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É caldo

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Dizem que sou meio bairrista. Eu até confesso algumas vezes, discuto outras, mas o fato é que depende. Depende da situação. Se defender você mesmo, sua cultura, sua casa, sua família e sua terra é ser bairrista… Sim, aí sou bairrista. Agora, quando dizem que o pôr do sol do Guaiba é o mais lindo do mundo, ah, aí eu não sou bairrista mesmo! Essa é uma das maiores idiotices que ouvi sobre Porto Alegre até hoje. Mais que isso só alguém dizendo que essa é uma cidade turística. Aham. Turística. E tem muitas outras dessas, afirmações alucinógenas que ecoam campo afora.
E um dos apelidos carinhosos que a Capitolândia recebe no verão é Forno Alegre. Isso também, de certa forma eu considerava um apelo parecido com o pôr do sol do Guaiba, porque afinal, são tantas as capitais mais quentes… Me parecia uma forçada de barra injustificada, típica de bairrista que acha que a sua cidade tem tudo, é onde acontece tudo, onde tudo é melhor e mais bonito, enfim. Então essa semana o tempo esquentou aqui pelo Sul. Esquentou, e esquentou pra valer! Ontem, 3 de fevereiro de 2010, tivemos a “honra” de poder oficializar, sem bairrismo nenhum, o apelido Forno Alegre. Precisamente as 11:22, Porto Alegre era a capital mais quente do mundo! Vou repetir, a capital mais quente do mundo! O site americano especializado no assunto, o AccuWeather registrou e divulgou esse transtorno da natureza. Ora, Porto Alegre é uma cidade de quatro estações, tem invernos rigorosos, e chegou a esse ponto no verão?

A sensação térmica foi superior a 44° C, teve comentarista de futebol que simplesmente apagou em pleno estádio devido ao calor. Por toda a cidade os termômetros extrapolaram números desconhecidos para os gaúchos, conhecidos pelo inverno rigoroso. Não contente com a força do sol, ainda tivemos o prazer de conhecer a madrugada mais quente desde o início das observações, em 1910. Esses 34° aí do lado são da Rua da Praia, antes do dia amanhecer! Caldo pouco, é brincadeira! Quero ver alguém vim aqui dizer, que lugar de gaúcho é no meio da neblina e zero grau! O ar queima, o sol frita, sem ar condicionado o cérebro não funciona, e não tem nem como pegar o cavalo e rumar à outro rincão, sob pena de virar gaúcho assado em brasa.

Forno Alegre, apelido certificado, e sem bairrismo algum. E ainda tem gente que diz que o aquecimento global é pirotecnia midiática. Uhum. Sela o cavalo e vem pra cá, então.

Avisos…

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Demorei.

Demorei para escrever sobre o Haiti, porque esses fatos me enlouquecem. Não posso nem mesmo ler muito a respeito, porque saio do sério. Terremotos tem acontecido ao longo da história, é verdade. Catástrofes naturais sempre aconteceram, é verdade. Agora sabemos muito rápido de todas essas coisas, é verdade. Mas apesar de tudo isso, está diferente. Esse tipo de acontecimento está sim, diferente. Eles ocorrem semanalmente. Trocam de país, de povo, mas acontecem. Alteram as porporções e consequências, mas acontecem semanalmente. E chega cada vez mais perto. Não de mim. De todos. Porque como pipoca na panela, não se sabe qual a próxima a estourar. Não se sabe qual a próxima cidade que vai ser alagada, que vai tremer, que vai queimar com temperaturas absurdamente altas, ou que vai congelar inteira a ponto de quase parar tudo. Não se sabe qual ponte o rio vai levar, ou qual praga nova vai aparecer.

Os sinais não cansam de chegar, e nós não cansamos de ignorar. E o Haiti que já era um país em delicadíssima situação, com uma história complicada demais, está agora completamente destruído. E o mundo ainda não se deu conta, nem os governos, nem as cidades, que a defesa civil, o exército e tudo mais que temos disponível em termos de apoio precisa ser treinado, equipado e estar alerta para ajudar o mais rapidamente possível os futuros soluços da natureza. Porque na redenção, pelo menos a médio prazo, eu já não acredito mais. Os soluços do planeta vão continuar, e nossas cidades irão sim ruir, um pouco cada uma, uma de cada vez. Nada de fim do mundo. Mas o fim de muitas pessoas, e de seu mundo.