Há futebol, depois do Brasil.

Ainda de ressaca, ainda tentando entender e digerir a nossa desclassificação, naquele jogo estranho, sem muita emoção e poder de reação, acompanhamos nossos simpáticos vizinhos uruguaios. E eles viveram o grande momento desta Copa, pelo menos até aqui. Não de jogo fantástico, de gols inacreditáveis, ou de lances geniais. Mas daqueles momentos que fazem do futebol o grande esporte. Aquele momento em que tudo mundo, tudo vira, e por um segundo, se passa da derrota a vitória. 1x1 em tempo normal, a prorrogação é franca, aberta, ataque de cá, ataque de lá, confrontando em cheio a falta de reação do Brasil de algumas horas antes. O jogo estava aberto, e no último lance, no último segundo, Luis Suárez ataca de goleiro em cima da linha, salvando o que seria praticamente o golden gol de Gana. Não havia tempo de mais nada.Ou havia? Havia. Pênalti no poste, jogo terminado. O melhor jogador de gana perde a penalidade máxima no último segundo de jogo, perde a classificação do último africano da Copa. E volta, minutos depois, na decisão por pênaltis, para bater primeiro por Gana. O mesmo jogador, que errou no derradeiro segundo, é o primeiro a bater na jabulani. Coragem. Muita coragem. Ele faz. Mas Gana perde. Com duas defesas, o goleiro uruguaio coloca seu país nas semi-finais da Copa do Mundo de 2010. No jogo mais emocionante da Copa. Até aqui.

No jogo dos campeões, dos favoritos, dos grandes, em jogo poderia ser perfeitamente uma final, a poderosa Alemanha impõe uma queda que nem os mais fanáticos alemães esperavam. Quatro a zero. Goleada. Caiu goleado, o time de Don Diego.

Sem Messi brilhando, o organizado e eficiente time alemão jogou melhor o tempo todo, dominou praticamente todo e jogo, e deixou a Argentina com um gosto humilhante na boca. Um dos grandes favoritos, levar quatro, é demais para qualquer seleção. E foi ao natural, sem jogadores expulsos nem fatos que pudessem desequilibrar o jogo. Caiu mais um gigante, caiu a seleção que mais tocou flauta na nossa eliminação. E com o Jagger vendo o jogo, não resta dúvida que ele torcia pela Argentina...

Don Diego? Resta saber, se um dos melhores jogadores de todos os tempos, mas que a exemplo de Dunga talvez não tivesse experiência como técnico para comandar um dos favoritos em Copa do Mundo, só resta cumprir a promessa, e ficar pelado no Obelisco de Buenos Aires. Vai pintando Alemanha e Holanda, vai pintando uma final que permite um campeão inédito, e quem sabe não está na hora de um evento desses, só para deixar clara máxima-clichê que "não existe mais bobo em futebol". Será? Nessa caso, vou de laranja.

Segue a Copa, para eles. Alemanha e Holanda, meus finalistas. Uruguai e Espanha ou Paraguai. Porque nós, já vuvuzelamos.

Imagens: Portal Terra