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    Não há nada maior. Nada. Falando em esportes, a Olimpíada é o que há de maior e mais importante. Copa do Mundo de Futebol? Sei, para o Brasil, que está sempre na cabeça. Mas nem se compara em complexidade, importância e representatividade, a Copa e a Olimpíada. Tanto que a Olimpíada carrega uma Copa do Mundo de Futebol dentro dela. São milhares de atletas, inúmeras modalidades, uma população inteira de dedicados atletas de ponta disputando o ouro Olímpico. E é claro que Londres tem feito bonito. Não seria diferente em um dos países mais charmosos e organizados do mundo. E logo é a nossa vez, de sediar o maior evento esportivo do planeta. Nós e nossa bagunça, nossa incompetência, nosso jeito adolescente irresponsável de tratar as coisas. Estamos atrasados em tudo, tanto em infra, organização, quanto no principal: O esporte. Somos um país limitado ao futebol. Um que outro esporte tem gerações que se destacam. Mas no geral, só rola bola no campo de grama.

    Em Londres a briga é americana e chinesa. Eles é que lutam no quadro de medalhas. A superpotência contra a superpopulação. Grã-Bretanha segue de longe, seguida da Coréia (que virou o jogo por lá drenando todos seus recursos na educação) e outros países europeus. Nós hoje somos a sexta economia do planeta, uma das maiores populações, e não somos nada. Absolutamente nada em uma Olimpíada. Um atleta de ponta americano tem mais medalhas sozinho do que o Brasil em duas ou três Olimpíadas inteiras. O Brasil é uma piada nos esportes. E esporte não é lazer. Não é não. É um indicativo de como o país é, do que ele tem, do que ele faz. Por si mesmo, e pelo seu povo. Ah sim, para o seu povo. Pouco sabemos dessa última frase. Dizer que o país está bem, está no caminho, está crescendo, Ok. Conversa fiada. O Brasil não cresce mais, pra começar, porque não pode. Não tem infra pra crescer. Se crescer mais, tudo pára. Não tem estrada, não tem aeroporto, não tem leis funcionais, não tem segurança, não tem condições básicas. Nem esporte. Só tem o custo Brasil. Esse sim. Pra pagar toda a incompetência de quem rege nossos recursos. Chamam de custo Brasil, o custo da incompetência. Mas esporte, nada. Só bola.

    Na nossa Olimpíada passaremos vergonha. Isso é um fato hoje completamente irreversível. Certamente nossa estratégia será mascarar nossa falta de tudo mostrando escolas de samba, mulatas peladas e muito samba. A abertura da nossa Olimpíada poderia ser em Parintins, com o Caprichoso e o Garantido fazendo as vezes. Ou mudar as datas do carnaval e colocar a turma toda na Sapucaí. São festas populares que o mundo não tem similar. São espetáculos gigantescos, maravilhosos, absolutos, sem igual. Mas não podemos ser só isso. Não um país da nossa magnitude. Temos dinheiro, temos uma gigante população, mas não temos direção. Somos regados a pão e circo tal e qual os romanos dos tempos de imperadores medianos.

    Nossos atletas, ah os nossos atletas. Ou eles são heróis, ou são de uma parcela da população que quase não reflete a realidade do Brasil. A maioria luta sozinha, sem dinheiro, sem suporte, sem onde treinar, sem nada. Nossas empresas em sua maioria não financiam nada. E o governo? Ah o governo. O governo deveria beijar os pés e a bunda dos atletas que carregam sozinhos a bandeira desse jovem bagunçado país. Campeões Olímpicos tem seus pais vendendo seus próprios carros, para poderem competir. Um vexame. Só não é maior a vergonha do governo do que a cobrança que esses verdadeiros heróis da resistência sofrem de um população escondida, omissa, covarde, que critica sem entender sua responsabilidade na nossa ridícula posição no quadro de medalhas. Fosse uma população que cobra a conta, que age e reage, não teríamos um julgamento de mensalão dando mais audiência do que o maior evento esportivo do mundo. A culpa é nossa. A culpa de termos esses políticos, essa justiça, é nossa, e de mais ninguém. Porque o ser humano é assim. Se deixam, ele se aproveita. E a gente deixa. E gosta e acha a coisa mais normal do mundo. E eles enchem os bolsos, e aumentam o custo Brasil. Aquele custo, da incompetência. Miúdos, é o que somos. Miúdos, é o que o esporte prova que somos. Miúdos, é o que seremos na nossa Olimpíada.

    Um tristeza escrever sobre um evento dessa magnitude, com tantas críticas. Mas não há como fazer diferente. Ler por aí reclamações do nosso desempenho Olímpico, com cobrança às pessoas que se dedicam ao esporte, que dedicam suas vidas, sua juventude ao esporte, críticas ao nosso verdadeiros heróis, é demais. É coisa de quem nem sonha o que é necessário para ser atleta de ponta. Não tem ideia da disciplina, do que se abre mão, das infinitas renúncias necessárias a um atleta para chegar a uma Olimpíada. Vale aqui um belíssimo Cala a Boa Brasil. Abra o bocão pra criticar, quando é preciso. E oportunidades, vamos combinar, não faltam. Todo dia. O dia todo.

    Nada representa melhor o que é a postura do Brasil, e aqui leia-se o povo brasileiro, do que a declaração da Rosicléia Campos, a vencedora treinadora da seleção feminina de judô:

    “O povo brasileiro é ignorante no sentindo de ignorar o esporte, a gente fez um trabalho de quatro anos, se a gente olha os comentários que as pessoas fazem, a gente tem vontade de matar. Isso deixa todo mundo muito revoltado, todo mundo está aqui pelo esporte. Eles são heróis mesmo quando perdem, olha o passado deles”

    “É muito triste para a gente ler depoimento de brasileiros que não sabem do que estão falando. Nosso País é um País sem passado. Fica a dica, criticar sem propriedade é feio. Isso é coisa de ignorante, no sentido de ignorar o trabalho”

    “Nosso País é um País sem passado.” Perfeito. E com a nossa postura, é também sem futuro. Procure saber.

