Na última rodada das quartas, nesta semana decisiva para a Copa da África, algumas coisas chamaram a atenção nas seleções. Além de um razoável equilíbrio, que permitiu que seleções em princípio de menor expressão complicassem e desclassificassem muitos dos grandes, a globalização do futebol mostrou uma face bem interessante. As seleções de hoje são praticamente internacionais, no fiel sentido da palavra. Poucos são os jogadores, e isso vale apenas para os campeonatos mais ricos, que atuam em seus países, que jogam seus campeonatos nacionais, e portanto obedecem a escola de futebol de seu país natal.

Esse fato acaba ficando bastante evidente, e influenciando no modo de jogar de cada selecionado, além do fato de alguns países terem muitos importados nos seus times. Um italiano famoso, ao comentar a vitória na última Copa, brincou: " E ganhamos com um time de italianos!" Isso foi uma clara provocação para a França, que havia vencido a Copa anterior com um time mais importado do que de franceses. Desde seu craque, o argelino Zidane, passando por muitas outras posições, a França campeã era um mapa mundi. Trazendo para a Copa atual, a seleção que mais tem mostrado eficência em 2010 é a Alemanha, onde todos apontam a mudança na maneira de jogar do time. Pudera, lá jogam brasileiros naturalizados e outros descendentes, fato que se repete em várias outras seleções. Esses dois fatores, a atuação do jogador desde cedo (e cada vez mais cedo) fora do seu paíse de origem, e a entrada de muitos jogadores de outras nacionalidades nas seleções globalizou o futebol. E globalizou forte, a ponto de estarmos perdendo a referência de como um país joga bola. As novas gerações de atletas são influenciadas pelas escolas onde se formam, onde jogam, e isso não obedece mais a lógica do país de origem.

Com um brasileiro indo jogar na europa aos 16 ou 18 anos, como se pode dizer que ele joga pela escola brasileira? Não joga. Ele é um europeu em campo. Ah, mas existe a característica da nacionalidade... Até que ponto? Até onde a genética de um país interfere na sua maneira de jogar, frente ao modelo de futebol onde ele se desenvolve e atua? E mais, com tantos jogadores "importados" pelas seleções, essa mistura fica ainda mais fortalecida, e teremos uma tendência cada vez maior do futebol homogêneo nos selecionados. Qual a idade média que um jogador deixa seu país rumo ao rico futebol europeu, ou do oriente médio? Qual a influência que ele tem até então, e como ela será modificada pela escola de futebol onde ele atuará? Essas perguntas trazidas para a realidade brasileira pode ajudar, de certa forma, a responder a pergunta que marcou essa Copa para o Brasil: Onde foi parar nosso talento, nossa criatividade, onde foi parar o futebol brasileiro?

Pois é, onde joga hoje o futebol brasileiro? Quantos jogadores da seleção atuam na nossa escola hoje? Qual sua influência? Qual a sua escola de futebol? Talvez respondendo a essas perguntas, fique mais fácil entedermos porque as seleções estão mais equilibradas, o futebol esteja mais parecido, e se o país não for um iniciante em futebol, logo terá toda sua seleção jogando nos campeonatos mais ricos do mundo. E lá, nos países de campeonato mais rico, como por exemplo a Itália, jogam tantos craques importados, que não mais espaço para que surjam craques nacionais. è, é tempo da internacionalização das seleções... É a globalização do futebol...