Então começou a festa do futebol. Após quatro longos anos na Itália, a taça vem mais uma vez se oferecer à seleção mais efetiva do planeta. Quem abre a festa é o anfitrião, a África, com suas cores, suas vuvuzelas e os mexicanos. Ah, os mexicanos. A Africa bem que tentou, quase fez sua parte. Muita festa, muita alegria, um belo gol, mas... Um empate abriu a Copa do Mundo de 2010. A Copa da África. Primeiro jogo, estréia, mas talvez um risco grande demais aos donos da casa, pois o grupo A, o primeiro, o cabeça, o dos donos da casa acaba tendo outro empate, e equilibrando mais ainda o grupo mais parelho da Copa.

A França, aquela França de Zidane, aquela que puniu o nosso Brasil duas vezes nos últimos anos, entrou tímida, entrou sem entrar, e foi lá se encostar, no zero a zero com os hermanos uruguaios. Mas se a França estava tímida, o Uruguai parecia até meio medroso, meio assustado, e concordou a pleno com o primeiro nada a nada da Copa da África. Eu esperava mais da França, mas na verdade, bem na sinceridade, melhor que ela se vá logo, aproveitando que esse grupo é equilibrado, porque não queremos os anfitriões da festa indo embora tão cedo... E nem os franceses colocando a toca mais uma vez na canarinho!

Entre Coréia do Sul e Grécia, que me desculpem seus torcedores, eu fico com as imagens da Copa. Essa será uma Copa colorida, um Copa alegre, de esperança, uma Copa que representa muito mais do que costuma representar. É uma Copa que alegra um país, um povo, uma continente, é uma Copa que significa mais do que apenas futebol. Não que futebol seja pouco, mas essa Copa tem mais, impacta mais aos seus anfitriões, e ainda oferece um palco neutro aos seus favoritos.

A Coréia do Sul fez mais do que prometeu, e deixou a Grécia com dois de prejuízo. E olha que a Grécia andou vencendo o europeu, e não faz tanto tempo assim! Já Gana e Sérvia fizeram um jogo morno, ninguém chutava, ninguém defendia. Ninguém mostrou que pode complicar gigantes, mas Gana ainda saiu na frente, e dá um passo importante para passar adiante. Lá da Argélia, direto para a Sérvia, um presentaço. O goleirão, que imagino deva ter outra profissão, tentou agarrar um bola que veio picando. Errou no fundamento. Picou, lá dentro do gol, e deixou a Eslovênia com alguma chance de seguir a frente. Este grupo, que ainda traz EUA e Inglaterra, não permite um frango desse porte. Esse frango deve ter selado o destino da Argélia de volta para casa, ao final da primeira fase.

É pelas mãos dele, que mais uma favorita chega ao mundial da África do Sul. Don Diego Maradona traz a sua patota, com direito a Veron e Messi, com direito a vitória sobre a Nigéria, com direito a jogão de Messi, com direito a jogão do goleiro nigeriano. A Argentina estréia bem, estréia com bola de quem pode chegar, de quem deve chegar, pelas mãos de quem sabe como chegar. Se a França chegou e não convenceu, a Argentina chegou anunciando que é sim candidata, com direito ao rei do futebol nacional deles, claro, de terno, apresentando à Copa do Mundo seu novo pupilo, Messi, a grande promessa dos jogos.

Mas a grande sensação da primeira semana da Copa foi mesmo a Alemanha. Os sempre favoritos alemães chegaram chegando. Acabaram com a pobreza de gols que andava rondando os jogos e tocaram logo quatro de uma vez na Austrália, que não pareceu ser assim tão fácil de ser goleada. Ou pareceu? Estou mais pelo mérito alemão. E a Alemanha é do tipo de time que não apresenta muitos altos e baixos, como os latinos, que fazem um jogão e depois despencam. Ou começam mal e depois vão lá na frente beliscar a taça. A Alemanha, quando vem, vem! E para mim, é o segundo grande favorito se habilitando, ao lado da Argentina.

Os ingleses, assim como a França, não exibiram futebol de campeão na estréia. Claro, isso não significa que nenhum deles pode chegar e levar. Mas que não largaram na frente, definitivamente não largaram. A Inglaterra não conseguiu levar vantagem frente aos seus filhotes da América, e o Tio Sam acabou complicando a vida dos ingleses, com a frangólica ajuda do goleirão inglês.

O goleiro inglês deve ter sido contatado pela CIA, pelo Birô 51, ou alguma agência espacial americana. O frango foi feio, muito feio, frango digno de marcar o goleiro para um bom par de décadas. E eu não sou de crucificar goleiro, porque quando jogava bola, era nessa posição mesmo que eu ficava. Mas frango como esse não tem jeito, tem que fritar! É a melhor receita! Frita, e serve, e o Tio Sam, que anda já há algum tempo complicando a vida dos seus adversários, agradece.

E amanhã é dia de Holanda, e é também dia da campeã Azzurra. Duas estréias de peso, de seleções de ponta que sempre estão entre os possíveis e prováveis campeões. A Holanda, que normalmente perde para quem acaba sendo o campeão vem com seu futebol técnico e bonito. E a Azzurra, bem, a Azzurra pode alcançar o Brasil este ano... Precisa dizer mais?

Imagens: Portal Terra