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E lá se foi metade da Copa. Hoje, um pouco mais, até. Das 32 seleções mundiais, 18 já voltaram pra casa. Superpotências do futebol mundial já caíram. Inclusive a atual campeã. Que não era assim, uma potência mundial. Mas carrega no colo já faz tempo um dos campeonatos nacionais mais ricos do planeta. A poderosa e multicampeã Itália, a sempre presente Inglaterra, a campeão Espanha, a seleção que trouxe o melhor jogador do mundo, Portugal, também já foi. Muitos europeus caíram, muitos americanos ficaram. Muitos decepcionaram, outros se destacaram, e alguns já foram mais longe do que jamais tinham ido. A maior festa esportiva do planeta vai bem. Teve Copa. E muito gol, e ótimos jogos, e continuam, e aumentam, as fortes emoções. É temporada de duelos mortais, na Copa do Mundo do Brasil.

E o Brasil foi justamente o primeiro dos grandes a entrar em campo nas oitavas. Encarou o sempre embaçado Chile. Aquele país curioso. Simpático, lindo, mas que no futebol sempre enrosca. E nessa Copa, teve um agravante. Além de enroscado, eles trouxeram um bom futebol. Essa foi uma novidade. O que não foi novidade, foi a dificuldade da seleção canarinho. A seleção Neymardependente. Hoje ele não jogou. Só apanhou. E aí, não teve seleção. Acabamos dependendo de avantes que não fazem gols. Pelo contrário. Entregam gols. E de um personagem que poucos esperavam alguma coisa. O profissional mais injustiçado do futebol. O goleiro. Porque goleiro é assim: Se pega todas, não faz mais do que a obrigação. Se leva um gol duvidoso, é crucificado e culpado pela derrota. Se leva um frangaço, pronto. Fim de carreira. Provavelmente também é o menor salário em qualquer time. E os atacantes, que perdem milhares de gols feios, que contam o mesmo número de gol que um erro do goleiro, nem são comentados cinco minutos depois do erro.

Júlio Cesar foi crucificado na última Copa, e de fato falhou feio em um dos gols da Holanda, que tirou o Brasil da Copa. Mas os gols que os avantes perderam naquele jogo, nem são lembrados. E certamente nenhum dos avantes fica quatro anos se culpando pelos gols não feitos. Fred hoje perdeu gol feito. O próprio Neymar deixou de bater de dentro da área várias bolas hoje. Ninguém culpa ninguém. Hulk quase tirou o Brasil da Copa, e por um erro que um guri de 13 anos não comete na escolinha de futebol. E ganhou estrelinha de comentarista famoso. E foi endeusado por muitos. E quase tirou o Brasil da Copa, da Copa dentro de casa. Mas se o goleiro tivesse levado um gol duvidoso… Aí precisaria de quatro anos se mortificando, e só seria perdoado se fizesse o milagre de pegar duas penalidades máximas no mesmo jogo. E mais uma defesa milagrosa. Pobres goleiros. Mas Júlio Cesar fez isso. Pegou duas penalidades e mandou o Chile pra casa. O Chile que tava metido demais, falando demais, e que se pegasse um Brasil de verdade, e não todo de fralda, levaria a mesma surra que sempre levou. É um bom time, é sim. Mas levou dois da Holanda, e levaria dois de um Brasil normal. Há algo errado no reino da seleção. Algo que está deixando Felipão inseguro. Que está fazendo  os jogadores chorarem como crianças, antes, durante e depois dos jogos. Deve ser o peso da medalha olímpica. Porque de Copa nunca tivemos isso. Mas como essa Copa é em casa, a pressão aumentou, e o ouro pesou. Ou, há ainda mais. Ou ainda, só falta futebol em um time que não é tudo isso, e que depende do talento de basicamente um jogador. Tá pobre o Brasil. Mas aos trancos e e barrancos, ainda dá.

E o nosso próximo adversário, a Colômbia, deu um passeio no abatido Uruguai. O Uruguai que foi defenestrado pela exagerada punição da FIFA ao vampiro da Copa. Acabou com o time como a Argentina acabou quando Maradona foi pego por doping. Não há como um time se recuperar disso em uma Copa do Mundo. A Colômbia que vem jogando bem em todos os jogos, que tem o melhor ataque e o goleador da Copa até aqui, passou o rodo no Uruguai. Tem o James que se fala Rames, que é craque, que como o nosso pode resolver, e que vai ser outra parada dura. Só não tem camisa. Mas não se ganha deles só com camisa. O Felipão precisa resolver a canarinho, ou, teremos mais um jogo com cara de final de Copa, antes de chegar nela.