    Hoje é isso. Logo, logo tem mais.

    Lembro como se fosse hoje, de quando era um dos únicos malucos a enforcar a sexta-feira de noite pra assistir MMA. Estou falando do Pride, que não chegava a ser sobre  os primórdios das lutas mistas, mas lá se vão muitos anos. Wanderlei Silva era rei do Japão, vivia surrando o ídolo local Sakuraba, enquanto o UFC jogava no octógono seus lutadores, na maioria americanos. Anderson Silva estava começando, era uma promessa da Chute Boxe, e os Gracie já eram lendas.

    Pouca gente sabe, mas o UFC tem DNA brasileiro. Foi inicado pela família Gracie e seu jiu jitsu, era em forma de torneio com 8 ou 16 lutadores de diversas modalidades, com o objetivo de definir quem era o maior lutador do mundo. Naquele tempo lutadores de sumô enfrentavam karatecas, quase não haviam regras, tinha muito sangue e muitas críticas. Era praticamente uma modalidade de luta contra outra. Dos quatro primeiros eventos, o brasileiro Royce Gracie venceu três. O jiu jitsu se firmou como um dos esportes de luta mais efetivos, e nascia o MMA como conhecemos hoje. Aí vieram períodos de críticas, da quase falência da organização do evento, até ser remodelado, ganhar espaço, e atualmente ser o esporte que mais cresce no mundo.

    E aí os mitos se multiplicaram, hoje temos hall da fama e tudo mais. E o Brasil não é mais o dono da festa, porque o UFC agora é americano. Mas dos lutadores, ainda somos um dos donos da festa. Quem não lembra do Minotauro finalizando o gigante Bob Sapp? Do chute do Pedro Rizzo, das múltiplas vitórias do clã Gracie, do Wand Cachorro Louco, da Brazilian Top Team, Chute Boxe, enfim. O Brasil é um dos maiores celeiros de lutadores do MMA. Dos campeões, a briga é entre USA e Brasil, em número de campeões das categorias. E aí chegamos em Anderson Silva. O boa praça que mantém seu cinturão desde 2006, invicto a 15 lutas, uma coleção de defesas do título, e assombrado nos últimos dois anos pelas provocações de um lutador mediano, que quase derrubou o campeão em 2010.

    Naquele luta, de 2010, Anderson estava lesionado, mas ninguém sabia. Foi amassado durante todo o combate, castigado, mas acabou finalizando o americano no final. Super técnico, Anderson é considerado hoje um atleta quase sem adversários, pela superioridade que apresenta dentro do octágono, pelo leque de golpes, pela versatilidade e resistência. As provocações seguiam por parte de Sonnen, ganhavam esferas pessoais, cutucavam o Brasil, a família do Anderson, nada escapava. No últimos dias antes da luta o mais novo ídolo brasileiro não aguentou. Explodiu e ameaçou quebrar os dentes do americano. Desceu o nível da discussão, entrou nas provocações e a luta foi tratada (exageradamente, claro), como a luta do século. Uma jogada de MKT impressionante, do Sonnen. Um risco absurdo para Anderson, caso caísse. O fato é que o UFC 148 entrou para a história pela expectativa. Pelo estrondo que um atleta não mais do que mediano, provocando um ícone do MMA considerado por muitos o melhor atleta de MMA da atualidade, causou.

    Mas a luta se decide é dentro do ringue, e assim foi. Uma enorme legião de brasileiros invadiu Las Vegas para assistir a resposta que Anderson daria ao desaforado desafeto. A essa altura, já era uma resposta nacional, brasileira, ao fanfarrão que não respeitou ninguém, nem mesmo o esporte. O nosso velho conhecido “uh, vai morrer” ecoava no MGM Gran Garden Arena como se fosse um estádio de futebol em pleno Brasil. Ninguém pode no grito contra uma torcida brasileira. Mas o inicio da luta foi preocupante. Assistimos mais uma vez um Sonnen rápido, que derrubou, subiu em cima e amassou Anderson Silva. Sem efetividade, é verdade. Mas fez. E neutralizou o campeão, e venceu o primeiro round. Mas não deu tempo da apreensão tomar conta. No segundo round, Anderson voltou mais esperto com as armadilhas de Sonnen, fez sua luta, não quebrou os dentes do americano, mas quase chegou lá. Em uma tentativa de cotovelada rodada Sonnen caiu no chão e viu uma joelhada do campeão definir a luta. A boca fala, o corpo paga. Anderson mantém o cinturão, o falastrão volta derrotado para casa, e ainda por cima precisa engolir a compreensão do campeão pedindo calma ao público com o derrotado, e de quebra convidando o derrotado para um churrasco em sua casa.

    Mais do que vencer a luta, Anderson mostrou  a superioridade esperada de um grande campeão, de um dos maiores campeões do UFC. A luta do século nem mesmo chegou perto disso, e nem poderia. Um lutador mediano, que teve a sorte de dar uma surra em um campeão machucado, mesmo perdendo a luta depois, que conseguiu transformar a revanche em uma das mais aguardadas lutas do UFC. Para o desafiante, o único risco mesmo era perder os dentes. O que lamentavelmente, não aconteceu. Valeu Anderson, por mais essa. Mas ainda ficou nos devendo um punhado de dentes.

    Imagens: UFC

     

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