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Pena que não tenho tempo! Queria eu estar percorrendo os bares do Brasil. Quanto mais boteco melhor. Os botecos são a cara do Brasil. E o papo de boteco é a verdadeira voz do Brasil. Eu queria ouvi-los. Sentir o clima nos botecos. Queria mesmo “botequiar”.

As eleições ainda estão muito longe. Distantes urnas eletrônicas nos aguardam nos depósitos do TSE. E após nossa visita as urnas, são eles que as aguardarão. Os candidatos e suas urnas eletrônicas, exemplo mundial de eficiência. As urnas, naturalmente. Nossos candidatos, coitados, nunca tiveram necessidade de mentir tanto como o terão que fazer nesta eleição. Pobres candidatos.

Deputados e Senadores? Não vale a pena perder tempo com os Deputados. Eles são meros coadjuvantes na política nacional. Assim como os Senadores. No máximo proferem ruídos na TV, que quando ficam muito altos, o Superior Tribunal do Presidente emite algum “habeas ladrão” ou um “cala-te X9” e transformam suas CPIs no verdadeiro picadeiro dos palhaços tupiniquins. Coadjuvantes apenas.

Governadores? Governadores da República Federativa do Brasil. Federativa? Não, também não adianta perder tempo falando dos nossos queridos governadores. Alguns até tentam, mas amarrados, vitimados, sem dinheiro e reféns da concentração de riqueza federal, nada tem a fazer. Aliás, aos que tanto pregam a igualdade social, que na verdade querem dizer igualdade econômica, são os mesmos que centralizam todo o poder do Brasil, sua riqueza. Acredite no que eu digo, feche os olhos ao que faço!

E agora? Bom, já discutimos sobre o judiciário, onde se assiste a milhares de milhares de competentes e estudiosos bacharéis em direito estudando anos a fio para concursos que lhes garantam alto salário vitalício, estabilidade e poder. Certos estão eles. Em quase tudo. Erram no poder, o qual eles não terão. Poder só tem quem o presidente assim deseja, e assim nomeia, e assim manda no judiciário. Através do Tribunal Superior do Presidente da República Tupiniquim do Brasil. Mas porque mesmo falar de judiciário se estamos falando de eleições? Ah sim, porque vários dos Ministros do Supremo Tribunal de Justiça do Presidente serão candidatos a cargos políticos. Claro. Senão, porque estariam servindo ao Presidente? Escambo!

E o Presidente? A autoridade máxima do país! Já que estamos esgotados de ler, ouvir, ver e engolir o atual. Vamos pular para as próximas peças do tabuleiro. Que do sorridente sem cultura e sem várias outras coisas menos simpáticas de se dizer, não há mais anda a declarar.

Geraldo Picolé de Chuchu Alckmin. Como alguém que recebe um apelido desses se torna Presidente? Mesmo que do Brasil! (Pobre Brasil!). Mas é possível sim. Não só possível como provável. Me parece um bom cara. Não é simpático como o atual, não tem nada de carismático, como o atual, mas um bom governante. Qual é a triste história do Geraldo Picolé? A triste história do Picolé, é que o bico tucano era grande demais! Demorou a sair! A Serra quase o levou! A novela mexicana promovida pelo PSDB foi o programa de campanha do partido culto que não cria filhos. Os tucanos são os europeus da política brasileira, sabem fazer, são cultos, tem porte, tem pompa e tem circunstância, mas não sabem fazer filhos! É um partido de uma geração só! E esta acabando… Um com pontos nas pesquisas. Outro, preferido do Covas, dominando o partido internamente. E nisso, o atual disparou de novo. O Picolé derreteu, mas vai se recuperar. Resta saber se a tempo…

Anthony Populista Garotinho. Mais uma polêmica figura ilustrada na história política do Brasil. Ainda em dúvida se os senadores biônicos do atrapalhado PMDB o deixarão ser candidato, ou o mandarão de volta ao Rio. Menino do Rio. Garotinho do Rio. O PMDB tem feito fiascos homéricos Brasil afora. Desarticulado, cheio de caciques e nenhum índio, está ao mesmo tempo sentado no colo do Presidente ( ao lado não, no colo mesmo) e na oposição. O gigante sem cabeça. O último fiasco foi a prévia que não foi prévia, que aconteceu mesmo assim e não definiu nada, porque o critério também era uma piada. Cruz credo! Os senadores biônicos impediram a prévia. Sabe-se lá como o Tribunal Superior do Presidente mandou parar tudo. A prévia não valia, porque os homens do Presidente assim desejaram. Mas valentes, Rigotto e Garotinho foram as urnas internas. Depois de terminada a votação, a dúvida: O que fazer com um candidato que fez quase o dobro dos votos de outro, e perdeu as prévias que não eram prévias. Que confusão! O gigantismo tem seu preço. E ele passa pelo fiasco nacional.

Heloísa Radical Helena. São poucas as pessoas realmente admiráveis nessa campanha. Mas a Heloísa com certeza é uma delas. Absolutamente honesta, absolutamente fiel as suas convicções, corajosa e faca na bota! A Heloísa só tem um problema: O sistema de governo que ela acredita, já faliu no mundo todo, não funcionou, não funciona, e nunca vai funcionar, só é bonito no papel. Porque o papel, nós sabemos, aceita tudo.

E ainda vamos conhecer vários outros, de menos visibilidade, que vão ter o seu papel. Todos têm o seu papel. Um pequeno pra atacar, um pequeno pra proteger, um médio pra fazer o corta luz… Quem sabe até outro fenômeno Enéas! Mas que não fale em bomba nuclear, por favor! A política não é fabulosa? E os marketeiros? Ah, esses merecem um artigo exclusivo, mais adiante! Brasileiros e brasileiras… Prestem atenção no que eles dizem, mesmo que eles não digam nada.

