Então é chegada ao fim mais uma edição do Big Brother Brasil. Mesmo que a KGB ainda insista em prolongar mais uns dias o jogo, a boa edição do 15 já chegou ao seu final. E o modelo que teve uma desistência sem reposição, acaba esvaziado antes do tempo, deixando a deriva, de casa vazia, silenciosa e sem graça, as etapas finais do programa. A saída de Mariza, que vamos falar mais profundamente em seguida, interrompe a saga de Adrilles, por mais de um motivo, e deixa apenas um casal perdido aos beijos pela casa, e um robô montado para o BBB silencioso, receoso de falar algo fora do seu estudado, misturado, forçado e planejado script. O 15 silencia em sua idade de morte. Resta assistir ao futebol entre o robô, e uma estátua.

A Artigolândia errou o último paredão. Um paredão relevante, com impacto na final, e no campeão. Coisa anormal, por aqui. Por 0,22%, poderia dizer. Mas não foi. O 0,22 é bastante parecido com o evento dos protestos que iniciaram outrora no país, supostamente por 20 centavos no aumento do ônibus. Não era nada daquilo. Nada mesmo. Tanto que os protestos voltaram sem aumentos. E em outro momento os aumentos voltaram sem protesto. Os 0,22% de Mariza foram mais do que isso. Eram bem mais profundos. E ainda, podem ter duas explicações diferentes, ou que se somam e viram a mesma. Mariza não teve, de fato, só um inicio de jogo confuso pra ela mesma. Ela participou, e articulou, o primeiro grupo que atacou. Daqueles grupos que atacam primeiro, que nunca vencem um BBB. Sua participação, bem como a de Adrilles, é inegável naquelas combinações iniciais. E é porque os grupos se misturaram, se inverteram, viraram uma suruba nunca antes vista em uma edição, que esquecemos disso. Pois o sofá pode não ter esquecido. E aí, Adrilles cai junto e Cézar vence.

E Cézar não teria muitos motivos pra ter força. Começou engraçado, mas do meio do jogo pra cá, é chato, repetitivo, forçado demais. Falasse ele com Bial, com o público com o mesmo tom, e da mesma maneira que falava com Mariza, ele não seria tão ruim, na sua possível vitória. Fora o fato de mais uma vez, um banana caipira levar a taça. Sem novidade alguma. Chato e pobre. Mas ele fala diferente, força tudo. O tom, a palavra, a face, tudo é artificial, previsível e chato. Até o voto dele é chato. Cuidadosamente feito pra cair longe do voto de todos os outros. Não é natural. É chato, nada genuíno. Robótico e até bem burro. O que não é burro é sua boa visão de jogo. Ele vê bem, junto com Mariza tinha a melhor leitura da casa. Então ele não é burro. Só faz um jogo pra inocente ver e não perceber. Mas, e esse mas talvez seja o mais importante dos componentes finais, a casa também foi burra. Emparedando o cara sem parar, querendo julgar o seu jogo, sua opção, ensinando quem estava ganhando paredões, a jogar. Engraçado, não? Cézar ia eliminando os amigos deles, e eles querendo ensinar o vencedor a jogar. Burros também. E aí, como bem lembrou o bom e velho Jack, o antigo dito que a Artigolândia defende com unhas e dentes, since 2010: Se a casa persegue (sem motivo relevante), o público protege. Assim, fica Cézar, sai Mariza, e o 15 termina uma dúzia de dias antes do fim. Assim, talvez mais uma vez, e aí carregando o 15 pra galeria das edições com vencedores medíocres, vencerá o que menos errou, só porque os demais erraram mais do que acertaram. Porque o jogo de Cézar, é de chorar!

Fernando, o péssimo jogador externo, e exímio jogador interno, só tem uma chance de não ser execrado: Ficar fora do último paredão. Aí, vai acabar em terceiro com 5 ou 6% dos votos. Se cair no último paredão, vai encarar o julgamento contra um potente Cézar, e um decadente Adrilles. Adrilles simplesmente ama Fernando. Talvez seu ciúme não seja Amanda. Seja Fernando. Deixou, por Fernando, sua parceira de jogo todo encarar, e perder para Cézar um paredão desnecessário. Não tiveram habilidade para dar um nó em um robô que fala com uma estátua e vem decorando seus discursos ao longo de 11 anos previsíveis.Os inteligentes nem sempre são espertos. Adrilles é a prova viva, da sobra de QI inocente, tonta e desligada da vida. Amanda termina o 15 fazendo a Maria, forçando uma rejeição, cutucando, obrigando declarações que não virão, criando coitdadice e gerando pena dela mesma. É sua última esperança pra uma arrancada final.

