O segundo dia de Oitavas teve em campo uma das seleções mais poderosas dessa Copa. A Holanda. E não foi fácil pra laranja também. Muito pelo contrário, quase ficaram fora das quartas de final. Quem saiu na frente foi o México, tanto no placar, quanto no jogo. O primeiro tempo foi todo mexicano, a Holanda estava irreconhecível, após as diversas alterações propostas pelo técnico em relação aos últimos jogos. No segundo tempo a situação se inverteu. O México se encolheu, e Robben resolveu colocar a bola no chão. E aí, tudo mudou. Porque esses times que tem um gênio a bordo, são assim mesmo. Podem estar perdendo, e em menos de dez minutos virar e levar a vaga. E foi exatamente o que fez a Holanda. Com uma bela bomba do matador holandês, e um pênalti sobre o gênio laranja, a Holanda despachou o enjoado time do México.

O que se vê muito no Brasil, e menos nas outras torcidas, é essa expectativa alta, que sempre tivemos com o nosso futebol. E isso é orgânico e quase incontrolável. Simplesmente não aceitamos ter dificuldade pra vencer um jogo. Tem que passar, e com folga. E aí que a pressão na canarinho é gigantesca, dentro de casa. E a meninada chora e está prestes a explodir. Bom. Azar deles. Já que é quase incontrolável, eles que se virem ganhar a Copa dentro de casa. Já que está difícil pra todo mundo, que tem campeão caindo todo dia, que tem Holanda virando jogo nos acréscimos, que tem Argentina fazendo gol no Irã no finalzinho, que tem Alemanha embrulhada com Ghana, os amarelos que se virem. A Copa 2014 é maluca, equilibrada, difícil e surpreendente, mas tem que ser nossa.

A Costa Rica, a grande surpresa da Copa na primeira fase, depois liderar um grupo com três campeões do mundo, e mandar pelo menos um deles de volta pra casa, começou um pouco diferente. Sentiu, frente a Grécia, adversário bem mais fraco do que Inglaterra, Uruguai e Itália, mais dificuldade. Demorou pra ficar a vontade, acabou fazendo um gol, mas em seguida teve jogador expulso, por falta boba. E aí teve pressão da Grécia, e muita catimba da Costa Rica, e tivemos mais um jogo com final dramático. E nem é pra ser diferente. É Copa do Mundo. Vale título, por quatro anos, de melhor do planeta. É pra ter drama mesmo! E a punição foi quase a mesma do México. A Costa Rica se encolheu, levou o empate, e o jogo foi pra prorrogação. Essa Copa é pros fortes. Quem se encolhe, vai embora. Com dez em campo, a Costa Rica levou pressão nos trinta minutos. Foi uma meia linha, sempre no campo costa riquenho. Mas a Grécia não teve habilidade pra finalizar, e mais uma vez a decisão foi pros pênaltis. Aí, o castigo mudou de lado. Se pelo recuo da Costa Rica, a Grécia mereceu o empate. Pela incapacidade da Grécia decidir a partida em trinta minutos em que a Costa Rica se arrastou em campo, o goleiro da Costa Rica pegou um, e mandou a Grécia de volta pra casa. No fim, deu Costa Rica. Com castigo, mas deu.

Imagens: Portal G1

 

 

 

 

 

 

 

E lá se foi metade da Copa. Hoje, um pouco mais, até. Das 32 seleções mundiais, 18 já voltaram pra casa. Superpotências do futebol mundial já caíram. Inclusive a atual campeã. Que não era assim, uma potência mundial. Mas carrega no colo já faz tempo um dos campeonatos nacionais mais ricos do planeta. A poderosa e multicampeã Itália, a sempre presente Inglaterra, a campeão Espanha, a seleção que trouxe o melhor jogador do mundo, Portugal, também já foi. Muitos europeus caíram, muitos americanos ficaram. Muitos decepcionaram, outros se destacaram, e alguns já foram mais longe do que jamais tinham ido. A maior festa esportiva do planeta vai bem. Teve Copa. E muito gol, e ótimos jogos, e continuam, e aumentam, as fortes emoções. É temporada de duelos mortais, na Copa do Mundo do Brasil.

