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É porque volta e meia vejo todo mundo se incomodando com seus celulares e planos e operadoras, que hoje resolvi entrar no mérito. E porque volta e meia me incomodo também. E esse ano especialmente está incomodativo e interessante. Tenho levado um baile homérico para trocar de plano e de aparelho. Lojas e serviços on line conflitam, dão e tiram vantagens, te informam errado, te dão informação capiciosamente incompleta, estão sempre querendo te passar pra uma condição pior do que a atual, e definitivamente, não se importam com você.

Esse é um ponto forte, que muito ouço, e provavelmente é verdadeiro em todo esse mercado: A maioria das operadoras, e principalmente a maior delas, não se importam com o cliente. Não se importam mesmo. É como se você fosse um chato, e a operadora de celular presta um favor pra você te atendendo, e deixando que você use o sinal de telefone celular dela. Acho incrível. Mas é isso que sinto quando ligo pra grandona dos celulares. Quase todos atendentes transmitem essa prepotência. E aí vem a pior parte: Se quer sair da grandona, vai ter que conviver com um sinal pior. E eu tenho múltimas cidades do interior envolvidas na minha vida. Então, opto pelo pior e mais prepotente atendimento, frente aos piores sinais no interior. E olha que sou do tipo chato, que prefere pagar mais do que ser mal atendido. Porque ser mal atendido é uó. Então fico na grandona, aguentando desaforo de operador mané, e descaso da instituição que treina e orienta eles.

E o engraçado mesmo,  é que os caras inventam uns nomes que são o inverso do que a empresa é de fato. A que se acha mais viva, é mais morta, não reage e não te trata bem. A que se acha mais clara, fica no escuro em boa parte das cidades menores e em muitos pontos das capitais. E tem as outras que entraram depois, a que te cumprimenta, e a que tem barulhinho de comemoração no nome, que ainda precisam correr atrás de infra-estrutura, porque não é mole ter rede pra todo mundo. Admito. Só não pode vender dizendo que tem.

Porque a coisa toda é assim: Como a tecnologia é nova, e todos acham que precisam dos melhores modelos, e todos acham que precisam dos melhores planos, está tudo confortável lá no reino dessas gigantescas empresas. Porque as barreiras de entradas de novos players são fenomenais, porque os parâmetros de qualidade de serviço ainda são medonhos, então tudo fica cômodo, para os players. E caro e complicado pro usuário, claro. Mas aí esse ano alguns estados pegaram uma caroninha com os rebeldes do sul e também deram um abracinho de tamanduá nas operadoras de celular. Foi o Procon proibindo a venda de linhas, e obrigando o compromisso pela melhoria dos serviços. Claro que não vai resolver muita coisa. Mas é o início, é assim que se constrói o justo. Deu uma assustadinha, enfim, mas ainda estamos na fase pré industrial dos celulares. Ainda compramos muito mais do que as empresas de celulares precisam que a gente compre. Daí, essa confusão toda.

Quando me deparo com essas questões de escolha do consumidor, sempre me lembro da célebre frase de Henry Ford: “O cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto”. Claro que a tecnologia atual faz justamente o contrário, e temos tantos aparelhos e planos para escolher que acabamos fazendo uma péssima escolha de tantas opções que temos. É o drama dessa geração consumidora. Tem tanta opção que se atrapalha e compra mal. Porque compra o completamente desnecessário. E isso é uma coisa meio de celular, porque a gente vê outros gigantes se borrando pra consumidor, e atendendo, e sendo prestativo. Sempre tive ótimas experiências de atendimento com a NET, por exemplo. Claro que eles jogam o mesmo jogo dos planos, e te ligam toda hora, e tudo mais. Mas uma vez quando encrespei com eles, quem ligou foi uma pessoa, não uma máquina humana treinada e emburrecida pelo manual do atendente. E deu número de telefone de verdade, e nome, e resolveu tudo o que tinha para resolver. E é um mercado parecido, com as mesmas manhas, e o mesmo jogo de planos e tals. Mas atendeu bem e resolveu o meu problema. E me disse e me provou que sou importante pra eles. E é um gigante também. E não, não recebi bonus nenhum pra escrever isso. É que sou chato e reclamo um monte, mas quando acertam, eu faço elogios. Faço mesmo.