Eventualmente Adrilles pode até ganhar, apesar de que talvez não mereça. Seria interessante por algum inteligente de fato e de direito vencer uma edição. Espertos já venceram. Altíssimos QI, não. E nunca mais serão. Toda uma conformação especial, incluindo Mariza, era necessária para um vitória de um poeta nerd atrapalhado. Isso aconteceu, mas a cegueira de Adrilles e sua paixão platônica por Fernando, acabaram com Mariza e com o próprio, que agora só ganha, se o público decidir que, “poxa vida, de novo um desses? Já damos nosso recado com Mariza, agora, não dá pra engolir outro caipira sem graça de novo”. Porém, e esse é o último porém, um cara inteligente saberia que Max quase perdeu pra uma concorrente menos evidente Pri, só porque Fran estava lá, na final, pra dividir os votos. Um cara inteligente saberia que com Cézar na final, que já havia voltado de 3 paredões, dois participantes quase de mesma torcida não teriam a menor chance. Um cara inteligente, que quisesse mesmo ganhar, respiraria aliviado se sua principal parceira, e de força equivalente, não estivesse lá. Se isso for real, e aí pena que nunca vamos saber, aí sim Adrilles seria merecedor da vitória. A decepção da KGB é evidente, e até ela não vê a hora de a edição acabar. Colocando Big Fone ridicularizado até por quem foi penalizado por ele. Já sem paciência pra discutir o romance que era mas acabou, virou guerra e depois paz, e depois sexo explícito e promessas vazias. Quão previsível se tornou o imprevisível. Que chato acabou, o divertido, movimentado e imprevisível 15. Que final melancólico, pra um jogo bem jogado. Mas o que vale mesmo, é o caminho. A chegada é só um segundo. O caminho, é que dura a nossa vida toda.

Imagens: Rede Globo de Comunicação.

 

 

 

 

Um Novo Livro

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Claro que é um clichê. Claro que todo o ano, ele volta e volta, e dá mais duas voltas e volta de novo. Uma virada de página. Um novo livro, novas promessas, metas, proibições, e mudanças e tudo novo de novo. Ou nada disso, e só palavras. Palavras ao vento, como dizem os sábios orientais, lá do outro lado do planeta bola. Mas o que interesse é que todos se mobilizam, se declaram, se organizam, ou pelos menos tentam fazer isso. E essa tentativa por si só já é válida. Porque é uma espécie de botão da moda. Aquele botão, que toda essa nova geração nasce com, e que boa parte da a minha geração adotou um pequeno, e que as gerações anteriores dificilmente conheceram um. O restart.

A nova geração reinicia tudo com uma facilidade impressionante. Desde um estágio na empresa dos sonhos de toda a sua faculdade, até um namoro que até ontem era o amor da sua vida. Ontem. Não semana passada. A nova geração troca tudo mais rápido do que troca de roupa. Se for em noite de alguma festa pegada, com noite virada, troca realmente mais rápido do que troca de roupa. Mas, pro resto dos mortais, aqueles que não se sentem Super Heróis quase todo o tempo, para aqueles que não se sentem em condições de dobrar o tempo ou surfar em outras dimensões, é mais difícil de apertar o Restart com toda força. É mesmo. Para esses demais, o fim de ano é especial. Ele representa uma oportunidade quase única. A grande oportunidade do ano, de começar uma nova página, um novo volume, uma nova edição toda nova, com pouco ou nenhum compromisso com o passado. Ou com todo o compromisso. Aí, é cada um. Início de janeiro é assim. Diário novo. Linhas em branco. E cada um decide, se continua o que deixou lá no outro, ou passa e régua e vem com tudo novo. Bom início de ano gente boa. Um ano novo que vem diferente dos outros aqui na Artigolândia. Vem volume novo. Diferente dos outros inícios de ano… Pelo menos, no que se refere a passatempos, e letras e palavras, e artigos, e blá, blá, blá.