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Essa é uma das questões. Exatamente essa, é uma das questões que mais anda me intrigando. Essa coisa aí, sabe, de ter que ficar fazendo pose, botando banca, parecer mais do que ser, policiar cada palavra, gesto, ou até a cor do sapato. Tudo pelo politicamente correto. Já escrevi sobre isso mais especificamente sobre o “twitter cop“, mas a questão é mesmo mais ampla. Essa modinha aí, de crítica generalizada e sem tolerância, de politicamente correto, varre o mundo em todas as direções e de todas as formas. Bom, não vale sair correndo pelado por aí, né, obviamente. Mas heim, policiamento ostensivo no modo viver? Aí Londres de repente acorda em chamas, a Noruega vira zona de guerra, estudante saí detonando escola e tudo pela frente e tchanam: A culpa é do vídeo game. Bom, sei lá de quem é a culpa. Nem o Seu Madruga sabe de quem é a culpa. O ponto é que esse mundo anda todo meio viradinho, eu acho. Engraçado que, justamente no momento em que a geração Y se prepara para assumir o poder em poucos anos, o mundo vem com essa onda aí, de “politicar” tudo no correto. Querem  o que? Trazer de volta o modelo soldadinho de chumbo, justamente na hora da geração Y? Aham. Essa eu quero ver.

O Pondé, um filósofo brasileiro, colocou algum tempo atrás um belo bode no meio da sala. Soltou um texto curto, irônico, e fez embaixadinhas com os crânios dos protótipos dos inteligentes em estágio avançado. Se chama “Jantar Inteligente“. Eu li. E vou transcrever ele logo abaixo, não porque gostei ou desgostei. Vou transcrever porque acho interessante as pessoas lerem. Sabe do que? Ler é bom. E nem importa o que. Tem que ler coisa boa, para saber do que é bom. E tem que ler coisa ruim, para poder saber que o bom é mesmo bom. Aí vem a melhor parte: Quem é que disse que é bom ou ruim? Ah, vai pra lá, rotulento. O que é bom pra um, pode não ser bom pra outro. E ainda bem né. Senão, já viu. Mundo todo rodando em mão única. Bem soldadinho de chumbo mesmo. Pra lua, quem sabe.

 

Você já foi a um jantar inteligente? Jantares inteligentes são frequentados por psicanalistas, artistas plásticos, músicos, atores, jornalistas, publicitários (com a condição de falar mal da publicidade), médicos (esses porque, como é sempre chique ser médico, não se dispensa médicos nunca), produtores, “videomakers”, antropólogos, sociólogos, historiadores, filósofos.
Administrador de empresa não pega bem (a menos que tenha um negócio sustentável). Engenheiros, coitados, só vão se forem casados com psicanalistas que traduzem pra eles esse mundo de gente inteligente. Advogados podem ir porque é sempre necessário um cínico inteligente em qualquer lugar. Pedagogas, só se casadas com esses advogados e por isso talvez consigam bancar amizades chiques assim.
Ricos são sempre bem-vindos apesar de gente inteligente fingir que não gosta de dinheiro. Pobre só se for na cozinha, mas são super bem tratados. Claro, tem que ter um amigo gay feliz.

Essa gente é descoladíssima. Seus filhos estudam em escolas de esquerda, claro, do tipo que discute o modelo cubano de economia a R$ 2 mil por mês.
Quando viajam ficam em lugares que reúne natureza “pura”, tradição (apenas como “tempero do ambiente”) e pouca gente (apesar de jurarem ser a favor da democracia para todos, só gostam de passar férias onde o “povo” não vai).
Detalhe: é essencial achar todo mundo “ridículo” porque isso faz você se sentir mais inteligente, claro.
Quanto à religião, católica nem pensar. Evangélicos, um horror. Espírita? Coisa de classe média baixa. Budista, cai muito bem. Judaica? Uma mãe judia deixa qualquer um chique de matar de inveja. Judaísmo não é religião, é grife.
Mas o que me encanta mesmo são as “atitudes” que se deve ter para se frequentar jantares inteligentes assim. Claro, não se aceita qualquer um num jantar no qual papo cabeça é o antepasto.
Quer saber a lista de preconceitos que pessoas inteligentes têm? Qualquer um desses “gestos” abaixo você pode ter, que pega bem com comida vietnamita ou peruana.
1) A Igreja Católica é um horror e o papa Bento 16 é atrasadíssimo. Claro que não vale ter lido de fato nada do que ele escreveu;
2) Matar Osama bin Laden sem julgamento foi um ato de violência porque terroristas são pessoas boazinhas que querem negociar a paz em meio a criancinhas;
3) Ter ciúmes é coisa de gente mal resolvida;
4) Se algum dia um gay lhe cantar e você se sentir mal com isso, você precisa rever seus conceitos porque gente inteligente nunca tem mal-estar com coisas assim;
5) Se seu filho for mal na escola, minta. Se alguém descobrir, ponha a culpa na professora, que é mal preparada pra lidar com crianças como seus filhos, que se preocupam com as baleias já aos 11 anos e discutem a África no Twitter;
6) Caso leve seus filhos à Disney, não conte a ninguém, pelo amor de Deus!;
7) Acima de tudo, abomine os Estados Unidos, ache Obama ótimo e vá à Nova York porque Nova York “não são os Estados Unidos”;
8) Não seja muito simpático com ninguém porque gente simpática é gente carente e gente assim procura “eye contact” em festas. Um conselho: olhe sempre para um ponto no horizonte. Assim, se alguém falar com você, ela é que é carente;
9) Ache uma situação para dizer que você conhece uma cidadezinha no sul da Itália e lá ficou hospedado na casa de uma amiga brasileira casada com um italiano que defende o direito dos imigrantes africanos e odeia Silvio Berlusconi;
10) O ideal seria se você tivesse passaporte italiano também;
11) Se alguém falar pra você que não dá para pagar direitos sociais e médicos para imigrantes ilegais na Europa, considere essa pessoa um “reacionário de direita”, mesmo que você não aceite sustentar alguém que não seja você mesmo e sua família (no caso da família nem sempre, claro);
12) No conflito israelo-palestino, não tenha dúvida, seja contra Israel, mesmo que morra de medo de ir lá e não tenha lido uma linha sequer sobre a história do conflito;
13) Se você se sentir mal com a legalização do aborto, minta;
14) Deixe transparecer que só os outros transam pouco;
15) Seja ateu, mas blasé.)

