Então, que Nós da Terra agora estamos todos preocupados. Após anos, décadas de avisos e mais avisos que ficaram no vazio, agora resolvemos nos preocupar. E é tudo culpa do cinema. Esse cinema... Caramba, esse cinema é fogo! Resolveu colocar pânico no mundo todo. Filme após filme, o cinema vem plantando o terror na população. Seja com "ficção", seja com documentários de previsões de Nostradamus, ou com o calendário Inca, ou com a posição das pirâmides do Egito... E não é que todos dizem a mesma coisa? E aí vem o cinema, e pronto. Planta o medo.

E os piadistas vão a farra. Tiram onda dos "profetas do apocalipse", dizem que não pagarão mais dívidas por que o mundo vai acabar... E 2012 é prato cheio para todo mundo. Veículos de comunicação, programas de humor, tudo é notícia e assunto. É o tema da moda. Mas nosso cinema, apesar de colocar o terror em todo mundo, até que fez a lição de casa. 2012, o filme, é bastante fiel às previsões que andam soltas por aí já a bastante tempo. Bastante mesmo, não aninhos ou décadas. Bastante mesmo. E veio o mar, e veio vulcão, e tremeu tudo e afundou quase tudo. Nem os monges tibetanos escaparam, todo mundo engoliu sal. Ou terra. Ou nem nada viu. Mas o cinema fez a lição de casa. Não inventou. Seguiu a receita. Não aniquilou o mundo, nem foi bonzinho demais. Sobrou o que sobrou, o que era possível sobrar, e que se reconstrua tudo depois que a turma que escapou puder sair da Arca de Noé Volume II. Mais um pouco poderíamos creditar à Nostradamus o roteiro do filme 2012.
As imagens são fascinantes, impactantes, assustadoras e rigorosamente previsíveis dentro do nosso quadro. Quadro? É, nosso quadro de aquecimento global. Ih, lá vem outro profeta do apocalipse. É. É prato cheio para os piadistas. Curiosamente, no dia que fui assistir a esse grande enlatado americano, a Capitolândia vivia uma noite quase rotineira nos últimos tempos. Se formava uma tempestade daquelas meio imprevisíveis, onde talvez metade do país apague, talvez metade das grandes cidades não possam usar carros para andar nas ruas, ou então, uma chuva de árvores ameaça os carros novos comprados com redução do IPI este ano. Por sorte naquela noite nem choveu mais de 50mm, mas o arroio que separa minha casa do cinema estava com água pelo ombro. Não chegou no pescoço, mas já estava no ombro.

Aí, que no outro dia fui trabalhar, era um dia bonito e quente. Mas assim, um quente meio estranho, do tipo sensação térmica de 40 graus, estranho para essa época do ano aqui na Capitolândia. E o meio dia virou meia noite. Tudo escuro, árvores voando, o fundamental ar condicionado deixando de funcionar (eles precisam inventar algum que não precise de energia elétrica...), o trânsito daquele jeito, né. Deu saudade. Deu saudade do tempo em que eu ia para o cinema ver esse tipo de filme apocalíptico e só lembrava dele na mesa do almoço, quando quem viu abria a sessão comentários de cinema. Agora não mais. Agora eu vi o filme, e lembrei dele quando ia para casa, em meio ao temporal que se ocorresse só as vezes seria normal, mas como aqui já é semanal... E lembrei dele também no outro dia, e não na mesa do almoço com o pessoal, lembrei quando as nuvens fecharam o meio dia, também com ocorrência já semanal... E aí que já me imaginei correndo em direção ao sino. O sino, aquele do monge tibetano que toca de colina em colina, alertando à todos o que de nada adianta ser alertado. Até porque, né... O alerta já vem de tanto tempo, e não foi ouvido. Porque então teria algum sentido ele ser ouvido agora? Para quem já viu o filme, o negócio é mesmo ir guardando 1 bilhão de euros, certo? Para quem não viu, ou acha um pouco complicado conseguir 1 bilhão de euros, pode começar a pedir carona em direção às montanhas chinesas...








Ah, esqueci de comentar. Destas imagens aqui publicadas, 3 delas não foram retiradas do filme 2012. Foram retiradas do filme da nossa vida. São reais, aconteceram, e como vocês mesmo podem concluir, em nada deixam devendo ao cinema.

Esse cinema né, fica botando terror nas pessoas, tsc, tsc, tsc...