Quando somos os melhores, também podemos ter sido os piores.

 Neste domingo, em meio ao alvoroço gerado pelo polêmico BBB colorido, pesquei de cantinho a cerimônia do Oscar, o prêmio máximo do cinema mundial. Como sempre uma festa fantástica, com toda pompa e circunstância que seu mercado representa e fatura. Evento lindo de se acompanhar, grandes filmes, super-produções, o maior faturamento da história do cinema, enfim, um festa grandiosa. Mas deixando um pouco de lado a questão dos melhores filmes, e o sempre presente embate entre grandes produções populares versus filmes técnicos e elaborados, me chamou atenção uma personagem de grande peso no cinema: Sandra Bullock.

Sempre fui um dos grandes admiradores da Miss Simpatia, essa fantástica atriz que foi o pivô de um fato tão curioso quanto corriqueiro e lógico nesta semana. Antes da cerimônia do Oscar, Sandra Bullock foi premiada com a Framboesa de Ouro, o anti-Oscar, por sua interpretação na comédia romântica Maluca Paixão."Esse anti-prêmio foi dedicado a "pior atriz do ano", Sandra Bullock. Então vem o Oscar, e confere a Sandra o prêmio de "melhor atriz do ano", por sua atuação em Um Sonho Possível. Um paradoxo que é facilmente explicado, afinal um trabalho é diferente do outro, tem condições de contorno diferentes, são outras pessoas, outro roteiro, outro diretor... O time envolvido nas produções pode contribuir para que a participante Sandra tenha um desempenho ruim em um filme, e excelente no outro. E claro, ela mesma precisa ajudar, e ir fazer um trabalho de menor qualidade em um, e melhor no outro. Tudo com suas milhares de influências e varições normais na vida dela e em todas as nossas. O fato simples, e facilmente explicado, porém, faz questão de nos lembrar, nesse caso de forma gritante, que por mais que sejamos os melhores, podemos ter sido também os piores. A questão absoluta da busca pela perfeição heróica que muitas vezes vimos, ou exigimos de nossas referências ou de nós mesmos, é um objeto de ficção. Uma ficção como o próprio cinema.

Se sempre buscamos o nosso melhor, é porque estamos no caminho certo. Mas isso não quer dizer que sempre seremos ou faremos o melhor. E por melhor que sejamos, sempre haverá o momento que seremos os piores, ou faremos o pior. E esse momento pode estar até mesmo unificado ao momento do melhor. Pelo simples fato de que sempre haverá um olhar aguardando que se abra a nossa própria Pandora, porque afinal de contas, nem tudo é bem, nem tudo é mau...