Sempre que se fala em atentados, em terrorismo, é necessário saber que a questão pode ser absolutamente complexa. Ou, o contrário. Completamente simples. Vamos falar primeiro da simples. Pode ser apenas um lunático, um psicopata que com as facilidades atuais, aprendeu e acessou meios de causar um desastre. Um cara isolado, que assistiu muito filme, e somou pressão social, banalização da violência com uma cabeça doentia. Aí é uma coisa simples, porque maluco sempre aparece por aí. Uns com maluquices inofensivas, outras, não. Então pode ser simples, a explicação de um ato como o de Boston. Já que psicopatas acontecem.

Mas ela pode ser complexa. E aí, a história vai longe, é profunda, e nem sempre faz sentido. Porque o mundo do poder é cheio de artimanhas. E particularidades, e coisas que ninguém sabe. E poder maior, está entre países. É o poder que supera a ordem pessoal, regional, e orbita no cenário global. O poder de um país, é um emaranhado de assuntos sombrios, omissos, redes, intrigas, organizações que existem, e outras que nem existem. Mas atuam. É um cenário que não é brinquedo de criança. E nem fácil de entender, e nem lógico. Algo como os agentes duplos da guerra fria, que nem mais sabiam pra que lado trabalhavam. Acontece que essa construção de poder global, com todos os ingredientes que pouquíssimos conhecem, sempre tiveram seu custo. As vezes alto. E as vezes alto pra uns, e não pra outros.

Na construção dos grandes impérios, foram construídas alianças. E é sabido que todos os grandes impérios, e não estamos falando de um país, estamos falando de todos os grandes impérios, na construção dessas alianças precisaram tomar decisões. E partidos. E treinaram, e armaram. E volta e meia o jogo virava, e tudo ficava ao contrário, e tinha gente que era largada, ou abandonada, ou simplesmente ignorada, ou as vezes até traída. Então entender a guerra do terror, é algo bem difícil, porque é complexo. Mas em última instância, termina com um resumo cabal: É sempre um ato covarde, o tal terrorismo. O que não dá pra saber, é a motivação real. Não que justifique, porque nada justifica atacar inocentes. Nada. Isso é óbvio e fora de discussão. Mas o curioso é o esforço que essas pessoas fazem, pra atingir um país dessa forma covarde. Faz pensar, se toda essa rede complexa simplesmente não é tão simples como o modelo anterior, de uma simples psicose, uma doença coletiva que simplesmente passa de grupo em grupo, gerando toda uma doentia consciência coletiva, e tal. Ou não. É uma vingança por algum grupo treinado, que de amigo virou inimigo, ou algo que o valha. Porque essa turma muitas vezes morre junto, nesses atentados. É uma coisa forte, isso aí. Um ódio profundo, uma coisa meio que incontrolável, beirando o inexplicável. Bom, as guerras assim o foram. E o terrorismo nada mais é do que a guerra moderna.

Porque de forte mesmo, no mundo inteiro, só sobrou o Xerife. O Tio. O Tio Sam. Isso é fato, e nada pode com ele. Tanto que um maluco, que pode ter arma nuclear, mesmo aloprando por aí, não passa de piada que ninguém leva a sério. Porque todo mundo sabe que o cara tem um tiro só. Provavelmente nem isso. É ele apertar o botão, que o país dele vira pó em questão de horas. Sobra é nada. Não tem como guerrear com o Xerife. Aí, que os inimigos do Xerife usam a guerra moderna. Que é covarde, mas não é muito diferente de todas as outras. Porque nas guerras antigas as bombas caiam no meio das cidades, e matavam todo mundo, e matavam todos os inocentes. Ocorre que agora não tem como fazer guerra contra o Xerife, só dá pra fazer terror. Aí a gente assiste essa loucura aí, de bombas explodindo no meio de qualquer lugar. Não é terror. É guerra. É guerra moderna. A única guerra que o Xerife não pode estalar os dedos e esmagar os adversários. Porque é difícil de achar, e de encontrar. São guerras que já vem de anos, de décadas, que talvez a gente nem saiba quando começou, porque começou, e muito menos quem começou. O fato é que elas sempre estiveram por aí. Dá não, pra acreditar que vivemos em uma era de paz. Seguimos na guerra, mas aquela guerra moderna, que precisa ser escondida, pra não terminar com um território inteiro transformado em pó radiativo.