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As escadas vão rolar..

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De certa forma estava ansioso, não posso negar. Afinal de contas, era um território novo, pessoas novas, casa nova… Eu e meus 16 anos no primeiro dia de cursinho.

Chovia. Recomendações, lotação, e chegava eu ao cursinho. Na verdade uma revisão de menos de 30 dias, antes do vestibular. Um dos meus melhores amigos estaria na mesma sala. Viemos os dois lá da Interiorlândia, direto para a Capitolândia do Estado. Na Capitolândia é que estava a maior e melhor universidade do estado, uma das melhores do país também. Queríamos nosso lugar por lá. Mas chovia… Nossa sala era na matriz do cursinho, no centro. Mas tinhamos que subir uma escada, grande, alta, estreita…

A aula foi boa. Mais do que revisar a matéria, serviu para transmitir confiança. Apesar de um segundo grau muito forte, numa escola aplicação de uma universidade local, com aula em turno integral e média 8,0… Tínhamos medo. Conquistar uma vaga na toda poderosa Universidade Federal da Capitolândia era uma tarefa muito difícil. Mas tinha muito Capitalino falando besteira na aula. Dava pra encarar a concorrência. A moral subiu. A aula andou e terminou.

Saímos eu e meu grande amigo, Cresponildo, falantes, animados, olhando tudo e comentando tudo e mais um pouco. Então veio a escada. Molhada, alta, de ferro, lisa, imponente e traiçoeira. Todas as salas do cursinho liberavam ao mesmo tempo, não menos de 500 alunos circulavam no pátio do cursinho. Atentos, curiosos, afinal era o primeiro dia de aula!

Aí rolou. Rolou magnificamente. Não dois ou três degraus. Rolou quase toda escada. Parte de bunda. Parte rolando. Que tombo! Que “pialo”! A escada de metal proporcionava uma trilha sonora para o movimento ora de bunda, ora com movimentos de rolagens que não cessavam… 500 olhares que oscilavam entre a surpresa e o riso se voltavam para a movimentação, enquanto os que desciam a escada na frente do rolo compressor se apressavam em sair da linha de fogo! Eu, um passo atrás do Cresponildo não sabia se corria para tentar ajudar, se sentava e ria, ou se continuava fazendo o que estava: Olhando, arregalado aquele tombo impressionante e pensando… Bem, nossa moral que tinha subido durante a aula, acaba de descer, rolando, pelo menos uns 200 degraus…

Artigolando.

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-Ei, o que você está fazendo?
-Estou blogando.
-Hã?
-Blogando, eu tô blogando!
-Ah bom! Tô twittando.
-Twittando?
-É, tô twittando.
-Tá bom, twitta aí, que eu blogo aqui.
-Falou.

Então eu pensei: Será que sou blogueiro? Daí eu rodo aqui pelo mundo da blogolândia. Daí vejo fotos e pequenos textos. Bem pequenos. Daí eu penso: Será que sou artigoleiro? Porque artigo é mais extenso?

Ninguém tem tempo de ler. Nem saco. Daí nasceu o twitter. Ah bom! Twitter parece um mini-blog que vai onde você está. É a idéia pelo menos. Ou deveria.Tá bom. Qual a diferença mesmo? Tamanho? Conceito?

-Tô blogando! Tô blogando!
-Tô vendo, to comentando.
-Comentando o que?

-Ah, to aqui comentando, tem um cara que não sabe o que ele escreve, quer dizer, não sabe o nome do que ele escreve. Quer dizer, ah, mané indecisão! Tô comentando. Ele escreve e tô comentando.

-Legal, comenta aí que eu tô blogando!

Então eu continuo pensando: Ah, o twitter é pra jogo rápido. O blog pra jogo mais demorado. Quanto demorado? Tem blog mais foto do que poesia. Tem blog mais poesia do que foto. Tem blog sem foto nem poesia. Tem blog que nem tem! Tem nem que nem tem blog!

Mané pensando! E lá isso é coisa de se pensar? Não é pra pensar! Twittando, blogando,qualquer coisa -ando a idéia é sempre a mesma: Povo todo se expressando!

Ah, legal, entendi. Segue aí twittando, que eu vou blogando, e o cara lá que não sabe o nome do que ele faz, ele que vá artigolando!!!!