Mas quer saber? Chega desse papo, eu vou é pro boteco!

Rico, rumo ao boteco!

O Brasil a Ferro e Fogo.

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É ferro. É fogo.

É básico. Todos sabem. Ninguém poda um arbusto indesejável em um jardim. Arranca-se ele com sua raiz, inteirinha. De nada adianta cortar uma folha ou outra, se é da raiz que ele renascerá.

Vejamos a crise das crises no nosso país. Alavancada pelos políticos que se tornaram os donos do poder justamente por passar a vida toda afirmando ser imunes as velhas práticas políticas eleitoreiras e governistas. Quanto mais folhas são arrancadas, mais se percebe o quão profundas são as raízes.

Mas o que se faz com essas raízes?

Quem já fez campanha algum dia em pequenas cidades pode ver mais de perto porque as coisas são assim. Com certeza já ouviu: “ Tudo bem, teu candidato é simpático, gosto dele, mas o que eu ganho com esse voto? Amanhã é domingo e ainda não tenho carne pro churrasco! Nem fiz o rancho do mês! Estou com a conta de luz atrasada! Ah sim doutor, eu troco o cartaz do outro candidato lá da porta da frente, mas tem que valer a pena né…”

Muitas vezes a mesma mão que bate é a mão que alimenta. Em muitos setores. Na política não é diferente. Quem é culpado, o político que arrecada fundos e costura manobras ou alguns eleitores que “trocam” seu voto?

Os dois. Os dois lados. Dois de dois, ou seja, todos. Não todos os componentes de cada lado, mas alguns. Alguns de ambos os lados. Culpados por corromper. Culpados por serem corrompidos. E ainda, os culpados por saber, e nada fazer.

A corrupção é a violência dos poderosos. O motivo pelo qual um político usa seu poder para outros fins que não o de trabalhar para o povo é o mesmo que leva um assaltante a puxar o gatilho por um tênis falsificado: A impunidade. Essa é a palavra chave para o Brasil.

O ser humano não é perfeito, está muito longe disso. É fraco, é suscetível, é “negociável”, “ajustável”, tem seu limite, e muitos seu preço. Alguns bem baratos, como promoção de final de feira. Claro que existem exceções, mas nem da pra saber se as exceções são os corretos ou os incorretos. Pode-se deduzir, mas não saber. O homem pode sucumbir. Uns menos, outros mais, outros ainda muito mais. Mas o que define mesmo isso é a impunidade. Se quem tem a tendência, e percebe a oportunidade, e sabe que nada acontecerá depois, fará. Se temer o que acontecerá depois, no mínimo pensará.

Mesmo nossas leis velhas, antiquadas e muitas vezes até ridículas precisam ser cumpridas. Mas quem manda nelas? Judiciário. Lindo, cheio de concursos, muito estudo e… Independência? Não. As autoridades máximas do judiciário são, (PASMEM!) escolhidas pelo presidente da república.
Ora. Vamos recapitular. Temos três poderes.O executivo, na figura do presidente. O legislativo, nas figuras dos senhores “com anel de doutor” (segundo definição da nossa atual autoridade máxima executiva), e o judiciário.
O legislativo está ao lado do executivo. Negociando, aprovando, trancando, articulando, as vezes sem mesada, as vezes com. Mas sempre ganhando alguma coisa para direcionar seu voto. Seja ilegalmente, seja “legalmente”, com aprovação de seu projeto, liberação de verba para sua região… Por que afinal de contas, sua região que o coloca lá! Como então liberar verbas e aprovar projetos que beneficiem seus eleitores, se volta e meia não aceitar uma barganha do executivo, necessitado de seu voto para suas aprovações… Há independência entre legislativo e executivo? Nem de longe.
Ah, mas o judiciário é independente, os caras nem negociam com os outros poderes! Sim. Seria ótimo. Se o poder judiciário não tivesse como comandantes ministros. Ministros, escolhidos pelo presidente da república. Opa! Como assim? Assim mesmo. O poder judiciário tem como chefes, pessoas indicadas pelo executivo. Independência? Rá, rá, rá.
Vivemos numa monarquia democrática, mas ninguém nos avisou… E o pior, nossos comandantes há muito não se perguntam: “Que rei sou eu?”.

O Brasil precisa de ferro e fogo!
Todos precisam saber que se não andarem na linha, a linha os cortará.

Ninguém vai querer superfaturar uma obra pública, sabendo que na cadeia não se pode comprar nem uma pizza! Pizzas! O prato preferido dos três poderes. Opa, três? Ou um?
O cinto de segurança existe há muito. Mas só começou a salvar vidas quando teve custo pra quem não usasse. Quem sabe as leis não começam a ser cumpridas, caso se tenha certeza do custo de ignorá-las!

É possível acabar com a corrupção?
Não!
Sempre haverá. É a natureza humana em exercício. Mas podemos suportá-las em níveis “aceitáveis”, banindo um ou outro que se aventura.
Como?
Punindo, prendendo, banindo da política. Arrumando as leis que mandam prender sem fiança quem mata um passarinho a bodocadas e que soltam assassinos condenados em meia dúzia de anos. Quando são presos.
E o povo aquele que troca churrasco por voto, deveria saber, quanto custa ao país, que é dele, aquela carninha de domingo…

Por que da maneira que estamos, logo, logo quem não vai aceitar as pessoas de bem, moralistas chatos e corretos, são os corruptos, covardes e ladrões!

Brasil?
Sim, mas só a Ferro e Fogo!

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