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Uma final inteira, todinha, inédita. Uma final de novato, contra um país já finalista mas nunca campeão. Os resultados já mostravam, durante a Copa, e aqui comentamos muitas vezes que pelo menos um dos finalistas seria novo, nunca antes campeão. Assim se desenhou, se confirmou, e até exagerou. Teremos dois. Se por um lado apostei certo na Holanda, para mim o país que mais tem merecido vencer uma Copa, pelo seu histórico como um todo, por outro errei feio com a Espanha. Sempre apostei na Espanha pipocando, como sempre fez em outros mundiais que chegou como time sensação. Errei de um lado para acertar de outro. E agora temos essa final de virgens, de toque de bola e jogo aberto. Mesa posta, teremos uma final atípica também em campo? Um jogo franco e aberto de muitos gols?

A Holanda fez o tema de casa, venceu o nosso querido Uruguai, depois de eliminar também o Brasil, e se tornou a carrasca dos sul americanos na Copa. Já a Espanha pegou um atalho, venceu a Alemanha que havia tirado com relativa facilidade Inglaterra e Argentina, o caminho mais difícil trilhado por uma seleção nessa Copa. O jovem time alemão se rendeu e caiu, permitindo essa final de virgens, essa final que de certa forma surpreende. Surpreende mas não tanto, se for levado em conta que a Espanha sempre figurou entre os favoritos, e a Holanda sempre foi seleção de chegada, de cair apenas para gigantes e futuros finalistas/campeões. Surpreende não termos Argentina, Alemanha, ou Brasil na final. Assim como Itália. Em verdade são muitos candidatos para uma festa privativa demais, a festa da final. Neste domingo teremos então esse jogaço imperdível, a celebração do fim dessa grande festa, do maior campeonato do planeta, enquanto na véspera o guerreiro Uruguai tentará mais uma façanha com seu espírito de garra charrua. alemães choram, uruguaios aplaudem o feito, holandeses e espanhóis riem a toa, e agora a única dúvida que resta é quem levará a jabulani para casa…

Copa Globalizada

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Na última rodada das quartas, nesta semana decisiva para a Copa da África, algumas coisas chamaram a atenção nas seleções. Além de um razoável equilíbrio, que permitiu que seleções em princípio de menor expressão complicassem e desclassificassem muitos dos grandes, a globalização do futebol mostrou uma face bem interessante. As seleções de hoje são praticamente internacionais, no fiel sentido da palavra. Poucos são os jogadores, e isso vale apenas para os campeonatos mais ricos, que atuam em seus países, que jogam seus campeonatos nacionais, e portanto obedecem a escola de futebol de seu país natal.

Esse fato acaba ficando bastante evidente, e influenciando no modo de jogar de cada selecionado, além do fato de alguns países terem muitos importados nos seus times. Um italiano famoso, ao comentar a vitória na última Copa, brincou: ” E ganhamos com um time de italianos!” Isso foi uma clara provocação para a França, que havia vencido a Copa anterior com um time mais importado do que de franceses. Desde seu craque, o argelino Zidane, passando por muitas outras posições, a França campeã era um mapa mundi. Trazendo para a Copa atual, a seleção que mais tem mostrado eficência em 2010 é a Alemanha, onde todos apontam a mudança na maneira de jogar do time. Pudera, lá jogam brasileiros naturalizados e outros descendentes, fato que se repete em várias outras seleções. Esses dois fatores, a atuação do jogador desde cedo (e cada vez mais cedo) fora do seu paíse de origem, e a entrada de muitos jogadores de outras nacionalidades nas seleções globalizou o futebol. E globalizou forte, a ponto de estarmos perdendo a referência de como um país joga bola. As novas gerações de atletas são influenciadas pelas escolas onde se formam, onde jogam, e isso não obedece mais a lógica do país de origem.

Com um brasileiro indo jogar na europa aos 16 ou 18 anos, como se pode dizer que ele joga pela escola brasileira? Não joga. Ele é um europeu em campo. Ah, mas existe a característica da nacionalidade… Até que ponto? Até onde a genética de um país interfere na sua maneira de jogar, frente ao modelo de futebol onde ele se desenvolve e atua? E mais, com tantos jogadores “importados” pelas seleções, essa mistura fica ainda mais fortalecida, e teremos uma tendência cada vez maior do futebol homogêneo nos selecionados. Qual a idade média que um jogador deixa seu país rumo ao rico futebol europeu, ou do oriente médio? Qual a influência que ele tem até então, e como ela será modificada pela escola de futebol onde ele atuará? Essas perguntas trazidas para a realidade brasileira pode ajudar, de certa forma, a responder a pergunta que marcou essa Copa para o Brasil: Onde foi parar nosso talento, nossa criatividade, onde foi parar o futebol brasileiro?

Pois é, onde joga hoje o futebol brasileiro? Quantos jogadores da seleção atuam na nossa escola hoje? Qual sua influência? Qual a sua escola de futebol? Talvez respondendo a essas perguntas, fique mais fácil entedermos porque as seleções estão mais equilibradas, o futebol esteja mais parecido, e se o país não for um iniciante em futebol, logo terá toda sua seleção jogando nos campeonatos mais ricos do mundo. E lá, nos países de campeonato mais rico, como por exemplo a Itália, jogam tantos craques importados, que não mais espaço para que surjam craques nacionais. è, é tempo da internacionalização das seleções… É a globalização do futebol…

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