Naquele dia acordei tarde. Não estava de férias, não havia saído na noite anterior, mas o clima era de ressaca, física e mental. Poucos dias antes, havia me graduado. Estava formado, finalmente. Mas a ressaca não era de cansaço de provas e trabalhos, era mesmo da organização da formatura. Alguém aí já foi da comissão de formatura? Então. Quem foi sabe. A ressaca é sempre grande. Então acordei de ressaca. Era tarde da manhã, ou cedo da tarde, não lembro. Mas acordei amassado, caminhando meio torto, daquele jeito de ressaca que todos conhecem. Não de bebida porque nessa época já não bebia mais nada. É, eu não bebo. O silêncio no apartamento parecia ser diferente, mas não era. Era igual a qualquer dia. Aí me joguei no sofá, daquele jeito. Atravessado, amassado, peguei o controle de TV e cliquei. ON.

Algumas vezes tenho essa sensação, de que os músculos da face são mais espertos que eu. Poucas vezes, eu juro. Mas aquele dia, tive essa sensação. Franzi os olhos, joguei a cabeça para trás, e então abri bem os olhos. Só então percebi o que os meus músculos faciais já haviam percebido: Dois símbolos estavam em chamas. As torres gêmeas ruíam, desmoronando com o símbolo de Wall Street, do capitalismo, do poder econômico americano. Quanto mais as torres queimavam, mais em chamas ficava o segundo símbolo: Os Estados Unidos da América. O Xerife do mundo, o país todo poderoso, a super potência inatingível, o super país que reconstruiu outros tantos após guerras, e que nunca teve uma guerra (externa), em seu próprio território. Pasmo, ouvia o repórter. Ou a repórter. Nem importava quem falava, nem o que falava. Só importava saber se de fato estava acordado, se de fato alguém havia cravado um punhal no coração financeiro do país mais poderoso do mundo, ou ainda era efeito da ressaca...

Uma década depois, algumas guerras depois, finalmente o mentor do maior ataque terrorista destes tempos, é capturado pelo governo americano. Osama Bin Laden, o milionário que atacou o coração e furou o bolso americano, é encontrado e morto pelas forças americanas. Um dia para lembrar, e ajudar a esquecer. Um marco, ou o reinício de um período difícil? Alguns dizem que alvejar, matar e jogar no mar, poderia desencadear outra reação terrorista. Outros garantem que foi feita exatamente a política da cartilha. Deu levou. Matou, morreu. Alguns povos protestaram, a maioria dos povos comemoraram, alguns outros ainda pouco declararam. Após quase uma década de Bush, o presidente medíocre que tudo apostou na guerra ao terror, coube a Obama, pegar Osama. Alguém teria sangue frio de prender, julgar e condenar? Ou todos matariam e jogariam no mar?

Nesse mundo em que quase tudo acontece, aquele 11 de setembro foi um dos dias mais inacreditáveis destes últimos anos. Milhares de vidas tiradas, injustamente. Injustamente, diga-se de passagem, assim como todas as vidas civis retiradas nos bombardeios das guerras do Petróleo, executadas pelo próprio Tio Sam e suas tribos. Muitas guerras pelo ouro negro, muitas vidas inocentes também estão na conta americana. Mas no dia 11, um império era ferido, um gigante combalido. Quase 10 anos depois, um país inteiro comemora a morte do mentor malfeitor. Tantos inocentes, tantos mistérios na superpotência absoluta, dos segredos e dos secretos. No país das inteligências, do super exército e das agências. Claras, escuras, obscuras. Algumas tão secretas que nem chegam a existir, que ninguém mais sabe, nem lembra, não há nem como saber se é ativa ou não. Chegou ao final a maior caçada dos novos tempos. Obama não foi preso e subjugado, humilhado e condenado como assim foi Saddam Hussein. Não houve sangue frio, para aguardar por isso. Osama foi morto, posto e jogado ao mar. É o que diz o Tio Sam, e seu porta-voz Obama. Caiu Osama, pelas mãos de Obama. Mas caiu como deveria, ou caiu provocando ainda mais os inimigos invisíveis do terror?

"Mas, esta noite, mais uma vez lembramos que os Estados Unidos podem fazer tudo a que se determinar fazer."

O Xerife do mundo, voltou. Ele está de volta.

 

 

Imagens: Portal Terra