Jonas? Cowboy? As mulheres de areia? Que nada. Rafael.
A grande expectativa que tomou conta do BBB 12 após a desastrada votação da praia, que culminou na eliminação da JM, era de quem, na praia, peitaria a selva. Seria Jonas, que já mostrava que tinha ferramentas para peitar Yuri? Ou Cowboy sairia do estábulo? Ou então caberia às mulheres de areia encararem a violenta e vertical manifestação da selva? Resposta: Nenhuma das alternativas. Rafael colocou Jonas no bolso, e Cowboy, como sempre, só ladrava. Yuri e Laisa faziam seu jogo de dupla, maluco, prepotente, de quem mandava no BBB. Rafael mandava na selva, como sempre, e neutralizava os ataques da praia contra ele. E BBB, é um jogo individual. Porque só um ganha. Assim pensou Rafael, que estava no caminho certo: Decidia pelo seu grupo, e impedia ser o alvo pessoal do outro. Dentro da casa, funcionou. Custou, inclusive, um dos finalistas do programa para a praia, JM. Porque se Kelly e Fabi não votaram em JC, Jonas e Cowboy também não souberam reconhecer o verdadeiro líder da selva, Rafael, cuja saída desmantelaria a selva.
Mas Ronaldo já havia saído. Rafael já havia empurrado JC no precipício, para manter Laisa votando com Yuri e a selva, e o público já tinha mandado seu recado. E discordava de Rafael. E Rafael não pode ter ignorado o recado. Dessa vez, foi alto e claro. Porque Rafael se empenhou pessoalmente em destruir JC. Não foi a selva, não foi um Ronaldo que discutiu com Fabi. Não foi só Laisa que também já tinha sido expulsa da selva por ele mesmo, o que poderia ainda gerar certa dúvida. O empenho foi de Rafael, e não só da selva, em atacar JC. E perdeu. E percebeu. E aí, o elo de ligação da selva se quebrou. A saída de Laisa tenderia a jogar um Yuri perdido no colo de Rafael, mas isso não aconteceu. Então Rafael, nem Jonas, nem Cowboy cavalo de amigo, nem as mulheres de areia, peitaram a selva. Rafael peitou. Ele mesmo, resolveu destruir o que ele tinha construído. A selva. Se afastou, Renatiou, deixou Monique chorar as gorduras, e deixou Yuri achar o que quisesse. Ninguém encarou a selva. A selva foi posta a prova por seu criador. Que sempre, obviamente, manteve um jogo pessoal paralelo a ela.
A guerra fria entre Yuri e Rafael teve seu início quando os dois perceberam que a selva era caso perdido, iria ser derrotada paredão a paredão, e que a dúvida agora era quem sairia primeiro. Aí Rafael pode ter pensado de duas maneiras. Primeira: Perdi, então, tudo ao alto, quero mais é bagunçar enquanto durar. E vamos logo ao paredão, para acabar logo com essa dúvida. Porque Rafael não é o perfil que quer ficar mais tempo quanto possível na casa, mesmo sabendo que a derrota é certa. Ou então, no segundo padrão de pensamento, fazendo uso de sua prepotência característica, se julgou acima da selva, salvo da rejeição do grupo pelo seu jogo particular de atiçar as feras em A, e votar em C. Pelo seu caminho paralelo, trilhado desde o início do programa. E aí, decidiu partir definitivamente para o jogo solo, deixando a selva a sua própria sorte. Yuri percebeu, reagiu, alertou, discutiu, e desistiu.
Yuri abandonou de cara lavada um prova de liderança que poderia visivelmente resistir por várias horas ainda, só para testar Rafael no paredão. Deixa a praia votar, desde que não seja em mim. Porque Yuri clonou o jogo de Rafael. Antes criticando a aproximação de Rafael com um praiano aqui e outro ali, Yuri adotou a tática. Eliminou a rixa quase de vias de fato com Jonas, e se aproximou dos demais praianos. Claro que a ausência de Laisa colaborou, já que a presença de Laisa era o principal desestabilizador de Yuri na casa. Isso, agora, fica muito claro, além de surpreendente. Yuri não era uma bomba relógio. Sua paixonite por Laisa, é que o deixava assim. O fato é que Rafael e Yuri estabeleceram uma guerra que é fria, as vezes quase se mostra, mas segue por baixo do pano. Porque ambos podem abandonar a selva, e assim já o fizeram. O que não podem, é dizer o que estão fazendo: Sair da moita, depois de ter colocado fogo nela.

