Com Dunga, sempre foi assim. Jogo duro, dividido, sem essa de entregar de graça. Quando Dunga assumiu a seleção, mesmo com a admiração que sempre tive, torcedor de Dunga e da "Era Dunga" que sou, não acreditei que ele chegasse lá. Pensei: É mandato tampão, mais perto da copa, entra um técnico mais experiente. Mas eu havia esquecido um detalhe. Dunga. O jogador que  ficou marcado em uma era sem vitórias da seleção, para depois levantar a Taça do Mundo na mesma seleção, não deixaria barato sua passagem no "banco de comando" da seleção canarinho. E Dunga chegou. Chegou na Copa, papando tudo antes dela, com jogo de resultado e mão na taça. E quer saber? Eu gosto é de time copeiro. Deixa o show para quem está na copa a passeio, eu quero mais é levar a taça para casa. Se tiver show, melhor ainda. Mas eu quero é a taça.

Então a Copa chega, e chega também aquele circo que já assistimos em outros anos, pirotecnia com os jogadores, exposição, notícia, notícia, notícia, quase esquecendo que a seleção está lá para jogar bola, e não para servir de garoto propaganda de mídia. Mas aí é que seu Dunga entra em campo. Começa o desejo habitual das entrevistas exclusivas fora de hora, com regalias e carteiraços, e está armado o grande circo canarinho. Dunga faz o Dunga, e divide forte com a principal rede de TV do Brasil, corta suas regalias, e enfrenta suas consequências. Há uma guerra brasileira na Copa, em plena Copa do Mundo, em um momento histórico onde um só homem enfrenta um império. Antes, um só havia tentado, e isso lhe custou uma Presidência da República. Só isso, custou a guerra pessoal de Leonel de Moura Brizola contra o Império. Agora é a vez de Dunga, que depois da Copa certamente será banido para nunca mais voltar para a seleção. Mas agora, em plena Copa, esse guerreiro não pode ser atingido. Pode ser atacado, mas não pode ser derrotado. Golias está amarrado, até o final do certame, enquanto uma multidão de brasileiros twitteiros ordena aos representantes do Império que se calem.

Nervoso, visivelmente estressado, com um dos olhos alterado, Dunga chama a briga, entra de carrinho na canela, e espera o troco do Império, que vem escrito às pressas em uma noite de domingo. O professor Felipão, mais um gaúcho de faca na bota como Brizola e Dunga, aconselha aos lados: É Copa, foquem no jogo que será jogado, porque uma derrota não terá só um culpado! Lá da Rua Cabeça de Área, Capitão Dunga quer sossego, quer blindagem, quer seus jogadores longe dos holofotes. Do outro lado do ringue o Império, que banca alto, que investe alto, e que precisa de notícia para consumir, precisa de jogador exposto, de declarações, de fofoca, de tudo que Dunga não quer oferecer dos seus filhotes. O império exagera, Dunga exagera e ofende bacana do império no ar, os jornalistas exageram e o Brasil compra a briga de um dos lados, enquanto devia estar fazendo pipoca e xingando algum juiz francês qualquer.

Agora, pode a FIFA achar o motivo que precisa para desestabilizar o Brasil, que já tem taças demais na prateleira. E podemos ter a criação de um novo evento alá "coisas na comida do Ronaldo" para estragar nossa festa. Portanto, embora seja bem fácil escolher um lado nessa queda de braço, o que interessa mesmo é ser campeão! Hei Capitão, bota a braçadeira e traz a taça! Hei Império, lê lá, no twitter, o que a geral quer, e "deixa o homem trabalhar"! E se os jornalistas não conseguem as exclusivas, e ficam sem ter o que contar, manda eles irem beber lá no bar do Dunga, na Rua Cabeça de Área 2010.

Imagens: Bar do Dunga