Autor do Texto em Itálico: Luiz Felipe Pondé, filósofo, psicanalista e Professor da PUC

 

Imagem do Pondé: Espalha Brasa
Imagem do Seu Madruga: O Chaves mandou pelo Barril

 

Se tem uma coisa que a gente sabe, mas sempre acaba esquecendo, é a tal da paradinha básica. Sabe aquela? Não, não é a paradinha marota dos batedores de pênalti não. É a nossa, sabe, do povo workaholic. É, aquela racinha lá, que se quebra trabalhando. A gente acaba entrando naquele círculo vicioso, naquela onda que nunca chega na praia, e quando se dá conta, ding dong, é Natal. E olha que março havia começado ontem mesmo. Ih, danou-se, esqueci das minhas férias.

É quase normal. Não deveria, de forma nenhuma, mas é normal. Já andei escrevendo sobre isso, nestes tempos que não tirei férias e aí as férias cansaram de esperar e me tiraram, né. Foi aqui. Mas hoje a abordagem é um pouco diferente, é mais relax, e nem é bem férias. É meio que um Stop and Go. Tipo fórmula 1 mesmo. Uma paradinha no box, para reabastecimento e troca de pneus. Porque sem gasolina o carro pára, e com pneu careca, acaba derrapando na pista e ó, ploft! . Então, nestes últimos dias, e que por puro acaso mesmo, foram depois do BBB 11, fiz meu Stop and Go. E foi daqueles com classe, sabe? Classe mesmo.

O final do ano passado foi “hard rock”, pesado, puxado mesmo. Como é para todo mundo  né? E foi mesmo. 2011 entrou a mil, ou 10 mil, nem sei porque não anotei a placa. 2011 tem tanta mudança na minha vida, que até desliguei o marcador de quilometragem, e o de velocidade também. Todas boas. Ótimas, é verdade. Mas são mudanças, e elas cansam, porque afinal, elas mudam coisas. E tudo o que muda cansa. É bom, mas cansa. Janeiro chegou, fevereiro saiu, março já estava de malas prontas quando de repente… Ih, a data chegou! Tinha um pacote comprado para aquele show, sabe? Aquele lá, que gira e tal. Faz um 360, parece. Da banda aquela,”você também“, que chamam por aí de U2. Como aqui no sul é mais perto, e tem free shop na volta, sempre acabo indo para a cidade charmosona aquela, Buenos Aires, assistir esses mega shows que não chegam aqui na Província de São Pedro. E fui. No meio do turbilhão, fazendo a mala minutos antes do avião pular do chão, mas fui.

E aí quando o celular pára de funcionar, você fica tão feliz, mas tão feliz que esqueceu de ativar o roaming internacional, que parte para a churrascada portenha de noite mesmo. Ainda bem que lá até as vovós jantam a uma da manhã. Mania de portenho, sabe. Ficar sem saber de nada das coisas que tem por fazer, meio assim, de supetão, é tão bom que descansa. Sério. E nem precisa de meia dúzia de dias para isso não. Uns 4 dias já resolvem. Três é apertado, mas dá. Se o Ferris conseguia em horas, né? Aí que eu queria chegar. O que importa não é a quantidade, como sempre, é mais a qualidade. A paradinha aquela, que faz bem e reanima, pode ser rapidinha mesmo, que já resolve. Nestes tempos fui a Gramado com a patroa. Voltei renovado! Novo! Save Ferris! Agora já estava ficando pelas panquecas de novo, carne moída, no meio da massa, com molho inundando tudo (inventei agora essa expressão, juro.), e aí pimba. 360. O show. Um espetáculo. Tema do próximo post. E Buenos Aires. Mi Buenos Aires querido. Pronto. Cabeça zerada. Tudo de novo! Lá vem mais 2011, mas agora estou pronto. Da panqueca, só sobrou a carne moída. Só porque show desmancha.

 

No fim, o cinema sempre acaba contando um pouco da verdade. E nem precisa ir longe, tipo quando fazem um filme bem safado de extraterrestres. Sabe? Aqueles para deixar qualquer ufólogo com cara de banana frita? Nem vai. Fica logo ali, no clássico desse guri. Ferris sabia das coisas. Day Off. Aliás, nem devia ser day off. De via ser Day Win

Aé, eu sei. Esse post ficou bem mais “pessoal” do que é o normal por aqui. Parece até um blog da família “meu querido diário.” Mas é que a Artigolândia é um blog baseado em fatos, e por acaso, o fato da vez fui eu. Então, dessa vez pode.

Este é o retorno da Artigolândia pós BBB, de volta para o futuro aos assuntos gerais, do dia a dia, e claro, depois da paradinha. Vamos?

Save Ferris!

 

 

 

 

 

 

 

 

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