Yuri e a selva devem ir de Kelly, o que não deixa de ser um paredão interessante. Até porque, o paredão de Rafael, é de Rafael. Não é um paredão de disputa, é de acerto de contas. Rafael x Público. Exatamente como foi com Laisa. Quem julga mandar no BBB, sempre acaba tendo que acertar as contas com o verdadeiro dono do programa. O público. E nada melhor, para um acerto de contas, do que ter a companhia de uma samambaia. Percentual sem poluição, portanto em Rafael x Rafael. Só resta saber se Monique, que fixou seu voto em Jonas, ainda acredita na possibilidade de a selva poder emparedar um praiano, ou se apenas mudará seu voto original de graça, atirando em Kelly e mesmo assim jogando Yuri no paredão.
Já para JC, a única opção coerente após a revolução toda que tem acontecido na casa, é virar o voto contra a selva. Já colocou seu voto a serviço da praia, já foi jogado aos leões pelo Rafael e a selva inteira, e já jogou ao vento muitos dos seus votos. Agora, não resta outra saída a JC além de votar na selva. O que significa, Rafael ou Yuri. Isso, claro, se um pingo de coerência ainda residir neste avatar. Já se precisar votar em Monique, talvez o quadro acabe de outra cor...

A praia da vez parece ter entendido o recado de Bial. Deve votar junta, e com JC engrossando o caldo, o empate no confessionário irá jogar dois selvagens na parede. Rafael e Monique, ou Rafael e Yuri. Isso considerando Renata imune, claro. Porque se Renata estiver no jogo, é bem capaz de Fabiana escolher a menina ao invés de Rafael. Tanto Cowboy, quanto Jonas já caíram na conversa de Yuri, como já haviam caído tantas vezes na de Rafael, e podem optar por Monique. Mas aí, JC e Kelly acompanham? Será que mais uma vez, Jonas e Cowboy por serem enrolados por um selvagem, vão expor um praiano ao paredão? Porque a lógica e o histórico jamais podem ser desprezados. E a lógica sempre foi Ronaldo, Rafael, e Yuri. Porque Renata e Monique, só recebem as ordens, sem nem mesmo a capacidade de questioná-las. Foi assim que sempre foi. Vamos ver se Cowboy cumpre o que ele mesmo fala: "Comigo não tem essa de reaproximação". Veremos. E aí teremos um Rafael x Yuri, que fatalmente deixará Laisa de dona da maior rejeição da edição.
Continuando no reino dos cavalos roubados de amigos, Cowboy amarga o primeiro castigo do monstro de verdade. Já era hora, de a KGB acabar com a brincadeira de monstros mais divertidos do que sofridos, em que é possível castigar amigos, ao invés de inimigos. Viu só, Cowboy, como é? Nada como encarar uma merecida miséria, ao invés de aproveitar o quarto do líder com "sua" rainha da paz. Veremos se, caso Cowboy seja anjo mais uma vez, ainda vai manter a covardia de castigar amigos, de medo de receber voto dos inimigos.
De qualquer maneira, bem ou mal, nesse BBB, a selva é quem tem feito carnaval. Cowboy, sem JM, não seria hoje favorito. Porque sem palco para as brincadeiras, e boas tiradas, só lhe resta ser um cara bem legal. E caras bem legais, só ganham, quando não há um protagonista. Porque quando há, é segundão ou terceirão. Com sorte. O que pega no 12 é então, que todo candidato a protagonista, acaba se pintando de vilão. Não é não?
Imagens: Rede Globo de Televisão.