E o Brasil foi justamente o primeiro dos grandes a entrar em campo nas oitavas. Encarou o sempre embaçado Chile. Aquele país curioso. Simpático, lindo, mas que no futebol sempre enrosca. E nessa Copa, teve um agravante. Além de enroscado, eles trouxeram um bom futebol. Essa foi uma novidade. O que não foi novidade, foi a dificuldade da seleção canarinho. A seleção Neymardependente. Hoje ele não jogou. Só apanhou. E aí, não teve seleção. Acabamos dependendo de avantes que não fazem gols. Pelo contrário. Entregam gols. E de um personagem que poucos esperavam alguma coisa. O profissional mais injustiçado do futebol. O goleiro. Porque goleiro é assim: Se pega todas, não faz mais do que a obrigação. Se leva um gol duvidoso, é crucificado e culpado pela derrota. Se leva um frangaço, pronto. Fim de carreira. Provavelmente também é o menor salário em qualquer time. E os atacantes, que perdem milhares de gols feios, que contam o mesmo número de gol que um erro do goleiro, nem são comentados cinco minutos depois do erro.

Júlio Cesar foi crucificado na última Copa, e de fato falhou feio em um dos gols da Holanda, que tirou o Brasil da Copa. Mas os gols que os avantes perderam naquele jogo, nem são lembrados. E certamente nenhum dos avantes fica quatro anos se culpando pelos gols não feitos. Fred hoje perdeu gol feito. O próprio Neymar deixou de bater de dentro da área várias bolas hoje. Ninguém culpa ninguém. Hulk quase tirou o Brasil da Copa, e por um erro que um guri de 13 anos não comete na escolinha de futebol. E ganhou estrelinha de comentarista famoso. E foi endeusado por muitos. E quase tirou o Brasil da Copa, da Copa dentro de casa. Mas se o goleiro tivesse levado um gol duvidoso… Aí precisaria de quatro anos se mortificando, e só seria perdoado se fizesse o milagre de pegar duas penalidades máximas no mesmo jogo. E mais uma defesa milagrosa. Pobres goleiros. Mas Júlio Cesar fez isso. Pegou duas penalidades e mandou o Chile pra casa. O Chile que tava metido demais, falando demais, e que se pegasse um Brasil de verdade, e não todo de fralda, levaria a mesma surra que sempre levou. É um bom time, é sim. Mas levou dois da Holanda, e levaria dois de um Brasil normal. Há algo errado no reino da seleção. Algo que está deixando Felipão inseguro. Que está fazendo  os jogadores chorarem como crianças, antes, durante e depois dos jogos. Deve ser o peso da medalha olímpica. Porque de Copa nunca tivemos isso. Mas como essa Copa é em casa, a pressão aumentou, e o ouro pesou. Ou, há ainda mais. Ou ainda, só falta futebol em um time que não é tudo isso, e que depende do talento de basicamente um jogador. Tá pobre o Brasil. Mas aos trancos e e barrancos, ainda dá.

E o nosso próximo adversário, a Colômbia, deu um passeio no abatido Uruguai. O Uruguai que foi defenestrado pela exagerada punição da FIFA ao vampiro da Copa. Acabou com o time como a Argentina acabou quando Maradona foi pego por doping. Não há como um time se recuperar disso em uma Copa do Mundo. A Colômbia que vem jogando bem em todos os jogos, que tem o melhor ataque e o goleador da Copa até aqui, passou o rodo no Uruguai. Tem o James que se fala Rames, que é craque, que como o nosso pode resolver, e que vai ser outra parada dura. Só não tem camisa. Mas não se ganha deles só com camisa. O Felipão precisa resolver a canarinho, ou, teremos mais um jogo com cara de final de Copa, antes de chegar nela.

Fotos: Portal UOL