A Sardenha como ela é.

    A Sardenha é uma ilha grande, paradisíaca, tranquila, ideal para vários tipos de turismo, e que com a preparação certa, pode ser ainda mais perfeita do que ela já é. A linha costeira sarda tem aproximadamente 1.850 km. É a segunda maior ilha do Mediterrâneo, só perdendo pra sua vizinha Sicília. Não é pouco, até mesmo pra gente acostumado com país-continente. O principal da Sardenha certamente é o turismo paraíso, aquela das praias maravilhosas, dos hotéis com vista deslumbrante, da baixa rotação e baixa velocidade da estada. Não espere o agito de grandes cidades europeias, suas compras e promoções de marcas e objetos de desejo. A Sardenha é um paraíso para ser desfrutado desaceleradamente. De praia em praia, decidindo em qual das maravilhas você vai parar, em quais vai dedicar mais tempo, porque você não terá tempo para todas. O mais difícil por lá, é decidir em quais ou quantas praias você vai passar o turno ou o dia. E tem praias de fácil acesso, outras você estaciona e caminha um pouco, e outras requerem até trilhas fáceis e médias.

    Mas a ilha sarda não é só praia. Montanhosa, com rochas entre as mais antigas da europa, as mais antigas da Itália, essas paisagens também são de tirar o fôlego, assim como a vista pelas lindas estradas. As cidades são pequenas, seus 1.700.000 habitantes se dividem em 8 províncias, duas capitais tem perto de 150 mil habitantes (Cagliari e Sassari), e as demais todas abaixo de 40 mil. Ou seja, é aquele lugar de pequenas e agradáveis cidades, com as coisas ao alcance de alguns minutos. E tem história pra ver por lá também! Há quem diga inclusive que a Sardenha pode ter sido a lendária Atlântida! Cartagena, Roma, Bizantinos, Gênova, Pisa, os árabes, Reino de Aragão, todos passaram por lá. Então a cultura, comida, e línguas (tem cidade lá que fala Catalão!) é super interessante!

    Quando ir?

    Como o principal da Sardenha são as praias, apesar de toda a beleza das suas cidades, o idela obviamente são os meses quentes. Maio (12 a 22°) é mais arriscado. Junho (16 a 27°) engrena (foi quando estivemos lá, e foi perfeito, nenhuma gota de chuva, e bem quente. As vezes até demais, apesar da água do mar não ser quente). Julho, agosto e setembro seguem bem quentes (19 a 30°), e outubro é equivalente a maio. Porém as chuvas são bem mais frequentes a partir de setembro. Leve em conta a temperatura da água do mar também. Em maio e junho fica entre 18 e 21 graus. É fresca. Pra ficar mais tempo, como mergulhar, snorkel, vai bem um neoprene leve. Pra curtir a praia vai na boa, arrepiando um pouco na entrada. Julho, agosto e setembro fica mais quente, 24 a 26°. Aí já bem quente. Fora desses meses citados, fica entre 15 e 18°, aí sim, é fria mesmo, não rola ficar horas lá dentro. Observe que julho e agosto, apesar de ideais, são lotados por europeus em férias, e tudo vai fica menos romântico porque as praias em geral são pequenas, aí lota mesmo. E os preços, claro, vão decolar. Nós fomos em meados de junho, e não tenho do que reclamar. Claro que a água poderia estar 2 ou 3° mais quentes pra ficar perfeito, mas mesmo assim, tenho convicção que acertamos a data levando em conta os outros fatores.

    Quanto tempo ficar?

    A primeira coisa a fazer, é dedicar um certo tempo a ela.Tenho 3 dias para a Sardenha, onde vou? Na boa, não vá. Menos de uma semana, não vale a pena. Porque você teria que voltar depois, ou só estaria mesmo carimbando o passaporte. Diria que o ideal fica entre 10 e 15 dias. Aí seria possível conhecer alguma coisa do sul, e dedicar pelo menos 10 dias no norte, onde estão as melhores praias. Eu sei que é bastante tempo. Mas a não ser que você não goste de praia, é esse o tempo pra conhecer o melhor da ilha. mas como raramente se tem esse tempo todo, uma semana dá pra fazer, escolhendo provavelmente a Baixa sardenha ou Porto cervo como base, e curtindo a Costa Esmeralda em sua plenitude. Nós tivemos 10 dias lá, e escolhemos o norte. Entrando por Alghero e saindo por Olbia, fazendo toda a costa norte que dá de frente a Córsega (que também fomos, e que também falaremos)

    Onde ficar?

