Neste fim de semana o Rio Grande viveu um momento diferenciado. O maior clássico do sul, e umas das maiores rivalidades do futebol fez aniversário. E não é qualquer aniversário. Fez 100 anos. Um século de história. Um século de jogos pegados, jogos que deixam o estado todo em alerta, com foguetes e cornetas a postos, e muita, mas muita discussão em cada esquina de qualquer cidade gaúcha.
    No geral o Gre-Nal é um jogo feio, de muita marcação, poucos gols e invariavelmente deixa quase metade do estado de mal humor no dia seguinte. O Gre-Nal tem efeito arrasador no time que perde, que normalmente segue perdendo vários jogos até recuperar a moral. Mas também costuma recuperar o time que anda pior, e ganha o clássico. O Gre-Nal tem pancadaria, mas também tem magia.
    A mesma torcida que vê um jogo feio, também vê Ronaldinho Gaúcho dar balãozinho em Dunga. Também vê banheiros incendiados, e muita briga na rua. O Gre-Nal é intenso, é vida, é colorido. Em nenhum outro momento os ânimos ficam tão alterados para tanta gente ao mesmo tempo na terra dos Maragatos e Ximangos. O time considerado de elite, contra a reação popular. Mas que inverte a mão, e o que seria de elite, tem a maior torcida. E o teoricamente popular, tem mais sócios. Incoerências que só um Gre-Nal proporciona.
    É claro que o mundo todo é recheado de rivalidades. Cada estado, cidade tem seus times que se degladiam em uma disputa sem fim. Aí dois fatores tornam o clássico dos pampas um pouco mais evidente: O primeiro é a polarização em apenas dois clubes. Que excluem outras rivalidades mais diluídas. E o segundo é a importância dos clubes, naturalmente traduzida em títulos, porque é assim que se mede futebol. Não de outra forma. Só com títulos.
    Em recente pesquisa, entre as maiores rivalidades do mundo apareceram times da Escócia, Egito, Turquia, Marrocos, Sérvia, enfim. Times sem expressão internacional, sem querer tirar seus méritos, mas nada de muitos títulos importantes. Também aparece rivalidade paulista. Lá tem títulos. Mas se for perguntar para um torcedor de um desses times qual é o maior rival, talvez ele fique na dúvida, ou tenha resposta diferente de outro torcedor logo ali da esquina. Porque não é polarizado. Na lista também tem Boca e River, essa sim certamente uma das maiores rivaldiades do futebol mundial. Mesmo assim a supremacia do Boca tem sido tão grande, que o equilíbrio não permite mais tanta rivalidade. Basta caminhar pelas ruas de Buenos Aires para ver isso. Já no Gre-Nal, não há duvidas. É amor, é ódio. O primeiro time de um gremista é o Grêmio. O segundo é a derrota do Inter, seja contra quem for. E não há um terceiro. Jamais haverá um terceiro time. O inverso naturalmente é verdadeiro, e por isso o Gre-Nal é Gre-Nal.

    Dessa dupla já saíram entre tantos outros, Ronaldinho Gaúcho e Falcão, Dunga e Felipão. Os dois juntos somam 2 títulos mundiais, 3 Libertadores da América, 1 Copa Sul Americana, 5 Brasileirões e 5 Copas do Brasil. Somam juntos quase todos os regionais. Tudo com muito equilíbrio. Dois times de nível internacional. Dois times temidos e respeitados em qualquer cenário. E isso tudo, de uma cidade de 1,6 milhões de habitantes. Sem patrocínios milionários, sem apoio incondicional da imprensa (o contrário normalmente é verdadeiro), e via de regra tendo que vencer dentro e fora do campo. Assim são esses dois co-irmãos, que ficam no sobe e desce de uma equilibrada gangorra, deixando as cornetas e bandeiras de lado a lado sempre alerta, nesse clássico que ninguém sabe o que vai acontecer. Afinal de contas, “Gre-Nal é Gre-Nal, e vice-versa” (By Jardel).

