristalino andamento. Alguns ficaram pelo caminho, outros entregaram sua vida para que a "luz da ilha" pudesse permanecer como está, brilhando. E outros ainda permaneceram como protetores da complexa ilha. Até quando? Não importa, porque o futuro não tem data. Viveram suas vidas, e o encontro das supostas dimensões nada mais foi do que um reencontro de espíritos, que de tanto tempo que passou, precisaram ser lembrados de tudo o que viveram. E assim viveram.

Lost foi. A energia da ilha ficou, como também ficaram os mistérios que cercam a origem do universo, e ninguém odeia o universo por isso. Quem era a mulher que matou a mãe dos gêmeos? Uma resposta que levaria a outra pergunta, porque também nós não sabemos quem foi o primeiro de nós. Ora. E mesmo assim não desgostamos da raça humana por não sabermos ao certo quem foi o primeiro, tirando as questões religiosas, claro. Por isso, e nada mais, que na visão deste blogueiro, Lost terminou coerente, como deveria, sem mais surpresas e mistérios do que se poderia admitir. Manteve sim os dois maiores, a origem da terra, e a origem do homem, tal qual nossos mistérios reais. Pequenos detalhes ficaram, porque assim nossa história também os deixa. Assim se despede Lost, assim se despedem cheios de emoção, os espíritos de nossos heróis que se reencontraram anos e anos depois de toda a aventura, como talvez nós mesmos um dia possamos descobrir como será...

Lost vai. A vida segue. E agora eu sei, que Lost não fez mais do que imitar a própria vida.