Mais um reality começou. Desta vez, A Fazenda 5. Mais um está saindo do forno da vênus platinada, "The Voice Brasil" e cada vez mais a TV tenta entender o que a nova geração do público busca na sua telinha... Difícil? Certamente sim. Até o maior gênio da TV brasileira, o Bones pai, pode ter sua opinião sobre o futuro da TV questionada. Porque a questão é complicada mesmo. No momento em que gigantescos players mundias se degladiam pela liderança nos serviços de comunicação móveis, a TV se debate tentando acompanhar uma geração que considera tudo a sua volta jurássico. Reality show? Sim, porque sugere participação, permite interação, mas precisa ser dinâmico, pra não cair em perdição. As velhas e poderosas novelas? Sempre. Mas adaptadas ao dinamismo. A Avenida em que passeia o Brasil é rápida, apresenta um número pequeno de personagens para que a história levante vôo sem deixar a audiência perdida. Novos tempos até nos velhos sucessos.

A Fazenda 5 entra em cena com um desafio maior que enfrentou a 4. E certamente menor do que enfrentará a 6. O BBB já sofreu esse pênalti no 11, com respingos fortes no 12. Porque o público não gosta mais de esperar. O morno não serve mais. Demorou, zapeou. Perdeu, canal. As opções são muitas, a paciência pouca. E olha que essa geração ainda nem é o alvo principal da TV. Quem comanda o controle remoto da telinha, ainda é o baby boomer. Imagina quando a turma do X tomar posse definitivamente do controle remoto, e o Y invadir? Aí sim, a TV vai ter com o que se preocupar. E se a TV precisar se jogar para dentro do telefone, como quase tudo que se relaciona com mídia e comunicação está tendo que fazer? Navegadores? Pra celular. Páginas? Navegáveis em dispositivos móveis (e esse é um problema nosso também, já que a Artigolândia pesa nos dispositivos). Tudo precisa entrar nos famigerados aparelhinhos de bolso. E é questão de tempo pra TV se obrigar a entrar lá também. De preferência, dinâmica, interativa, e claro, com horários flexíveis. Porque esse negócio de assistir um programa na hora em que a emissora quer... Ah, já era. Pendura o programa aí, tio, que eu acesso quando tiver um tempinho. Lá fora já está tudo liberado. Assiste quando quer. A grade já está na prateleira, é só escolher quando quiser. Tem que ser.

Na nossa copa do mundo, o folclórico  radinho de pilha só vai estar na mão do vovô. O resto da turma, vai ver o replay pelo celular. E se não gostar do que viu, vai jogar no facebook, twittar e começar uma revolução digital lá de dentro mesmo. Se bobear, até lá já vão ter inventado um protesto virtual efetivo (não essas conversas moles de hoje), uma invasão do campo com projeções de torcedores, ou algo que ainda não exista nem mesmo em filme de ficção. Volta e meia comento aqui que o reality é uma tentativa de tornar a novela mais moderna, de renovar o público. Quem sabe funcione. Claro, novela no Brasil é uma instituição sagrada, aparentemente inabalável. Mas o reality também vem bem. Quem tenta, se contenta. Mas tem que ser dinâmico. Não pode deixar a turma dormir não. Viu, Brito.