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Cielo, mais uma prova de ouro.

Não poderia, de forma alguma, ficar sem citar o feito totalmente relevante que este brilhante atleta realizou no mundial de natação de Roma.

Somente uma vez na história um nadador repetiu nessa prova a medalha olímpica e o ouro no mundial. E isso é muita coisa. A prova dos 50m é decidida no piscar de olhos. Sem respirar, sem errar, sem nem ao menos pensar. É uma prova de máxima concentração e total explosão, muscular. Para quem não nada, 50m parece bem pouco. Para quem nada também, é bem pouco. Mas 21 segundos é mais pouco ainda. Quase nada. Quase tempo nenhum, admitindo erro nenhum.

O melhor, é que não é só Cielo. A natação brasileira vem mostrando uma evolução bastante consistente, nesse esporte de ponta e extremamente competitivo. Nas piscinas e nas águas abertas, o Brasil vem conquistando algum espaço. Em vários esportes isso vem acontecendo. Uso a natação como exemplo porque é também meu esporte, mas principalmente porque é um dos grandes esportes olímpicos. E é justamente nas olimpiadas que mostramos que o Brasil é o Brasil. Nas olimpiadas que mostramos que levaram todo ouro daqui, e só sobrou lata. Nas olimpiadas nossos favoritos fracassam. Mesmo sendo os melhores do mundo, fracassam. Sempre defendi que o fracasso dos nossos inúmeros favoritos, campeões mundiais, e que quase sempre fracassam na olimpiada tem relação com o país que eles defendem. É uma coisa tão absurda para um brasileiro ter uma medalha olimpica, que mesmo ele sendo o melhor do mundo, o feito praticamente fica impossível. Alguns usam a expressão “pipocar”. Eu prefiro ver como herença. Herança de um país que tem medo do ouro. Alguns ganham. Mas isso é menos, bem menos do que o número de medalhas que nossos atletas poderiam trazer. Se não tivessem medo do ouro. Experimente tirar das nossas medalhas douradas, os atletas que treinam fora do Brasil, para ver o quanto sobra…

Por isso os “Cielos” são tão importantes. Atletas que não tem medo do ouro. E que precisam contaminar os demais com esse absurdo.

Vale a pena ver de novo:
Neste fim de semana o Rio Grande viveu um momento diferenciado. O maior clássico do sul, e umas das maiores rivalidades do futebol fez aniversário. E não é qualquer aniversário. Fez 100 anos. Um século de história. Um século de jogos pegados, jogos que deixam o estado todo em alerta, com foguetes e cornetas a postos, e muita, mas muita discussão em cada esquina de qualquer cidade gaúcha.
No geral o Gre-Nal é um jogo feio, de muita marcação, poucos gols e invariavelmente deixa quase metade do estado de mal humor no dia seguinte. O Gre-Nal tem efeito arrasador no time que perde, que normalmente segue perdendo vários jogos até recuperar a moral. Mas também costuma recuperar o time que anda pior, e ganha o clássico. O Gre-Nal tem pancadaria, mas também tem magia.
A mesma torcida que vê um jogo feio, também vê Ronaldinho Gaúcho dar balãozinho em Dunga. Também vê banheiros incendiados, e muita briga na rua. O Gre-Nal é intenso, é vida, é colorido. Em nenhum outro momento os ânimos ficam tão alterados para tanta gente ao mesmo tempo na terra dos Maragatos e Ximangos. O time considerado de elite, contra a reação popular. Mas que inverte a mão, e o que seria de elite, tem a maior torcida. E o teoricamente popular, tem mais sócios. Incoerências que só um Gre-Nal proporciona.
É claro que o mundo todo é recheado de rivalidades. Cada estado, cidade tem seus times que se degladiam em uma disputa sem fim. Aí dois fatores tornam o clássico dos pampas um pouco mais evidente: O primeiro é a polarização em apenas dois clubes. Que excluem outras rivalidades mais diluídas. E o segundo é a importância dos clubes, naturalmente traduzida em títulos, porque é assim que se mede futebol. Não de outra forma. Só com títulos.
Em recente pesquisa, entre as maiores rivalidades do mundo apareceram times da Escócia, Egito, Turquia, Marrocos, Sérvia, enfim. Times sem expressão internacional, sem querer tirar seus méritos, mas nada de muitos títulos importantes. Também aparece rivalidade paulista. Lá tem títulos. Mas se for perguntar para um torcedor de um desses times qual é o maior rival, talvez ele fique na dúvida, ou tenha resposta diferente de outro torcedor logo ali da esquina. Porque não é polarizado. Na lista também tem Boca e River, essa sim certamente uma das maiores rivaldiades do futebol mundial. Mesmo assim a supremacia do Boca tem sido tão grande, que o equilíbrio não permite mais tanta rivalidade. Basta caminhar pelas ruas de Buenos Aires para ver isso. Já no Gre-Nal, não há duvidas. É amor, é ódio. O primeiro time de um gremista é o Grêmio. O segundo é a derrota do Inter, seja contra quem for. E não há um terceiro. Jamais haverá um terceiro time. O inverso naturalmente é verdadeiro, e por isso o Gre-Nal é Gre-Nal.

Dessa dupla já saíram entre tantos outros, Ronaldinho Gaúcho e Falcão, Dunga e Felipão. Os dois juntos somam 2 títulos mundiais, 3 Libertadores da América, 1 Copa Sul Americana, 5 Brasileirões e 5 Copas do Brasil. Somam juntos quase todos os regionais. Tudo com muito equilíbrio. Dois times de nível internacional. Dois times temidos e respeitados em qualquer cenário. E isso tudo, de uma cidade de 1,6 milhões de habitantes. Sem patrocínios milionários, sem apoio incondicional da imprensa (o contrário normalmente é verdadeiro), e via de regra tendo que vencer dentro e fora do campo. Assim são esses dois co-irmãos, que ficam no sobe e desce de uma equilibrada gangorra, deixando as cornetas e bandeiras de lado a lado sempre alerta, nesse clássico que ninguém sabe o que vai acontecer. Afinal de contas, “Gre-Nal é Gre-Nal, e vice-versa” (By Jardel).

Até a pé nos iremos, para o que
Glória do desporto nacional,
der e vier, mas o certo é que nós
Oh Internacional, que eu vivo a
estaremos com o Grêmio onde
exaltar/Levas a plagas distantes,
o Grêmio estiver
feitos relevantes/Vives a brilhar

100 Anos