Mas por hora, no mundo dos celulares, eu só tenho a reclamar. E com todos que falo, todos só tem a reclamar. E aí fica a certeza de que estamos mesmo no período pré-industrial do celular, no mundo em que a gente compra mais do que as empresas precisam que a gente compre, e daí não somos nada pra eles. Mas é claro que um dia esse jogo vai virar, e aí vamos ver essas empresas prepotentes caírem por terra, porque é assim que essa geração consumidora faz hoje em dia, pega a marca que não atende bem, joga no facebook, e dilacera a sua marca. É só aparecer opção melhor, vai vendo.


Uma noite dessas, enquanto encarava uma pizza jogado no sofá, estava olhando para a TV naquele momento: “Não estou prestando atenção, apenas faça barulho e se movimente para distrair minha mente…” Então uma curiosidade do cinema me chamou atenção: Um programa sobre personalidades do cinema trazia um especial sobre o ator Morgan Freeman. Ele começou muito novo em produções da Broadway, fez cinema desde cedo, mas chegou realmente ao topo do cinema já com seus 50 anos. Claro que todos conhecem o trabalho do Morgan, e muitos dos filmes que ele participou. Mas não foi a história da vida dele que me chamou a atenção.
No decorrer do programa, um ator mais novo deu um depoimento sobre o ator de “Todo Poderoso” que me fez sair da zona de conforto do olhar sem intenção e objetivo para a TV, e prestar atenção no assunto. Disse ele algo mais ou menos assim: “Foi incrivelmente intimidador trabalhar com o Morgan, e não por alguma postura de prepotência ou arrogância. É justamente pelo contrário. A postura dele é tão sóbria, serena, e ele uma pessoa tão tranquila de se trabalhar mesmo com sua importância… Que intimida!”

Isso tem absolutamente tudo a ver com estilo de vida, estilo de liderança no ambiente corporativo ou mesmo no posicionamento em grupos de amigos ou familiares. Em um momento em que boa parte dos líderes se usam do poder, de barganhas excusas, de promessas e outros fatores para manter seus seguidores alinhados, ouvir algo desse tipo é uma nuvem branca expulsando a tempestade. Um cara do porte que Morgan Freeman tem hoje, e logo nesse mundo de estrelas que normalmente tem a necessidade pessoal de brilhar mais do que as outras, ter um depoimento como o citado acima é a prova que nem tudo está perdido. Ainda existem pessoas do bem na multidão dos poderosos. Ainda existem pessoas mais interessadas em ajudar um todo a vencer do que se promover pessoalmente custe o que custar. E estamos falando do cinema, um dos grandes depósitos da prepotência humana. Quando tento projetar no meu modo de levar a vida, seja ela no profissional ou familiar, vejo que meu caminho está certo. Ainda longo, mas na direção correta. Não existem pessoas na escadaria que eu persigo no meu crescimento. Existem apenas desafios. Isso é bom. Boa parte não difere desafios e pessoas no seu caminho. Mas a maneira como ainda trabalho com os desafios podia ser mais leve, mais tolerante, mais conciliadora. Uma notícia boa portanto, na minha reflexão acerca do depoimento que tanto me chamou atenção, e uma constatação que é sabida, mas por vezes esquecida, de ser mais leve. De viver mais leve, e de tratar as pessoas e as questões que as envolvem com mais tranquilidade e serenidade. Não basta ser bom, é preciso ter muita paciência, muito jogo de cintura, porém sem deixar que a linha entre ser bom e ser bobo seja ultrapassada.Neste mundo cada vez mais individual, cada vez mais acelerado, onde as pessoas confundem outras pessoas com os obstáculos e desafios pessoais, precisaríamos de mais personalidades como Morgan Freeman. Uma estrela que brilha porque tem brilho simplesmente. Não porque ofusca o que está próximo.

Nosso desafio é sempre se aprimorar. Nossa obrigação é servir ao bem comum, é fazer o bem, é buscar o que é bom. A nossa busca pelo aperfeiçoamento pessoal é constante e nossa total responsabilidade, ou abriremos mão da evolução que nos cabe. E quando crescer, eu quero ser como Morgan Freeman!