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Esse tal 2013…

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Todo mundo está histérico.

Via de regra, é a melhor definição para um final de ano. As vezes até os motivos são diferentes, bem diferentes. Mas o resultado é quase sempre o mesmo. Agito total, correria total, cansaço total, e as vezes até stress total. Muitas vezes. O fim de ano tem essa coisa toda, de sensação de virar a página, de oportunidade de se organizar, de momento de tudo. Ano que vem isso, ano que vem aquilo… É a renovação das metas, das promessas, das bobagens e das enganações, também. É meio que a hora de tudo. E sobretudo, é um dos momentos que a adrenalina baixa. E quando essa gasolina do novo mundo on line / just in time baixa, o resultado do ano todo aparece.

E ainda tem a coisa toda do final do mundo. Claro que pouca gente acredita nisso e tal, mas é mais um elemento, somado às tempestades, colapso da energia e das grandes cidades. A histeria coletiva pega forte. Porque o que querem sair de férias precisam desovar tudo pra quem fica, pra poder desligar o celular. Quem fica não quer pegar mais nada porque pretende liberar a agenda e entrar 2013 com a cancha limpa pra novos desafios, e tem a turma que só quer se mandar pra praia tomar cerveja, doa a quem doer.

De forma, sistemática, tenho escrito nos últimos anos que esse é um momento. Nem importa muito qual a crença e tal, mas é um momento de trocar de calendário, e talvez até planejar o próximo ano. Só aí, já reside uma oportunidade. Porque no mundo on line, parar um pouco é coisa rara. No mundo corporativo das reuniões, ou na cada vez mais dinâmica vida do casal. Como tudo mais, tem vários lados. E o bom é a oportunidade. Carpe Diem.

Só não vale cair na histeria coletiva. Deixa o vizinho pirar sozinho, o colega dar piti de graça. O grande lança é surfar na onda do fim de mundo, e abraçar o calendário novo com a prancheta na mão. Redesenhar o novo ano, o que é muito clichê, mas ainda assim é um bom momento pra isso. Na verdade, é um momento como qualquer outro. Mas como o “qualquer outro” anda sinucado entre reuniões e ipads, e tablets, e celulares e tudo mais, tá valendo esse momento. Bem ou mal, uns poucos dias, quase todos conseguem respirar. Com sorte, um ar diferente. Aí, vale levar uma prancheta virgem pra desenhar as curvas de 2013. Porque o arquiteto das curvas se foi, mais de um século depois.

Bora lá, então, encarar 2013. Dia 21 já está no fim, acabar como o previsto, não acabou, mas a briga é eterna. Quem cochilar, perde a touca. Vira a página, troca o calendário, faz de conta que tudo vai mandar, rabisca o plano novo de novo, porque só isso já valeu. Somos movidos pelos objetivos que traçamos. E como andamos histéricos por aí, escravos das maquinetas que nos fizeram parecer resolvedores instantâneos de problemas, os velhos clichês enganadores de “agora vai ser diferente” podem funcionar perfeitamente bem. Para nos lembrar do que deveríamos fazer sempre. A oportunidade está aí. Faz de conta que é a Arca de Noé, e embarca. E não esquece a prancheta.

Boas Festas povo feliz do novo mundo que não acabou.

Rio – 20

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De simples não tem nada, essa nossa questão de sustentabilidade. É meio que um paradoxo, uma batalha entre qualidade de vida e economia mundial. É hoje, e sempre será, um tema polêmico e sem consenso. Tudo isso porque é caro. Muito caro. O planeta certamente não será sustentável com a população que vem aí. Não será. Isso é tão óbvio quanto  a propriedade de o planeta se defender. E vai. Porque a natureza sempre foi perfeita, e de indefesa não tem nada. Nós, humanos, nos achamos mais importantes e mais dominantes no planeta do que realmente somos.

