Fringe. Com spoilers.

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    J.J. Abrams.

    Mais uma série genial passa pelas mãos criativas de J.J. Abrams, criador de Lost, Alias entre outros. Não tem como negar, e o próprio JJ já confessou: Fringe tem inspirações em X Files, e claro que em Lost também. Fringe é um drama focado em avanço tecnológico, chegando ao limite da nossa imaginação sobre avanço científico. Em Fringe a ciência busca o seu limite. Os 12 milhões de dolares gastos no episódio piloto deixam claro que a produção é muito bem feita, deixando com inveja grandes produções do cinema. A loirinha toda plugada abaixo é a agente Olivia Dunham, uma das personagens principais do elenco. Olivia é recrutada para um grupo muito especial de investigações, que acaba tendo como cérebro o ex-maluco Dr. Walter Bishop, o Einstein da nova geração que já foi colega de pesquisa do homem mais rico do mundo: Willian Bell. Willian é o dono da Massive Dynamic, empresa que está na ponta da tecnologia mundial. A grande sacadade Fringe é que o mundo se tornou o grande laboratório de experimentos de uma organização. Esses eventos são chamados de padrão, e claro que logo a Massive se torna suspeita… Cada episódio da série tem um caso específico com um início e um fim, mas é claro que JJ não ia nos decepcionar, e grandes mistérios vão sendo apresentados e explicados conforme a série transcorre. Bishop tem um filho, Peter, que necessariamente não é o filho original dele, já que no último episódio da primeira temporada… Mas como eu ia dizendo, o misterioso filho de Bishop é tão genial quanto o pai (seria um clone dele?) e também faz parte da equipe, que conta ainda com agentes do FBI que volta e meia são renovados, pois é difícil saber quem realmente não está contaminado…

    Pessoas que explodem, teletransporte, universo paralelo, e um festival de alterações genéticas inundam o mundo de Fringe, fazendo desse seriado um prato cheio para quem gosta de tecnologia, ciência, e principalmente pra quem acredita que enquanto nos espantamos com a nitidez do google earth, existem organizações estudando coisas além da nossa pobre e leiga imaginação. Que tal um gás que se torna sólido e torna um onibus num imenso monobloco? Claro que cheio de pessoas dentro…Ou então um careca que está presente em todas as fotos e registros de grandes desastres ao longo do tempo? Um observador? E sempre com a mesma aparência! Em cada episódio uma experiência diferente, todas relacionadas ao trabalho desenvolvido pelo Bishop no tempo em que ele trabalhava com Willian Bell. Tudo sendo testado em pessoas comuns… E será mesmo que terá sido por acaso a escolha da bela agente Olivia? Ou ela também ganhou super poderes? “Precisamos tornar nossas crianças aptas à enfrentá-los, precisamos habilitá-las para o que está chegando, e assim elas nos protegerão do que está por vir…”

    Fringe encerrou sua primeira temporada no vigésimo episódio, e já tem uma segunda temporada garantida. A cena final? Willian Bell, recebendo Olívia, nas torres gêmeas, enquanto um jornal sobre a mesa traz na capa: Obama inaugura a nova Casa Branca. Vai perder essa?

    Baseado em fatos reais.

    -Vamos Harry, por aqui! Rápido, eles estão chegando perto!
    -Calma Hermione, estou tentando correr e te paquerar e não deixar o Rony perceber! É muita coisa!
    -Deixa de ser tarado Harry! Você tem a eternidade para me paquerar! Temos que fugir agora!
    -Por aqui, encontrei a saída! Eles nunca nos acharão! Harry! Onde está o Rony?
    -Ele estava logo atrás de mim!
    -Pessoal, por favor se dirijam rapidamente para a saída de emergência! Pessoal, por favorse dirijam à saída de emergência!!!

    Opa? Essa frase está meio fora do contexto…

    Pensei, hã? Lord Voldemort incendiando o cinema? Hoje? Agora? Tenho que sair? E a Hermione? Hã fogo? Calma, me esperemmmmmmmm!!!!!!!!!

    Ao mesmo tempo em que todas as pessoas iam se levantando, naquele misto de pressa e indecisão, medo e dúvida, aquela coisa toda que passa tão rápido e tão lentamente, naquele pensamento que presta atenção em tudo e nada vê, nada ouve. É um daqueles momentos da nossa vida onde as emoções não só se misturam, como são paradoxais e confusas. Ok, eu não entrei em pânico. Mas também não estava fumando o cachimbo da paz de tanta tranquilidade.

    Foi assim que vivi, lá na Capitolândia, a experiência de ser “evacuado”de um grande estabelecimento em chamas. Ora, e se não era justamente a edificação que mais tempo dediquei na minha vida profissional, entre as diversas fases da monumental obra. Claro que era. Pelo menos eu conhecia como ninguém os caminhos que levavam ao lado de fora. Alguma vantagem devia ter. E o fogo?

