O óbvio. Uma afirmação que me chamou atenção. Uma afirmação do Presidente Lula, em algum lugar no interior do estado, sobre o que ele fez em seu governo: O óbvio. Não vi o discurso, nem ao menos sei ao que ele se referia especificamente. Imagino, e só imagino, que tenha se referido as equações básicas de qualquer candidato em campanha (e Lula está em campanha, como se fosse para sua própria reeleição): Educação, saúde, segurança, emprego e todo aquele papo velho conhecido. Mas não é meu objetivo analisar o que ele quis dizer. Simplesmente comecei a pensar no que eu acho que poderia ser o óbvio que ele teria feito. Só para deixar claro, antes de mais nada, não sou filiado ao partido de Lula, e nem era simpatizante antes de ele se eleger. Tinha até um certo receio. Mas o fato é que ele fez sim o óbvio. Fez o óbvio quando manteve não só as políticas, mas também as pessoas que criaram e sustentavam até então, o projeto econômico dos mandatos do FHC. Fez o óbvio quando incrementou o bolsa família, embora dar o peixe seja pior do que ensinar a pescar. Mas alimentou quem tinha fome. Fez o óbvio quando soube navegar ileso a todas as monumentais crises que seus pilares do governo passaram. Essa foi uma obra de arte. Se ele não sabia de nada mesmo? Ora, please. Mas que foi uma obra navegar sobre os escândalos, foi. Lula fez o óbvio quando não só motivou, mas patrocinou através de isenções, reduções de impostos e abrindo a carta de financiamentos da construção civil. É o óbvio porque a construção civil fornece emprego a quem não tem qualificação, e não é segredo que a população brasileira tem dificuldades de qualificação, se comparada aos países de ponta. Ainda me assusto quando Lula tem adoração pelo ditador de Cuba, um país em estado de inanição que mostra aos turistas corredores de beleza que não existem para a população. Me assusto quando ele não repudia as ações do outro ditador que começa a se firmar na América Latina. Me assusto. Mas que ele fez o óbvio, ele fez.

Então agora a população faz também o óbvio, fica otimista, e escuta o que seu óbvio presidente fala. Se ele fala que votar em Dilma, é votar nele, é óbvio que o povo irá obedecer. Dilma não é ele, isso  também é óbvio. O que não é óbvio, é que se ela, como dona da maior cadeira da América Latina irá colocar as garrinhas de fora e esquecer os conselhos de Lula, ou vai seguir a linha Lulistica de governar, que não é propriamente o que o PT e sua história sempre pregaram. Não é. Isso também é óbvio. Fato é, que nesse festival de obviedades, Serra vai ficando para trás, e perdendo a eleição que parecia ganha, um tempo atrás. Serra vai perdendo para uma candidata sem carisma, que fica longe de seu antecessor na habilidade de discursar, e com uma curta trajetória em eleições. Serra vai ficando obviamente de fora dessa festa, e Lula vai fazendo mais uma vez o óbvio: Construindo sua sucessão. E fica mesmo indiscutível, que Lula sempre fez o óbvio, uLulante.