Fotos: Portal UOL

Tudo bem. É hora de reconhecer. A Copa, funcionou. Vou rever pela terceira vez, a opinião sobre o maior evento esportivo do planeta. Inicialmente, tinha gostado, e comemorado. Depois, não acreditei que iríamos conseguir fazer uma Copa razoável, em função de tudo o que não sabemos fazer. Tudo atrasado, tudo caro, muito não feito e tal. E os protestos, e a ameaça do caos, e tudo isso. E pensei que seria um desastre absurdo. Mas ela veio, chegou, a bola rolou e tudo está acontecendo. E até, essa onda de pessimismo e terror, foi boa. Porque destruiu qualquer expectativa maior, de quem veio de fora. E de quem estava aqui também. Todos esperavam encontrar o caos. E não está assim. Não é uma maravilha de estrutura e tal. Mas tudo tem funcionado razoavelmente bem. E a calorosa recepção brasileira está apagando outras dificuldades. Que existem, claro. Não tem briga, não tem confusão. Eventos raros, como o levante chileno no Maracanã, e protestos de meia dúzia nos dias de jogos não fazem nem fumaça. Os metrôs e ônibus pararam de parar. Menos mal, que não foram covardes como estava parecendo que iam ser, de estragar um Copa pra fazer o que eles podem fazer todos os dias do ano. Mas quem sentiu de perto a Copa, sabe que a energia é boa, e está no ar. Assisti ao sensacional jogo entre Holanda e Austrália no Bergamotão. A energia foi fantástica. Existe um clima todo diferente, em Copa do Mundo. Não é como qualquer outro jogo que assistimos por aí. É diferente. Quem foi, ou vai, sabe do que estou falando. Já está tendo Copa, e vai muito bem, obrigado. Precisa falar isso, porque a Copa do Brasil merece uma retratação. Por hora, claro.

Então, bora voltar ao futebol, que está melhor ainda do que o desempenho do Brasil como anfitrião. Quase todos os jogos estão sensacionais. Quase todos mesmo. Os estádios estão praticamente lotados. E são não estão completamente lotados porque milhares de gênios sentam em cima dos ingressos, e deixam o banco vazio enquanto milhares policiam o site da Fifa atrás do papel mais importante do momento. O ticket. Com a bola rolando, monstros vão caindo, e outros vão surgindo. No Grupo A, o nosso, afastamos o susto do empate com o México e carimbamos o primeiro lugar do grupo depois de vencer o Camarões, com uma atuação de ouro do Neymar. Mas o México veio atrás, atropelou a Croácia e está classificado. Pelo menos por enquanto, porque tem a poderosa Holanda pela frente. A Holanda, aliás, é uma das poucas europeias que não levaram uma surra das seleções americanas. Pelo contrário. Passeou pelo grupo B todo, ganhando de todo mundo, e deixando a segunda vaga para o Chile. Nosso próximo adversário. A simpática Austrália, e a humilhada campeã do mundo Espanha vão pra casa mais cedo. A Espanha, aliás, deve ser a maior decepção desta Copa.

No Grupo C, quem está dando show é a Colômbia. Já atropelou Grécia e Costa do Marfim, e está nas oitavas. A Costa do Marfim deve vim atrás. No grupo D, o da morte, quem morreu foram os campeões mundiais. A Costa Rica, que deveria ser figurante no grupo, pela lógica, passou a régua em Uruguai e Itália, e a Inglaterra perdeu seus dois primeiros jogos. Está fora da copa, o país que inventou o futebol. Uruguai e Itália fazem o jogo decisivo que vale a segunda vaga. Impressionante, a Costa Rica, principal sensação da copa até aqui. Azzurra e Celeste se arrastam pela última vaga. Já no grupo E, quem dá as cartas é a França. Arrasou Honduras e Suiça, e espera a Suiça confirmar a segunda vaga. Já no grupo F, um dos mais fáceis, a Argentina anda passando raspando pelos jogos. 2×1 na Bósnia, e 1×0 no Irã nos descontos, não condiz com a petulância que os hermanos apresentam por aí. Sorte deles que devem pegar a apenas razoável Suiça nas oitavas.

No grupo G, onde a Alemanha prometia dar um passeio, acabou tudo embolado. Estados Unidos, Gana e Portugal tentam uma vaguinha. Pior pra Portugal, que tem o melhor jogador do mundo, e apenas um pontinho em dois jogos. Mais uma das decepções da copa até aqui. Aqui, apesar da cochilada contra Gana, reside um dos favoritos da Copa. Além do Brasil, anfitrião com a torcida no apoio, Alemanha e Holanda são os mais temidos. A França andou goleando, e Argentina tem um baita time. Mas ainda não convenceram. Pra fechar a voltinha geral na copa, o grupo H, esse sim o mais fácil de todos, tem a Bélgica, que passou mas decepcionou, e Argélia, Rússia e Coreia. Os grandes jogos estão por todas as sedes, o número de gols por jogo é altíssimo, e os grandes craques, com exceção do Cristiano Ronaldo, estão fazendo a sua parte. Já nas seleções, nem tudo é tão fácil. Espanha e Inglaterra já foram embora, Portugal esta de malas prontas, e Uruguai ou Itália também vai. É a Copa do Brasil, mostrando as suas armas!!!

Foto 1: Ricardo Matsukawa / Terra

Foto 2: Reuters