De simples não tem nada, essa nossa questão de sustentabilidade. É meio que um paradoxo, uma batalha entre qualidade de vida e economia mundial. É hoje, e sempre será, um tema polêmico e sem consenso. Tudo isso porque é caro. Muito caro. O planeta certamente não será sustentável com a população que vem aí. Não será. Isso é tão óbvio quanto  a propriedade de o planeta se defender. E vai. Porque a natureza sempre foi perfeita, e de indefesa não tem nada. Nós, humanos, nos achamos mais importantes e mais dominantes no planeta do que realmente somos.

Ontem estava assistindo ao resultado dessa função toda, de Rio e 20 e tal, e fazendo minhas observações. Enquanto isso vi uma propaganda qualquer, que dizia mais ou menos assim: A natureza não sabe se defender, e nós, inteligentes somos os únicos que podemos salvá-la. Aí, não concordo. Não somos tão inteligentes, e muito menos tão poderosos a ponto de o planeta não saber se defender. É óbvio, é claro, que não estou falando que devemos deixar de lado a sustentabilidade, e continuar detonando o planeta loucamente como temos feito. Tem que cuidar, justamente para ele não "cuidar" da raça humana da maneira dele. Não é o planeta que depende de nós. Nós é que dependemos dele. Nós não precisamos salvar o planeta. Nós precisamos é nos salvar, salvando ele. Porque se a gente não salvar, ele se salva. Mas aí, não nos salva. Porque o tempo dele é diferente, a força dele é diferente, e se ele quiser, nós somos indiferentes. Um assoprão aqui, uma tremidinha ali, uma lava fervente acolá, uma gelinho derretido a mais do outro lado. Deu. Acabou. A raça humana vai ter que começar tudo de novo. Isso se Noé voltar e recolher alguns exemplares, senão...

É meio polêmico esse texto, eu sei. Mas realmente acho que só podemos acabar com o planeta explodindo todo nosso arsenal nuclear ao mesmo tempo. Fora isso, ele assopra a raça humana em segundos planetários (que podem significar milhares de anos), e fica novinho em folha, em outros segundos planetários. Então eu acredito que a questão é nos salvar. Mas aí voltamos ao ponto do custo disso tudo. Porque o preço é alto. Não adianta achar que separar latinhas de banana podre vai salvar o planeta. E luzes com timer e carros elétricos. É óbvio que tudo isso é necessário, mas também é óbvio que isso é a lasquinha da ponta do iceberg. A sustentabilidade real implica em amassar as super-economias até cansar. Implica em custos, prejuízos, em brecar o crescimento da indústria, em onerar e muito a nossa vida já bem cara. O bicho papão americano vem aqui e sai de fininho, de ladinho. Isso porque é movido a cocô de dinossauro queimado. O mundo queima petróleo assim como o mar é salgado. A indústria faz a maior meleca e a gente joga nossa sujeira toda na água. E isso é difícil de mexer. É preciso admitir que o preço é alto. Tem que ser feito, claro, mas é muito caro. E o mundo já anda sem dinheiro, pelado, pelado, nú com a mão no bolso. Então, quem quer gastar 30 bilhões em sustentabilidade? Os caras não conseguem nem manter em pé os próprios bancos! Azar deles. Precisa ser feito. Certo. Mas quem o fará?

Nem repassei ainda, mas sei que o texto não ficou lógico, foi e voltou, e abordou questões diferentes e iguais por ângulos diferentes e iguais ao mesmo tempo. Não foi de propósito, mas não será corrigido. Porque esse tema é assim mesmo. Um paradoxo confuso. Queremos proteger o planeta, mas na verdade precisamos proteger ele para que possamos viver nele. Senão, ele resolve o problema dele e nós ficamos do lado de fora da festa. Aí a população precisa de muito PIB pra crescer como está crescendo. Porque tem gente saindo pelo ladrão desse planeta. Vai faltar tudo, pra essa gente toda. Vai faltar comida, água, vai faltar lata de lixo, pra tanto consumo. O mundo pra manter essa população, precisa ser muito mais rico, mas ao mesmo tempo precisa que esse PIB não amole ainda mais a vida verde e azul do planeta. Então precisa pagar o alto preço da sustentabilidade. Precisa brecar produções, gastar em tecnologias, parar de pegar atalhos e queimar cocô de dinossauro pra movimentar nossas máquinas rudimentares. Sim, porque somos rudimentares demais ainda.

Então é muito lógico que os países ricos não queiram pagar a conta. Porque teriam que financiar a sustentabilidade dos países pobres, e pisar com toda força no ABS da economia deles. A conta é cara, mas também é clara. O presidente americano que topar isso, será crucificado depois, mesmo sem que o povo americano saiba porque está fazendo isso. Vai ser verde e pelado. Mas os presidentes sabem, porque já fizeram essa conta. E sem Estados Unidos, a coisa toda não anda. Porque além de mais rico, é o mais poluidor. Aí ficamos nessa. Só não dá pra se enganar, e achar que a coisa é simples, e que não se faz porque não se quer. Mas é necessário? Ah, isso é. Porque a única coisa que a gente ainda tenta se enganar, é que temos que salvar o planeta. Os únicos que correm riscos aqui, somos nós. Porque o planeta pode se congelar todo, ou se incendiar todo, que depois ele se arruma e volta todo novo em alguns segundos planetários. Só que aí, amigo, irmão, camarada, nós é que não estaremos mais aqui pra escrever a história. A não ser que Noé..