Não faz muito tempo que a Copa Airlines entrou nas preferências brasileiras, para destinos América acima. E a razão é bem fácil de entender. É bem brasileira. Compras a preços justos! Porque nesse ponto, somos um alvo mais do que fácil. Pagamos fortunas por qualquer produto que seja considerado de qualidade, pelo mundo. O tal “custo Brasil”. Jeitinho brasileiro de dizer “assalto ao brasileiro pagador”. Porque qualquer brasileiro que compre, no Brasil, um produto mundial, é assaltado. Bom, comprando fora o governo também deu um jeito de dar mais uma assaltadinha, aumentando e criando impostos para compras fora. Mais uma vergonha desse país medíocre que cobra sua incompetência do povo. Enfim. Vamos deixar a política de lado, porque o objetivo é dar dicas do autodenominado “Hub das Américas”, o aeroporto do Panamá.

O voo que sai de Porto alegre é pequeno. Pequeno, pro tempo de viagem, claro. Um 737 800, que pelo que diz a Copa, é o maior da frota deles. Então nem da pra culpar a rodoviária de aviões de Porto Alegre, aquela que não tem pista pra avião grande e faz gaúcho ir de avião médio pra Europa. Espremidinho, mas faceiro porque não precisa ir a São Paulo. Inocentes. Aí ficam mil horas na alfândega, porque né. Pode comprar nada lá fora. Porque aqui os preços são justos. Eu sei, é artigo de dicas, não de choradeira. Mas é que sou desse tipo de gente. Inconformada pelo fato de morar numa aldeia indígena que ainda entrega tudo o que tem por espelhos dourados. Feitos na China. Bom. O avião não é confortável. Pelo menos pra alguém com quase 1,90, como eu. Os bancos tem pouco espaço, reclinam pouco, e o serviço é meio jogadão. Mas não é ruim, o serviço. O conforto sim. O povo passa o tempo todo levantando pra caminhar ou ficar ao lado do banco. Banco sim. Não dá pra chamar de poltrona. Em resumo, você que vai escolher a Copa pra aquela paradinha pras compras, saiba que não terá conforto pra isso. Vai espremidinho.

Não sei se foi azar ou não, mas as duas aterrissagens foram com emoção. Certo. Avião no chão, tínhamos 2 horas pra fazer as compras da ida. Na volta, nos deixam 6 horas lá, pra gastar bastante. Como eu queria fazer uma compra fundamental na ida, uma GoPro Hero 3 que seria (e está sendo) absurdamente usada na água e fora dela, saí comprando. Calma. Dá tempo. Te dizem que o aeroporto é enorme, que tem que correr. Não é. Claro que não é como nossas rodoviárias de avião aqui do Brasil. Mas quem conhece uma beira do mundo aí, nota que é pequeno sim. Não é limpo, mas faz sentido e é bem organizado. Dentro do avião já tem um mapa dele, que é pra você saber pra onde precisa sair correndo.

E tem muita loja. Nem tudo vale a pena, mas tem muita coisa que vale. Assim, comparando sempre com a nossa aldeia. Não vale comparar com país de verdade, que produz as coisas e sabe o preço justo, como os Estados Unidos. No Tio Sam tudo é muito mais barato. Tudo mesmo. Então que a comparação é com o Brasil. Tem várias lojas de roupa, as do mundo, com preço bem menor que o nosso. Mas ainda assim, quase caras. Tem que dar uma olhada nas promoções, que aí sim, podem valer a pena. Já nos eletrônicos o jogo é mais fácil. Nos celulares, não pareceu tanta vantagem. Mas também não olhei com tanta atenção assim. Já nas máquinas fotográficas, vale a pena mesmo. A máquina que comentei acima, saiu por 430 dólares. Espia aí no Brasil, o preço da Hero 3 Black. Dá nem graça a brincadeira.  Bom. O aeroporto é fácil, bem fácil de se localizar, as lojas estão espalhadas pelos corredores das “asas” do aeroporto, e na região central dele. Então, sem pânico, 2 horas dá pra comprar metade do aeroporto.

