Tudo começa quando você topa com um Darth Vader, ou um Luke, em alguma loja física ou virtual. Agora então, na véspera do Episódio 7, turbinado por um gigante império do entretenimento, e sem limitações de caixa, tudo isso vai aumentar. Um dos maiores, senão o maior ícone de ficção do cinema está de volta, e com força total. Será como um grande ataque imperial. A galáxia será varrida por Star Wars. E você, seja por nostalgia ou encantamento novo, será fisgado. Se vai escapar dessa, ou vai comprar o primeiro action figure ou não, é a grande questão. Mas se comprar o primeiro… Seja bem vindo, novo colecionador!

Este artigo tem como objetivo justamente isso, ajudar quem chegou agora, a dar os primeiros passos no mundo do colecionismo de action figures Star Wars. Então, aqui vamos nós… Vi ou comprei uma figura de ação Star Wars, um Darth Vader. Tinha de vários tamanhos, e preços, e acabei comprando uma de algo chamado Black Series. Quero colecionar Black Series, onde eu compro? Calma. A primeira coisa a fazer, antes de sair comprando como um louco (como eu fiz no primeiro mês), é entender um pouco mais sobre um dos universos mais ricos e infinitos do colecionismo: Star Wars. É um universo tão vasto, que você precisa entender, se localizar, e só depois, talvez, você consiga saber o que vai colecionar. Você vai mudar de ideia, ou fazer leves (ou graves) correções no seu plano de coleção original. Talvez anualmente, talvez em menos tempo. Não importa, e é normal. Mas sério. Você precisa entender o universo denso que está se metendo. Ou pode colocar muito esforço, tempo, e dinheiro, no lugar errado.Se conhecer alguém que te guie no início, genial. Eu tive um guru, o Rodrigo, que me vendeu muita coisa, e acabou sendo um grande amigo pessoal. Um colecionador experiente que te dê dicas pode fazer toda a diferença no seu ingresso nesse mundo.

Os actions figures, ou figuras de ação são produtos licenciados da Disney (que obviamente você já sabe, comprou do Lucas os direitos da Saga, por alguns bilhões de dólares. Que serão poucos, já no primeiro filme). E eles vem de todos os lados, com todas as propostas, várias escalas, acabamentos, articulações, e claro, preços. Então de largada, você precisa estabelecer o seu foco. Ou, não estabelecer nenhum foco, que também é uma decisão. E muitos grandes colecionadores fazem isso. Compram o que gostam. Essa é a mágica do colecionismo em um universo tão complexo quanto Star Wars. Não existe certo e errado. Existe o que você se propõe a fazer, e colecionar. A chave de tudo é a pesquisa. Conheça as opções. Pesquise as empresas que fazem action figures Star Wars, e tente definir o que você mais ambiciona, ou o que mais te desafia.

Particularmente, o que me desafiou, foi a imensa quantidade de personagens que a primeira empresa (Kenner, depois comprada pela Hasbro) produziu, na chamada “escala clássica”. A famosa 3.75. São os Hasbro 3.75 que apresentam a maior variedade de personagens. Estamos falando de algo em torno de 500 personagens (desconsiderando as aparições em cada filme, e desconsiderando o Universo Expandido, que falaremos depois) diferentes. Bastante coisa. Alguns bem difíceis de conseguir, porque, entenda, cada coleção produz alguns personagens. Outros, só as coleções antigas produziram, e talvez nunca mais serão feitos. Já começou a complicar, né? Vamos facilitar. Entre nesse site, um dos melhores pra entender o mundo Hasbro 3.75, a mãe de todas as coleções de action figures Star Wars: http://jedibusiness.com/. Clique em Toy Lines, e comece a entender o que é cada coleção. Boa parte dos personagens, e cada cena mais famosa de cada filme, são repetidos nas coleções. Mas existem personagens que só foram lançados uma vez, em qualquer ano entre 78 e hoje, e talvez nunca mais seja feito de novo. Então, se você traça um plano como o meu, de ter todos os personagens já produzidos, que aparecem nos filmes, tem que garimpar peças antigas, que só se acha nas mãos de colecionadores, em lojas especializadas, e claro, no Ebay ou Mercado Livre. Espiou o site, entendeu as linhas de coleções? Ok. Mas ainda tem outras maneiras de entender. Agora navegue pelo menu Master List, no mesmo site. Ali, por ordem alfabética, você verá todos os personagens já lançados, seja dos filmes, seja do Universo Expandido. Ok, mas o que é isso de Universo Expandido? Bom. São edições especiais, comemorativas, de grandes eventos, de séries Star Wars, de video game Star Wars, de qualquer coisa relacionada ao universo, que cria novos personagens que nunca existiram nos filmes. Ah, ok, esses não vão me interessar. Só quero os dos filmes. Também pensei assim. Mas tem muitos que são bacanas demais, e alguns você vai querer. Hoje tenho 11% da minha coleção do Universo Expandido, e com a lista alvo completa eles serão em torno de 20% da coleção. Bastante coisa. Muitos do universo expandido são versões dos personagens dos filmes, versões bacanas, difícil de resistir. Outros são personagens completamente novos, alguns estilizados que nem encaixam no contexto do filme. Aí, fica mais fácil de descartar. Que bom né? Senão você precisaria comprar quase 3 mil actions figures. É, esse é o montante hoje, de tudo que já foi lançado. Só nessa escala. Claro que aí repete versões de todas as coleções e tal. Que pra mim nem faz sentido. Porque as peças evoluem, e cada nova coleção tende a vim melhor acabada, com mais articulações.