    -Por aqui não, voltem, vamos sair pela praça de alimentação!

    Fumaça! Fumaça! E preta! Fumaça de plástico! Qual loja? De onde vem? Corredor terminando, mais uma porta. Não há fumaça. Pessoas se empurram. Algumas gritam. Ninguém ouve nada. Os olhos só procuram a saída. As pessoas pela frente não fazem parte da paisagem. Só andava. Corria, caminhava. Haviam obstáculos. Não, eram pessoas. A saída se aproxima. Nada explodiu ainda. Estamos saindo! Saímos! Saímos!

    -Aqui, aqui, saiam por aqui! Rápido, para fora!

    E o carro? Tento lembrar onde estacionei. As pessoas pulam a cerca, estão indo em direção ao estacionamento. Vou junto! Chave na mão, fumaça no pulmão! Fumaça preta, olhos com enxaqueca! Eu corro, eu páro! Não deu, a fumaça me venceu. Eu volto. Páro, penso, continuo voltando. Não acho o foco do incêndio. Só fumaça. De plástico, é tóxica, densa, explosão? Pequena. Uma maior. Páro de novo, penso: Mas que besteira entrar lá! Está maluco? O que te deu? Compra outro carro! Teu pescoço é que não tem na concessionária pra vender! Telefone celular, estou ligando para o meu antigo diretor.

    -Chefe, nossa obra está em chamas.
    -Aé? Ok, amanhã eu passo lá.
    -Chefe, realmente está em chamas, está ruindo o setor E.
    -Tô indo.

    Existe um apartamento amigo por perto. Água. Sofá. Nada na TV. Ansiedade, bombeiros, barulho, não lembro onde estacionei. Volto pro local. Não tem como ficar longe. Ansiedade. Queria entrar lá. Cade a droga do meu crachá? Eu ajudei a construir esse lugar! Tenho direito de entrar lá! Saco, eu me demiti! Troquei de empresa! Não tenho mais esse crachá! Escuto as pessoas falando!

    -Vai cair?
    -Dizem que está sendo controlado.
    -E as lojas? 400 lojas! Quantas foram atingidas?
    -Desabou!Desabou a laje! A parede abriu!

    O setor E ruiu, os demais estão pretos. Era o prédio principal, o maior. As explosões continuam. A sala de controle está no centro do fogo. Lojistas desesperados. Alguns fazendo cena, a TV filma, a rádio transmite. As horas passam. Mais pessoas falando.

    -Meu carro estava naquele canto, chegamos de viagem hoje, as bagagens estavam lá, somos do interior.
    -O meu está lá também, mas não lembro…não lembro em que setor estava!

    4. Já eram 4 da manhã. Fogo perdendo. Bombeiros ganhando. Setor E derrotado. D também. Setor C avariado. A e B parecem ter sobrevivido. Os outros 6 prédios do complexo estão intactos. Não houve vítima. Ufa! Hora de ir para casa. Taxi. Banho. Filme passando na cabeça. Não era Harry Potter. Caceta, perdi o final do filme! Eu adoro a Hermione! Cama. Cara de churrasco. Dia amanhace, sol nasce, se desenvolve, mas não explode.

    -Rico!
    -Tudo bem chefe!
    -Onde estacionaste teu carro?
    -Acho que no setor C, não tenho certeza.
    -Então te safou, no C os carros só estão sujos, e alguns com os pneus no chão. Já no D e E…
    -Tá no C! Tá no C! Agora tenho certeza!

    Almoço, TV, caminhada, banho. Noite chegando. É sábado. Eu fico repassando a noite anterior. Gostei do meu comportamento. Saí tranquilo. Ansioso. Mas tranquilo. Ajudei pessoas que travaram a andar. Encarei a fumaça até ela me derrubar. É o rápido mais demorado que já vivi. As sensações individuais, e as reações são imprevisíveis. Gostei das minhas. Realmente gostei. Poderia dizer que sou sangue frio. Cheirei fumaça demais. Preta, plástica, tóxica. Estou doidão? Delegacia, registro. Passadinha básica pelo local. Movimento, lojistas desesperados. Prédio interditado. Nenhuma notícia. Alguns meses atrás e eu estaria ali junto na avaliação das condições do prédio, tinha trocado de empresa. Primeira troca da carreira. Primeiro incêndio da vida também.

    -Rico!
    -E aí chefe, como está nossa obra?
    -Tá de pé, fora o setor E…
    -Então tá tranquilo, é botar de pé de novo e reabrir as lojas.
    -Rico! Tava no D. Teu carro tava no D. Lamento informar, mas teu carro meio que derreteu. Tá arrastando o pára-choques no chão…

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