A Fazenda 3 chega ao seu final com uma sensação diferente, diferente das demais edições de realities desse formato, de relacionamento. A Fazenda 3 chega ao seu final com uma sensação de banho maria, de quase indiferença, de já que está, que se vá. Para quem acompanhou a guerra (sim, guerra, com direito a tudo o que uma guerra tem direito) do BBB 10, os belos duelos e tensões do Lado B do BBB 9, e até mesmo as confusões até o final do jogo das outras fazendas, nessa final, ao invés de ataque de nervos e dedos cansados, o que parece é que teremos expectadores comendo pipoca tranquilamente, apenas assistindo. Até o Hipertensão que tem outra proposta, estava gerando mais expectativa e torcida do que a grande final da fazenda. Se isso aconteceu em função dos grupos, ou em função do público, que optou por retirar todos que faziam barulho, não se pode ter certeza. Talvez pelas duas coisas, talvez ainda com outros ingredientes, talvez. O fato é que temos uma final leite morno, para uma edição que começou como milk shake.
As Condições de Contorno:
Um fator que pode ser decisivo em um reality show é formação da final. Já ouve reality com final de duelo, a última dupla sobrevivente, e já teve muito reality com final tripla. Fico com a dupla, que não deixa dúvida. Mas acima de tudo, fico com a regra clara. Não anunciar antes, ou durante o programa como será a final, é deixar para a produção um coringa na última rodada. Fran e Max que o digam, quase derrotados pela malandragem do Boninho. O artifício da divisão de votos de participantes aliados pode ser fatal para um campeão, ou custar um merecido segundo lugar, né Fran? As vezes pode gerar um não merecido segundo, né Fernanda? Essa carta, na mão de produção, nunca agradou, e espero que no 11 ela não seja tão importante. Porque na Fazenda 3, talvez ela seja. Com dois avestruzes próximos, Daniel e Lisi, brigando com a ovelha sobrevivente, Abreu, este último leva vantagem, assim como Luiza saiu em desvantagem, provavelmente sendo também votada por quem sempre a protegeu. Sorte da Lisi, provável prejuízo ao Daniel.
O Raio X dos Finalistas:
Daniel, o Kadu que inverteu. Ex avestruz, ex parceiro de Viola, ex seguidor do voto em massa, da caça-ovelhas do Mallandro, dos flertes de colegial com a Carol “provoca e sai”, o modelo bonitão que não ia chegar, chegou. Não é o perfil de vencedor, mas conseguiu emplacar uma final, e em uma edição em que não restaram grandes protagonistas (nem pequenos), talvez exista uma chance, ou um segundo lugar. Nos últimos momentos do jogo, Daniel apostou no coitadismo, na ex-mulher e filho distantes, no quero ser feliz, no velho por favor me consigam 2 milhões para que eu compre a felicidade de volta. Pouco jogo, pouca atividade, nada de protagonista.
Lisi, que não havia figurado nas roças durante todo o programa, agora ganha uma série sequencial de Raio X, sem novidades tal e qual seu jogo. Jogo? Razoável visão, pouca ação, e por final, uma restante reclusão. Lisi chegou, olhou, pensou, mas não jogou. Tirando uma ou outra jogada, nada protagonizou. Esquecida ficou, e teve seu mérito em se manter fora da mira, fora das roças, e fora da maioria das polêmicos. Méritos? No geral, quem não é visto, não é lembrado. E na final, é bom lembrar, o voto, é no lembrado, e não no esquecido. Se manter fora de tudo, ajuda a não receber voto de rejeição, o normal da eliminação. Porém, na final, quem virou samambaia, fica sem o milhão no bolso da saia.
Abreu, o ator mais conhecido da edição, que pouco mudou sua estratégia (ou a falta dela) durante todo o jogo, chegou na final depois de muitas roças. Ovelha amplamente roçada, seguiu praticamente toda a edição usando discurso pronto, sem confrontos diretos, e batendo na tecla da perseguição aos ovelhas. No pós grupos, não fez mais do que administrar uma confiança que crescia a cada retorno de roça, e chega na final confiante e dono da razão, exatamente como quando entrou no programa. Dos três finalistas, foi o que menos alterou o modos operandi, e parece ser o único com uma torcida um pouco mais organizada. Tem aquele jeitão meio prepotentão, mas dos 3 finalistas, ainda foi o que mais apareceu. Apareceu, mas não protagonizou, se levar a taça, vai ser por ator coadjuvante.
O Resumo da Ópera:
Compilando ovelhas, avestruzes e cinzas de coelhos, salgando, untando com margarina, temperando com caldo de galinha caipira, batendo no liquidificador, e servindo em banho maria, essa final tende a ficar polarizada entre os meninos. As meninas, que até a pouco pareciam estar se encaminhando para um bom resultado, ficaram representadas por uma participante apagada, e devem amargurar um doloroso terceiro lugar. A briga, deve ficar entre o galã de novela, e o modelo bonitão, contrariando a lógica do reality “concorrente”. Se é que se pode comparar BBB e Fazenda. Não. Mas é o que se apresenta, e se a dificuldade extra do Daniel, em ter uma participante aliada na final dividindo voto, vai decidir ou não, talvez seja a grande questão. Abreu é o que é, e foi o que sempre foi. Quem gostou, nunca desgostou, quem não gostou, nunca mais simpatizou. Daniel mudou, na era pós Viola se reinventou, e sobre mulher e filhos, se debruçou e chorou. O duelo final fica entre o coitadismo do quero ser feliz, versus a estratégia de não ter estratégia, o jogo do anti-jogo. Uma final até pobre, para um jogo que foi rico em brigas e discussões, mas sem grandes jogadas e jogadores. Um final sem emoção.
Deixando BBB e suas jogadas e jogadores para depois, e voltando para a Fazenda, simplificando o simples, trazendo a lógica do lógico, depois do ator Dado, da atriz Karina, deve vir mesmo, o ator Abreu. Na fazenda, o gato não comeu, nem surpreendeu. Ou surpreendeu?
Imagens: Rede Record de Televisão