    Até a pé nos iremos, para o que
    Glória do desporto nacional,
    der e vier, mas o certo é que nós
    Oh Internacional, que eu vivo a
    estaremos com o Grêmio onde
    exaltar/Levas a plagas distantes,
    o Grêmio estiver
    feitos relevantes/Vives a brilhar

    100 Anos

    Milão

    8 comments


    Charme.
    Não poderia ser outra a palavra para resumir Milão, a capital mundial da moda. Milão não é o destino ideal, digamos assim, para os mochileiros. Não é. Os hostels são ruins e mal localizados. (Lembrando que Milão é uma super cidade, com mais de 4 milhões de habitantes e um dos principais centros econômicos da Europa). Claro que isso também era de se esperar. cidade mais charmosa do mundo, onde as grifes mais caras do planeta se apresentam, não era para ser mesmo lugar de carregar mochila e dormir em hostel. Mas isso perde toda a importância quando se chega na Piazza del Duomo. Nas fotos abaixo, a Galleria Vittorio Emanuele II, construída no século 19 e repleta das lojas mais importantes da moda mundial.

    Na Via Montenapoleone (foto abaixo) com a Via Spiga fica o chamado Quadrilátero de Ouro da Moda, onde estão Chanel, Valentino, Gucci, Giorgio Armani, Versace e joalherias como Cartier. Além das super lojas, essa região é uma exposição aberta dos carros mais caros que se podem ver pela rua Não é raro ver mais de uma Ferrari andando na mesma quadra.

    Tudo bem, não precisamos ficar tão intimidados, existem várias outlets por perto, onde se podem fazer boas compras das super grifes italianas. Sim, porque encarar a última coleção do Armani não é tirar as moedas do bolso… Mas nas outlets se pode sim fazer ótimas aquisições.

    Nem preciso dizer o quanto é agradável tomar um café na Galleria, assistindo o maior desfile de modas a céu aberto do mundo. E melhor, ininterrupto! Mulheres vestidas a rigor, pedalando em bikes nas ruas centrais, com cestinhos a frente são imagens impagáveis, que só comprovam que tudo nessa cidade é charme.
    Apesar dessa fabulosa vocação de moda, Milão reserva uma das mais fabulosas edificações que já visitei pessoalmente. Uma das mais célebres e complexas construções do estilo gótico do mundo, a Duomo di Milano é na opinião da Artigolândia, a Igreja mais linda desse mundo. Sem muitas palavras, as imagens falam por si.

    Impressionante, não?

    Muito oportuno é apreciar um panini na Piazza Duomo, é impressionante como um simples sanduíche pode ser tão saboroso!

    Não tem nada de diferente dentro, mas são simplesmente muito bons! É um lanche tão imperdível quanto o sorvete de sobremesa, esteja a temperatura que estiver! O sorvete italiano não tem comparações.

    A região central da cidade é muito bonita, as ruas e suas edificações obedecem ao estilo que muitas vezes identificamos aqui no nosso país. Praticamente tudo que é mais interessante a nível de turismo está ao alcance de uma boa caminhada. De qualquer maneira a locomoção não é difícil, o metro é muito eficiente. Ao entardecer a rua central oferece uma vista fantástica, com o Castello Sforzesco ao fundo. O castelo vale uma boa visita, foi construído no século XV e está em excelente estado de conservação. Hoje contempla vários museus temáticos e bibliotecas.

    Para quem gosta de futebol, a direita o estádio da Inter de Milão, com uma arquitetura bem diferente dos nossos estádios.

    O parque Sempione, recentemente recuperado, é um dos lugares mais agradáveis para se caminhar na cidade. Muito calmo, traz o melhor estilo inglês com espaços verdes ricos em plantas e prados abertos. Vale uma caminhada tranquila em um dia ensolarado. Milão realmente não é aquela cidade para ficar colecionando cartões postais de monumentos a cada esquina, mas é uma cidade que consegue ser cosmopolita sem perder o charme que a torna conhecida como capital mundial da moda.

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