O Panamá é um país interessante, nessa jornada optamos por não fazer stop, nem na volta, mas deveria, e na próxima farei. As compras fora do aeroporto, dizem, são um pouco melhores. Algumas, não. Outros equipamentos eletrônicos também são super vantajosos, como HDs externos, pentes de memória pras nossas mil máquinas e dispositivos dessa linha. Os “recuerdos” do Panamá não chegam a ser muito criativos, mas o chapéu clássico é obrigatório! Bueno, boas compras pra quem passar pelo Hub das Américas, sim, é um exagero, claro que é. Mas se comparar com as nossas rodoviárias de avião, teria que chamar de Hub das Galáxias! Só não esqueça de encolher as pernas antes de embarcar!

Hasta la Vista! Próxima parada, Cancun!

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O Aeroporto.

A Copa, ou o Copo?

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Ou o caneco?

Estamos na véspera. Chegou a hora. O bola está rolando… Pra cima do Brasil. Quem pensou, como eu, que a Copa seria um ganho, errou. Foi amassado, pela bola. E pelo tatu, bola. A bola da incompetência. Não dá pra se enganar. Pra fechar os olhos. É certo, e estamos acostumados com as nossas lambanças do dia a dia. Quase nada funciona direito no Brasil. Quase nada. Não temos leis, não temos justiça que funcione, não temos saúde, não temos infraestrutura de nada, temos milhões de rios e terra para ferrovias, e andamos de caminhão pra cima das pessoas num dos trânsitos mais violentos do mundo, nossa economia é frágil, pagamos um absurdo por um carro que lá fora é popular, só conhecemos a Apple porque ela inventou coisas baratinhas (que chegam aqui caras), nossos políticos, aos invés de trabalharem pra nós, acham que somos escravos deles… Enfim. O Brasil é uma piada em todos os sentidos possíveis. Mas era só uma Copa. Alguns milhões de turistas, meia dúzia de estádios e seu entorno. Claro que ia ter a vergonha de ninguém falar inglês, de os turistas serem explorados até o último cent, que os caras não iam conseguir fazer um pedido num restaurante sem contar com algum estudante por perto pra ajudar, que iam sofrer nos táxis, que iam procurar metrôs que não existem, e iam ser roubados nos ônibus. Iam descobrir que o Brasil não evoluiu droga nenhuma, que é tudo uma melhora do terrível para o muito ruim. E só. Isso, já sabíamos. Mas pelo menos o básico, deveria estar aí.

Mas não está. Nada foi feito. Não houve ganho nenhum pras cidades. Não houve legado, não houve benefício. A Copa irá embora, e só nos restará a vergonha. Tenho muitos amigos e conhecidos fora. Digo a todos eles: Não, não aconselhem as pessoas a virem para a Copa. Vocês querem conhecer o Brasil, me avisem, e programamos. Mas não se aventurem nessa terra de ninguém. Aqui, nada está preparado pra receber visita. Estamos mal em absolutamente tudo. Ninguém se acerta. Não sabemos fazer. Não conseguimos. A Copa chegou, e a verdade vai aparecer. Somos incompetentes. Institucionalmente, incompetentes. Bom. Mas não tem nada de novo aqui. Tudo isso já sabíamos. Só podíamos ter pego a carona do momento econômico e do bônus demográfico que faz com que seja impossível o Brasil ficar pior, não importa quão fraca é a máquina pública (e é muito fraca, não só agora, sempre foi. Sempre, desde que os índios receberam os primeiros espelhos dos larápios portugueses), e ter feito algumas coisas para enganar a vergonha. Minimizar a vergonha. Criar um corredor de glória pra turista, em um país de vergonha. Meio como Cuba. Que é uma pra turista, e outra pro povo, que foge do país sempre que pode. Mas qual seria o melhor? O corredor pra turista, ou a verdade nua e crua. Ainda fico com o corredor. Porque o vexame já passamos todos os dias mesmo. Que ficasse nas internas.

Ah sim. O gigante acordou. Essa festa, que foi genuína por um momento, e provavelmente não será genuína durante a Copa (com sorte, até pode ser que seja…), vai voltar. Os convidados serão provavelmente outros. E assim como no final dos protestos que pararam o país, grupos de mierda vão se infiltrar, e se apossar do movimento, e fazer bagunça e gritar palavras de ordem que são só de meia dúzia e não do Brasil. Tudo isso vai acontecer na Copa. O quanto ruim vai ser? Bastante ruim. Não esperem nada mais ou menos. Será bem ruim. E talvez, perigoso.