Aí vem a sistemática da escolha. Quero o Luke da Cerimônia de vitória do Ameaça Fantasma, qual eu escolho. De qual ano, de qual coleção? Abra o site, encontre o Luke (os personagens principais, que mais tem versões, tem uma guia só deles, que facilita demais, que é a guia “Caracters” . Espia lá. É separado por filme, e você pode ler na resenha da figura quantas articulações que cada um tem, os acessórios que acompanham e tal. Fácil não? Ok, e esse site tem tudo? Não. Muitos personagens não estão lá. Porque é muita coisa, e é difícil compilar. Mas é o site mais organizado e fácil de encontrar tudo. Você vai usar outros sites, como o Rebelscum, JediTemple, e livros como o “Star Wars: The Ultimate Action Figure Collection” pra montar sua coleção alvo. Caramba, é muito trabalho! É sim, não se iluda. E mais, a graça é essa mesmo. Também é importante participar de grupos, mas já alerto que isso vai te viciar ainda mais. Eu participo do Star Wars Action Figures Brazil Collectors. E depois tem os grupos de Negociações. Tudo no facebook, claro.

E aquelas figuras lindas que vejo expostas nas lojas de jogos dos shoppings, que custam quase mil reais? Bom, como falei, o universo é infinito, e as opções também. Tem a turma da Sideshow, tem a turma da Kotobukiya, e lá se vão, muitas outras opções. Então eu diria que a primeira grande escolha é: Quero muitos, quero garimpar, quero ter o maior número de personagens possível, cenários, naves, acessórios... Ok. Bem vindo ao Hasbro 3.75, o clássico dos clássicos. Quero menos quantidade, mas quero figuras maiores que os 11 cm da 3.75, e mais detalhados. Bem vindo ao Hasbro 6′, a nova sensação do momento. Mas não terá toda a variedade de personagens do 3.75. Jamais. Bom, quero bem poucos, mas com uma qualidade absurda, detalhes impressionantes. Legal. Espia a Sideshow, a Koto, e pesquise outros licenciados de alta qualidade.

O colecionismo Star Wars passa por decisões, grandes decisões. Porque acredite, comprando tudo de todos, vai faltar tempo e dinheiro. O criador do grupo Brazil Collectors, o João, já amigo (sim, você fará vários amigos nesse mundo) costuma dizer que a força da minha coleção está no meu foco. E realmente foi uma premissa desde o início. Mas deu trabalho. Muito trabalho. De pesquisa, e organização. Outra dica. Cadastre tudo. Se fizer isso a cada compra, é fácil. Se deixar pra depois, pode ficar inviável. Cadastre nome da peça, coleção, ano, vendedor, se comprou lacrada ou loose (os mais antigos é bem normal só achar loose, ou fora da embalagem), se quiser ter dor de cabeça, cadastre quanto pagou, enfim. Registre e organize desde o início. Ou em pouco tempo você nem vai saber mais o que tem. E caso se proponha a uma coleção de grande porte, se organize mais ainda. Ou fatalmente irá comprar repetidos. Ah sim, quero fazer tropas de clones, de guerreiros, pra fazer cenas e tal. Legal. Organize isso também. Se proponha um alvo, e tudo fica mais fácil. Ou, não proponha alvo nenhum, e viva intensamente cada alegria de pacote de correio chegando na sua casa. Tudo é válido nesse universo. Cada opção é totalmente particular, e sua, e a coleção certa pra você é a que mais te dá prazer. Simples assim. Mas lembre-se. O universo é grande, e dificilmente, a menos que seja filho do Bill Gates, você poderá comprar tudo.

