Claro que é um clichê. Claro que todo o ano, ele volta e volta, e dá mais duas voltas e volta de novo. Uma virada de página. Um novo livro, novas promessas, metas, proibições, e mudanças e tudo novo de novo. Ou nada disso, e só palavras. Palavras ao vento, como dizem os sábios orientais, lá do outro lado do planeta bola. Mas o que interesse é que todos se mobilizam, se declaram, se organizam, ou pelos menos tentam fazer isso. E essa tentativa por si só já é válida. Porque é uma espécie de botão da moda. Aquele botão, que toda essa nova geração nasce com, e que boa parte da a minha geração adotou um pequeno, e que as gerações anteriores dificilmente conheceram um. O restart.

A nova geração reinicia tudo com uma facilidade impressionante. Desde um estágio na empresa dos sonhos de toda a sua faculdade, até um namoro que até ontem era o amor da sua vida. Ontem. Não semana passada. A nova geração troca tudo mais rápido do que troca de roupa. Se for em noite de alguma festa pegada, com noite virada, troca realmente mais rápido do que troca de roupa. Mas, pro resto dos mortais, aqueles que não se sentem Super Heróis quase todo o tempo, para aqueles que não se sentem em condições de dobrar o tempo ou surfar em outras dimensões, é mais difícil de apertar o Restart com toda força. É mesmo. Para esses demais, o fim de ano é especial. Ele representa uma oportunidade quase única. A grande oportunidade do ano, de começar uma nova página, um novo volume, uma nova edição toda nova, com pouco ou nenhum compromisso com o passado. Ou com todo o compromisso. Aí, é cada um. Início de janeiro é assim. Diário novo. Linhas em branco. E cada um decide, se continua o que deixou lá no outro, ou passa e régua e vem com tudo novo. Bom início de ano gente boa. Um ano novo que vem diferente dos outros aqui na Artigolândia. Vem volume novo. Diferente dos outros inícios de ano... Pelo menos, no que se refere a passatempos, e letras e palavras, e artigos, e blá, blá, blá.