O Brasil na Estrada

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    Aí quando chega a crise, entra logo o assunto brasileiro na estrada. Porque é uma grande e feliz surpresa, que o brasileiro é um povo curioso e viajante. E nem todos povos o são. Muitos povos, e estou falando dos que realmente podem, não se propõe a colocar o pé na estrada atrás de conhecimento, cultura, mas só de diversão e descanso. E aí são duas vertentes, e na minha visão bem diferentes. Muitos, e aí de lá de fora e daqui, viagem pra descansar ou se divertir em um lugar diferente, e nem mesmo querem saber que tipo de cultura e história irão encontrar. Eu vejo muito assim o americano, e muitos países europeus. Pra exemplificar, vamos de americano. Que pode ir pra qualquer lugar, porque tem recurso e moeda forte, mas opta bem mais pelos destinos de descanso e diversão. Antes de qualquer coisa, vamos lá: As exceções existem pra confirmar a regra, e não pra anular ela. Então, estou falando da grande massa. Eles pegam a estrada na maioria pra Canadá e México. Depois vem as viagens para os países europeus, com 10 vezes menos visitas. Dez. Certo que o México tem muita história. Mas certo que não é isso que eles querem lá. Eles vão é pra praia, pros resorts gigantescos e era isso. Então o exemplo é válido. E como eles, tem muitos outros.

    Claro que o Brasil também viaja atrás disso, diversão e descanso, mas pelo comparativo de poder aquisitivo, você vê muito mais brasileiro atrás de cultura, do que muitos outros povos. Obviamente que tem o fator “Custo Brasil” nessa conversa, esse carma que nosso povo incompetente compra quando não sabe votar, e muito menos cobrar os seus representantes (o que é tão péssimo quanto não saber votar, porque leva a cabo o erro repetido, que é o pior de todos), e que reflete num das piores gestões públicas do planeta, e nos transforma, na prática, numa republiqueta que ainda troca “ouro por espelhinhos”. Que tudo que é razoavelmente bom aqui custa um fortuna e na prática não é possível comprar bons produtos no Brasil sem ser pilhado. Por impostos, e por incompetência no transporte, na infra, na política, e tudo o que torna nosso preço geral um dos mais ineficientes e patéticos do planeta. Porque temos riquezas pra estar no top 5, ou top 4. Enfim. O brasileiro tem muito motivo pra sair daqui pra comprar. Tem todos os motivos, pra aproveitar as férias, pra poder comprar coisas que custam o ridículo custo Brasil aqui, por um terço ou menos lá fora. Tem que ser assim. Por isso que os EUA, o melhor país do mundo pra comprar, está no topo dos nossos destinos. E aí vem nossa linda intenção de conhecer a cultura e ver de perto a história, porque logo vem a Europa com sua história. Porque lá, via de regra, não é tão bom de comprar. Comparando com países de compra, lógico, não com nossa aldeia do “ouro por espelhinhos”. Porque aí não tem nem graça. Então fica fácil de provar que o Brasil viaja sim, com muita força, pra conhecer, e não mais pra divertir e comprar. Nas suas proporcionalidades de necessidade. Veja bem. As vezes, muitas vezes, números absolutos são bobinhos como portas.

    Essa enrolação toda, é pra dizer o seguinte: O Brasil, viaja muito, apesar de tudo o que enfrenta, e que precisa buscar lá fora, atrás de cultura e conhecimento. Viaja mesmo. Pra onde você for, está lá estampado o brasileiro. Em destinos que tem pouco europeu, que tem pouco americano, e tem um monte de história, e lá está o brasileiro. Estamos por tudo. Bom, agora com a nossa moeda de volta a nossa pobre realidade isso vai diminuir, claro. Mas não vai acabar. Observem, as viagens de compras é que vão diminuir mais, frente as viagens com cunho cultural. E isso é um fator econômico impeditivo, que não se relaciona com o nosso desejo essencial de conhecer e aprender. Se todos viajam preparados pra absorver o conhecimento por ondem passam, aí são outros quinhentos. Vem a questão estrutural e nosso bando de deficiências de base. Mas o instinto é esse, porque a turma batendo cabeça ou não, está na estrada, e com muito foco em conhecer. O Brasil está de parabéns, porque nesse sentido, a curiosidade, o interesse por outras culturas e histórias, é muito maior do que muitos povos com muito mais dinheiro, e muito mais preparo para conhecer e aprender.

    Sim. Este post inaugura mais uma sessão de artigos de viagens. Nessa rodada vamos falar de Grécia, Alemanha, e uma pitadinha de Áustria. É só aguardar!

    Então o Trono de Ferro está de volta. Game Of Thrones, o seriado mais poderoso do momento, o único que consegue parar as pessoas para o início de uma nova temporada, finalmente chega nas telas para mostrar mais algumas centenas de mortes, e sustos, e surpresas de um roteiro imprevisível que mistura o bem e o mau de forma contundente. Game é diferente da grande maioria dos filmes e seriados, em parte porque elimina sem a menor cerimônia personagens principais, de um lado ou de outro, quebrando paradigmas e deixando de lado o cuidado e medo de perder público por tirar do ar os personagens preferidos. E a receita funcionou. Mesmo com a dificuldade de consolidar uma história com tantos personagens em tão poucos episódios por temporada, a receita surpreendentemente é um sucesso absoluto. A mistura de reinados com fantasia, aço, sangue e espadas com o mistério dos caminhantes brancos, o amor e o ódio entre famílias, as vezes teórico, as vezes literal de um extremo a outro, a eterna briga pelo nem sempre útil poder, ou a simples sobrevivência faz falta em seu interminável intervalo entre temporadas. Na crua e nua verdade, Game é uma fantasia bem mais real do que de longe se pode pensar. As forças invisíveis sempre estiveram entre nós, de um jeito, ou de outro. De uma maneira convencional, de outras nem tanto. O ouro sempre é o ouro, e o poder pelo simples poder, sempre arrecadou todos em guerras constantemente. Enquanto alguns só lutam pela própria vida, outros morrem sem saber porque. E os caminhantes, que ameaçam todos que mal sabem da sua existência, bem, certamente temos os nossos. E como eles, lá do mundo dos reis de ferro, desconhecemos ou menosprezamos o que há do outro lado da grande muralha branca.

    Interessante se dar conta que, em vários momentos da série, a estupidez e guerra inútil pelo poder de subjugar o rei vizinho, provoca o sentimento de que os caminhantes devem chegar logo e tornar o reino uma coisa só, mais uma vez. Por um objetivo dessa vez verdadeiro, genuíno e de fato necessário, de ir pra guerra por um bom motivo: Manter a espécie viva. Já me peguei torcendo contra todos, com exceção da preferida de todos Arya, várias vezes. Vibrando a cada aparição do exército de Caminhantes, esquecido na última temporada, e que deve ser a melhor parte dessa odisseia de gelo e fogo. Que os caminhantes cheguem logo para mostrar a verdadeira necessidade de brigar. Que a quinta temporada seja mais de fantasia do que de espadas e simples mortes, daquela fantasia que existe pra mostrar que a realidade muitas vezes é tão estúpida que precisa de algo sobrenatural, pra entender o que de fato importa. E que não é um trono de ferro velho cravejado de espadas. The Winter is Coming.