Claro que um universo tão denso e rico não poder explicado assim, em uma artigo simples, por um colecionador “novato”, mas que justamente por ter passado por muita coisa super recentemente, e hoje já ter uma coleção de um nível razoável (hoje são 416 actions), já se pode ter uma pequena ideia de onde você está se metendo. E quer saber? Todo esse trabalho, é um dos maiores removedores de stress, uma válvula de escape e produtor de alegrias fáceis que a gente pode ter. Colecionar faz parte da nossa natureza, ajuda a contar a nossa história, como a cara de cada coleção é uma pequena amostra da nossa maneira de pensar. E o legal e grande barato de Star Wars, é que essa galáxia é tão grande, mas tão grande, que você vai poder montar de uma forma que ninguém fez, vai selecionar uma coleção tão particular, que ela é quase que uma identidade. Se você já decidiu que está a fim, bem vindo a essa mundo, May the Force be with You. Se não entrou, e nem quer entrar. Bem, então nem se arrisque a comprar o primeiro…

 

O Brasil na Estrada

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Aí quando chega a crise, entra logo o assunto brasileiro na estrada. Porque é uma grande e feliz surpresa, que o brasileiro é um povo curioso e viajante. E nem todos povos o são. Muitos povos, e estou falando dos que realmente podem, não se propõe a colocar o pé na estrada atrás de conhecimento, cultura, mas só de diversão e descanso. E aí são duas vertentes, e na minha visão bem diferentes. Muitos, e aí de lá de fora e daqui, viagem pra descansar ou se divertir em um lugar diferente, e nem mesmo querem saber que tipo de cultura e história irão encontrar. Eu vejo muito assim o americano, e muitos países europeus. Pra exemplificar, vamos de americano. Que pode ir pra qualquer lugar, porque tem recurso e moeda forte, mas opta bem mais pelos destinos de descanso e diversão. Antes de qualquer coisa, vamos lá: As exceções existem pra confirmar a regra, e não pra anular ela. Então, estou falando da grande massa. Eles pegam a estrada na maioria pra Canadá e México. Depois vem as viagens para os países europeus, com 10 vezes menos visitas. Dez. Certo que o México tem muita história. Mas certo que não é isso que eles querem lá. Eles vão é pra praia, pros resorts gigantescos e era isso. Então o exemplo é válido. E como eles, tem muitos outros.

Claro que o Brasil também viaja atrás disso, diversão e descanso, mas pelo comparativo de poder aquisitivo, você vê muito mais brasileiro atrás de cultura, do que muitos outros povos. Obviamente que tem o fator “Custo Brasil” nessa conversa, esse carma que nosso povo incompetente compra quando não sabe votar, e muito menos cobrar os seus representantes (o que é tão péssimo quanto não saber votar, porque leva a cabo o erro repetido, que é o pior de todos), e que reflete num das piores gestões públicas do planeta, e nos transforma, na prática, numa republiqueta que ainda troca “ouro por espelhinhos”. Que tudo que é razoavelmente bom aqui custa um fortuna e na prática não é possível comprar bons produtos no Brasil sem ser pilhado. Por impostos, e por incompetência no transporte, na infra, na política, e tudo o que torna nosso preço geral um dos mais ineficientes e patéticos do planeta. Porque temos riquezas pra estar no top 5, ou top 4. Enfim. O brasileiro tem muito motivo pra sair daqui pra comprar. Tem todos os motivos, pra aproveitar as férias, pra poder comprar coisas que custam o ridículo custo Brasil aqui, por um terço ou menos lá fora. Tem que ser assim. Por isso que os EUA, o melhor país do mundo pra comprar, está no topo dos nossos destinos. E aí vem nossa linda intenção de conhecer a cultura e ver de perto a história, porque logo vem a Europa com sua história. Porque lá, via de regra, não é tão bom de comprar. Comparando com países de compra, lógico, não com nossa aldeia do “ouro por espelhinhos”. Porque aí não tem nem graça. Então fica fácil de provar que o Brasil viaja sim, com muita força, pra conhecer, e não mais pra divertir e comprar. Nas suas proporcionalidades de necessidade. Veja bem. As vezes, muitas vezes, números absolutos são bobinhos como portas.

Essa enrolação toda, é pra dizer o seguinte: O Brasil, viaja muito, apesar de tudo o que enfrenta, e que precisa buscar lá fora, atrás de cultura e conhecimento. Viaja mesmo. Pra onde você for, está lá estampado o brasileiro. Em destinos que tem pouco europeu, que tem pouco americano, e tem um monte de história, e lá está o brasileiro. Estamos por tudo. Bom, agora com a nossa moeda de volta a nossa pobre realidade isso vai diminuir, claro. Mas não vai acabar. Observem, as viagens de compras é que vão diminuir mais, frente as viagens com cunho cultural. E isso é um fator econômico impeditivo, que não se relaciona com o nosso desejo essencial de conhecer e aprender. Se todos viajam preparados pra absorver o conhecimento por ondem passam, aí são outros quinhentos. Vem a questão estrutural e nosso bando de deficiências de base. Mas o instinto é esse, porque a turma batendo cabeça ou não, está na estrada, e com muito foco em conhecer. O Brasil está de parabéns, porque nesse sentido, a curiosidade, o interesse por outras culturas e histórias, é muito maior do que muitos povos com muito mais dinheiro, e muito mais preparo para conhecer e aprender.

Sim. Este post inaugura mais uma sessão de artigos de viagens. Nessa rodada vamos falar de Grécia, Alemanha, e uma pitadinha de Áustria. É só aguardar!