Ontem estava assistindo ao resultado dessa função toda, de Rio e 20 e tal, e fazendo minhas observações. Enquanto isso vi uma propaganda qualquer, que dizia mais ou menos assim: A natureza não sabe se defender, e nós, inteligentes somos os únicos que podemos salvá-la. Aí, não concordo. Não somos tão inteligentes, e muito menos tão poderosos a ponto de o planeta não saber se defender. É óbvio, é claro, que não estou falando que devemos deixar de lado a sustentabilidade, e continuar detonando o planeta loucamente como temos feito. Tem que cuidar, justamente para ele não “cuidar” da raça humana da maneira dele. Não é o planeta que depende de nós. Nós é que dependemos dele. Nós não precisamos salvar o planeta. Nós precisamos é nos salvar, salvando ele. Porque se a gente não salvar, ele se salva. Mas aí, não nos salva. Porque o tempo dele é diferente, a força dele é diferente, e se ele quiser, nós somos indiferentes. Um assoprão aqui, uma tremidinha ali, uma lava fervente acolá, uma gelinho derretido a mais do outro lado. Deu. Acabou. A raça humana vai ter que começar tudo de novo. Isso se Noé voltar e recolher alguns exemplares, senão…

É meio polêmico esse texto, eu sei. Mas realmente acho que só podemos acabar com o planeta explodindo todo nosso arsenal nuclear ao mesmo tempo. Fora isso, ele assopra a raça humana em segundos planetários (que podem significar milhares de anos), e fica novinho em folha, em outros segundos planetários. Então eu acredito que a questão é nos salvar. Mas aí voltamos ao ponto do custo disso tudo. Porque o preço é alto. Não adianta achar que separar latinhas de banana podre vai salvar o planeta. E luzes com timer e carros elétricos. É óbvio que tudo isso é necessário, mas também é óbvio que isso é a lasquinha da ponta do iceberg. A sustentabilidade real implica em amassar as super-economias até cansar. Implica em custos, prejuízos, em brecar o crescimento da indústria, em onerar e muito a nossa vida já bem cara. O bicho papão americano vem aqui e sai de fininho, de ladinho. Isso porque é movido a cocô de dinossauro queimado. O mundo queima petróleo assim como o mar é salgado. A indústria faz a maior meleca e a gente joga nossa sujeira toda na água. E isso é difícil de mexer. É preciso admitir que o preço é alto. Tem que ser feito, claro, mas é muito caro. E o mundo já anda sem dinheiro, pelado, pelado, nú com a mão no bolso. Então, quem quer gastar 30 bilhões em sustentabilidade? Os caras não conseguem nem manter em pé os próprios bancos! Azar deles. Precisa ser feito. Certo. Mas quem o fará?

Nem repassei ainda, mas sei que o texto não ficou lógico, foi e voltou, e abordou questões diferentes e iguais por ângulos diferentes e iguais ao mesmo tempo. Não foi de propósito, mas não será corrigido. Porque esse tema é assim mesmo. Um paradoxo confuso. Queremos proteger o planeta, mas na verdade precisamos proteger ele para que possamos viver nele. Senão, ele resolve o problema dele e nós ficamos do lado de fora da festa. Aí a população precisa de muito PIB pra crescer como está crescendo. Porque tem gente saindo pelo ladrão desse planeta. Vai faltar tudo, pra essa gente toda. Vai faltar comida, água, vai faltar lata de lixo, pra tanto consumo. O mundo pra manter essa população, precisa ser muito mais rico, mas ao mesmo tempo precisa que esse PIB não amole ainda mais a vida verde e azul do planeta. Então precisa pagar o alto preço da sustentabilidade. Precisa brecar produções, gastar em tecnologias, parar de pegar atalhos e queimar cocô de dinossauro pra movimentar nossas máquinas rudimentares. Sim, porque somos rudimentares demais ainda.

Então é muito lógico que os países ricos não queiram pagar a conta. Porque teriam que financiar a sustentabilidade dos países pobres, e pisar com toda força no ABS da economia deles. A conta é cara, mas também é clara. O presidente americano que topar isso, será crucificado depois, mesmo sem que o povo americano saiba porque está fazendo isso. Vai ser verde e pelado. Mas os presidentes sabem, porque já fizeram essa conta. E sem Estados Unidos, a coisa toda não anda. Porque além de mais rico, é o mais poluidor. Aí ficamos nessa. Só não dá pra se enganar, e achar que a coisa é simples, e que não se faz porque não se quer. Mas é necessário? Ah, isso é. Porque a única coisa que a gente ainda tenta se enganar, é que temos que salvar o planeta. Os únicos que correm riscos aqui, somos nós. Porque o planeta pode se congelar todo, ou se incendiar todo, que depois ele se arruma e volta todo novo em alguns segundos planetários. Só que aí, amigo, irmão, camarada, nós é que não estaremos mais aqui pra escrever a história. A não ser que Noé..