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    Copa 2014: A Abertura

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    A receita era belga. No país que tem a maior festa popular do mundo, o carnaval da Sapucaí, a mestre sala da abertura da Copa era belga. Nada no mundo, chega perto do carnaval que passa pela Sapucaí. É uma das poucas coisas, em que nada no mundo chega perto. A maior festa popular do planeta. Em beleza, em grandiosidade, em perfeição. 10, 10, 10, 10, tudo é decidido nos milímetros, em uma festa quase perfeita. E a abertura da Copa, leva a assinatura de uma belga. Uma abertura pobre. Simples, feia, simplória. Claro que nenhuma abertura de copa se compara a abertura de olimpíadas, mas essa, foi uma das piores. Isso, se não foi a pior. Uma festa de colégio.

    Simplória, vazia, a abertura da Copa deixou a desejar em praticamente todos os sentidos. Não teve brilho, não teve emoção, não “encheu” o estádio, e nem os olhos de ninguém. Teve vaia para a presidente, claro. Teve vai pra FIFA, claro, e não arrancou grandes aplausos de ninguém. A abertura foi mais ou menos como a ridícula escolha do animal símbolo. Em um país alegre, que carrega na bandeira cores vivas e vibrantes, com milhares de espécies coloridas e que representam a alma do Brasil, o mascote é o cinzento, triste, feio e sem graça tatu bola. Não uma arara, não um tucano, mas sim um tatu bola. A abertura da copa foi por aí. Sem pé nem cabeça. Nada a ver com a capacidade criativa que temos no carnaval. Justamente no que temos de melhor, não estamos aproveitando. Estamos fazendo feio, com as poucas coisas que temos melhores que as grandes nações: A criatividade, as cores, a alegria, e inspiração da maior e mais grandiosa festa popular do mundo.

    A própria alegria de receber uma copa, se foi. Se é que algum dia existiu. Em todas as outras copas, as ruas estavam coloridas, o país parava. Tudo era verde e amarelo. Embandeirado e tal. Agora não. Tudo é cinza e sério como um tatu bola. O país inteiro se inspirou no mascote. Se enrolou, e se enfiou embaixo da terra. O país do futebol deu as costas para o maior momento do futebol, quando ele aterrissou em seus braços. É o custo Brasil.

    E agora a bola está rolando. Mas aí, já é conversa para mais tarde…

     

     

     

     

     

     

     

    A Copa, ou o Copo?

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    Ou o caneco?

    Estamos na véspera. Chegou a hora. O bola está rolando… Pra cima do Brasil. Quem pensou, como eu, que a Copa seria um ganho, errou. Foi amassado, pela bola. E pelo tatu, bola. A bola da incompetência. Não dá pra se enganar. Pra fechar os olhos. É certo, e estamos acostumados com as nossas lambanças do dia a dia. Quase nada funciona direito no Brasil. Quase nada. Não temos leis, não temos justiça que funcione, não temos saúde, não temos infraestrutura de nada, temos milhões de rios e terra para ferrovias, e andamos de caminhão pra cima das pessoas num dos trânsitos mais violentos do mundo, nossa economia é frágil, pagamos um absurdo por um carro que lá fora é popular, só conhecemos a Apple porque ela inventou coisas baratinhas (que chegam aqui caras), nossos políticos, aos invés de trabalharem pra nós, acham que somos escravos deles… Enfim. O Brasil é uma piada em todos os sentidos possíveis. Mas era só uma Copa. Alguns milhões de turistas, meia dúzia de estádios e seu entorno. Claro que ia ter a vergonha de ninguém falar inglês, de os turistas serem explorados até o último cent, que os caras não iam conseguir fazer um pedido num restaurante sem contar com algum estudante por perto pra ajudar, que iam sofrer nos táxis, que iam procurar metrôs que não existem, e iam ser roubados nos ônibus. Iam descobrir que o Brasil não evoluiu droga nenhuma, que é tudo uma melhora do terrível para o muito ruim. E só. Isso, já sabíamos. Mas pelo menos o básico, deveria estar aí.

    Mas não está. Nada foi feito. Não houve ganho nenhum pras cidades. Não houve legado, não houve benefício. A Copa irá embora, e só nos restará a vergonha. Tenho muitos amigos e conhecidos fora. Digo a todos eles: Não, não aconselhem as pessoas a virem para a Copa. Vocês querem conhecer o Brasil, me avisem, e programamos. Mas não se aventurem nessa terra de ninguém. Aqui, nada está preparado pra receber visita. Estamos mal em absolutamente tudo. Ninguém se acerta. Não sabemos fazer. Não conseguimos. A Copa chegou, e a verdade vai aparecer. Somos incompetentes. Institucionalmente, incompetentes. Bom. Mas não tem nada de novo aqui. Tudo isso já sabíamos. Só podíamos ter pego a carona do momento econômico e do bônus demográfico que faz com que seja impossível o Brasil ficar pior, não importa quão fraca é a máquina pública (e é muito fraca, não só agora, sempre foi. Sempre, desde que os índios receberam os primeiros espelhos dos larápios portugueses), e ter feito algumas coisas para enganar a vergonha. Minimizar a vergonha. Criar um corredor de glória pra turista, em um país de vergonha. Meio como Cuba. Que é uma pra turista, e outra pro povo, que foge do país sempre que pode. Mas qual seria o melhor? O corredor pra turista, ou a verdade nua e crua. Ainda fico com o corredor. Porque o vexame já passamos todos os dias mesmo. Que ficasse nas internas.

    Ah sim. O gigante acordou. Essa festa, que foi genuína por um momento, e provavelmente não será genuína durante a Copa (com sorte, até pode ser que seja…), vai voltar. Os convidados serão provavelmente outros. E assim como no final dos protestos que pararam o país, grupos de mierda vão se infiltrar, e se apossar do movimento, e fazer bagunça e gritar palavras de ordem que são só de meia dúzia e não do Brasil. Tudo isso vai acontecer na Copa. O quanto ruim vai ser? Bastante ruim. Não esperem nada mais ou menos. Será bem ruim. E talvez, perigoso.