Porque a selva é um território hostil.

E no BBB, é perigoso semear o que não é semente. No BBB, amplificador é Brasil, e grito é terremoto. No BBB, as palavras... Como são ditas, o que são ditas, e qual o movimento que as acompanha. Facial, corporal, mortal.

Porque o 12 tem sido violento. Violentíssimo. Uma escala rumo ao teto, de rejeição nacional. 81, 88, 92. "É selva!" Porque o paredão nunca foi tão paredão. Sem adversários. No 12, os últimos paredões foram voos solos, sem duelo, sem corrida, sem concorrência. Julgamentos, puros, e simples. O paredão triplo saiu. E não precisava nem ser duplo. Porque a selva, foi território hostil. Na selva, o que se plantou, colheu rejeição. A ponto quase, de chamar a atenção.

Sempre se soube, sempre se falou. Sem Rafael, a selva não mais seria a selva. Como grupo, o que era selvagem se acabou. A guerra, acabou. A dos grupos. Vai mudar. Mudou. Porque não deu mais tempo de a selva terminar de outra maneira. No paredão invertido, aquele, que a praia mostrou como se dorme em uma rede, de toca, Rafael ficou. JM  saiu. A selva, continuou. Foi o divisor de águas do BBB 12. Foi quando alguns selvagens perderam ganhando. Sem Rafael, adeus selva. E a tempo das migrações acontecerem. E as infiltrações, e a guerrilha, e tudo mais. Mas a selva ganhou, e perdeu. Ganhou a batalha, para perder definitivamente a guerra. Porque a estratégia nasceu errada, e só a morte do grupo seria uma vitória ao próprio grupo. Não, nenhum selvagem ganharia. Sim, selvagens poderiam ir muito longe. Agora? Tarde demais. Agora, até a praia acordou. Mesmo na rede, mesmo de touca.

Se deixar sorrir, ganha, e ganha beijo.

Esse foi Bial, entregando Yuri. De mão beijada, untado e assado. É só ler, que lá está. Sem tempo de reaproximar, sem tempo de infiltrar, sem tempo e nem condições de manipular. A selva está a deriva, em um mar que nem a edição talvez consiga salvar. Aliviar, talvez. Mas a tendência fica mesmo, por conta dos dominós. O balé, dos dominós. Que estão em evolução. Que deitação. E o único fator que deve mudar, é a escala de rejeição. O topo já deve ter sido atingido. Agora, deve ir decrescendo, mas sempre, verde como uma intocada selva virgem.

Yuri? Entregue no discurso, alvo lógico. Com rei da selva, ou sem. Com trilha sonora, ou nem. Renata? Situação ingrata. Monique? Um beijo e um voto. Até os beijos, no 12, votam nos queijos. É mole? É selva. É fenômeno. É tragicômico.

E a praia? Na rede. De touca. Assistindo a selva se estrepar toda, sozinha, e bebendo água de coco. Coco, claro, retirado lá de selva. Da boca do leão, que mordeu o próprio rabo.

E o tabuleiro? Amanhã. Porque hoje, foi dia de assistir a um dos discursos mais pesados do BBB. Nem fui à Lapa, para não perder a viagem.

"Eu ia fazer um samba em homenagem à nata da malandrgem, que conhecia de outros carnavais... Nem fui à Lapa, para não perder a viagem. Avisado pelo Chico, cercado do Malandrismo oficial, parti direto pro Planalto Central, em busca de gente que usa de outros expedientes pra nunca se dar mal.

Nem cheguei ao Distrito Federal. Parei em Goiânia, onde vaga pelas madrugadas o fantasma de outro herói: Macunaíma morreu ao tentarem lhe impor um caráter que nunca fora seu, nunca tivera. Volta e meia, os dois fantasmas se encontram: o falecido malandro carioca abraça o finado herói nacional, e juntos assistem a alvoradas vorazes e crepúsculos sem escrúpulos.

Os herdeiros da orgulhosa tradição de vencer na vida sem fazer força fazem muita força pra disfarçar a força que fazem pra manter a fama de vagabundos. E, entre um paredão e outro, jogam pesado, usando a navalha da língua para esgrimir com seus adversários.

Se deixar falar, ele leva, no bico... Se deixar sorrir, ganha, e ganha beijo. No fim, e afinal, tornou-se então uma questão de peso e medida. Não pesar demais a mão, ter a medida da pilantragem. Nesse jogo da vida, é um peso e uma medida. E a única medida a pesar é a presença da simpatia. Simpatia é quando o malandro convida o freguês pra zoar junto.

Outrossim, não tem charme a simpatia quando vira ironia, perde a graça, e as graças da massa. Nesse jogo da vida, é um peso e uma medida. Pesou, perdeu a medida, lá vem, o cavalo, o castigo. É você já falou demais. Vem ouvir um bocado agora, aqui fora Rafa".

(By Bial)

Imagens: Rede Globo de Televisão.