    São muitas as opções. Então de largada você vai ter que escolher quais as cidades bases, e qual seu trajeto interno, que será de carro. Estudei bastante as opções no norte, e desisti do sul por ter apenas 10 dias por lá (me arrependi, devia ter deixado minimamente 12 ou 15 só pro norte). No sul, a base natural é Cagliari, a capital que fica perto de boa partes das praias dessa região. No norte é mais complexo, e pelo que estudei, optei por fazer a primeira base em Alghero e depois seguir por toda costa norte, com pernoites em Stintino (La Pelosa é uma das melhores praias sardas) e Baixa Sardenha, antes de sair por Olbia. O bom disso é que você pode fazer a imperdível Bonifácio na Córsega, a partir de ferry em Gallura. Na casa de 10 dias, acho essa a melhor opção. Se for menos tempo, escolha um hotel próximo a Costa Esmeralda, que te permita circular pelas dezenas (ou centenas) de praias maravilhosas. Aí a dica é pegar um resort com estrutura. As dicas de onde ficar vão ficar mais claras nos posts das cidades e praias.

    Como chegar se locomover?

    A partir de grandes aeroportos se chega fácil nas cidades sardas que tem aeroporto. São 3, Olbia, coladinho na famosa Costa Esmeralda, Cagliari, na capital, bem ao sul, e Alghero, na barceloneta sarda, no norte. Escolha o mais perto da sua base. A sardenha é uma região italiana que não tem autoestradas, mas as estradas são perfeitas e bem sinalizadas. Estreitas, claro, mas perfeitas. Espere muitas curvas, sobe e desce e vistas deslumbrantes entre cidades, porque tudo lá é montanhoso. Você vai precisar de um carro, ponto. Não dá pra curtir a ilha sem. As praias são perto das bases, mas perto pra carro, e o transporte público não vai atender sua demanda, então, nem pense. Alugue um carro.

    Particularidades e Curiosidades

    Quando se fala em Sardenha, se pensa na Itália. E é. Mas não espere tanta Itália assim. A pizza continua lá, a língua italiana também, mas a arquitetura muda, os artesanatos, e a própria cultura sarda é visível. Os sardos não são homogêneos no ponto de vista genético. Por exemplo, 42% pertence ao grupo genético comum na escandinávia. As línguas são o italiano e o sardo, com alguns dialetos por região. A gastronomia sarda é antiga e peculiar, apesar dos pratos italianos estarem por tudo. É uma região autônoma, com estatutos especiais assim como Vêneto. A sardenha só virou |Reino Italiano| em 1861. A curiosa bandeira tem a Cruz de São Jorge com 4 cabeças de Mouros, e simboliza a vitória do povo sardo contra os sarracenos, no século XIII.

    Nos próximos posts, falaremos de roteiros e mais detalhes sobre as cidades e praias que visitamos. Até lá!

     

    Olimpíadas 2016

    13 comments

    Ledo engano. Meu. Que critiquei desde sempre a realização dos Jogos no Brasil. E no Rio. Um erro, claramente, provado. Fui contra e fiz campanha contra sempre que possível, no Brasil e fora dele. Por aquelas razões todas. Os desvios do nosso dinheiro, de cada dia. Os micos da nossa desorganização, do improviso onde não pode haver, da violência e tal. E tudo aquilo que nos faz encher de asteriscos nosso próprio país. Muito se fala de legado, e se remete a prédios, estádios e infraestrutura. Besteira. Nada, mas nada se compara ao verdadeiro legado de uma Olimpíada. O esporte. As modalidades que muitos nem conheciam, que muitos nunca valorizaram, nem sabiam como funcionava. Principalmente em um país praticamente mono esportivo como o Brasil. Sim, tem vôlei, e alguns outros. Que são tão importantes no país que mal aparecem nos meios de comunicação. É só futebol, do início ao fim. Toda a semana, várias vezes por semana. E só. Mais de 200 milhões de habitantes e um esporte só. E o engraçado é que nem somos mais tão bons nesse esporte. E por isso que mudei de ideia sobre as Olimpíadas aqui. Não porque deu tudo certo, e porque o mundo teve que rever tanto medo da Rio 2016, e nem precisava ter tido. Mas porque me dei conta, a cada dia, a cada madrugada assistindo a canais e mais canais, de modalidades e mais modalidades, que essa exposição toda, do mundo maior do esporte para um país mono esportivo, que isso sim é foi o grande legado.

    Assistir Isaquias, que a poucos anos atrás, então campeão mundial, desabafava por saber que seu feito não mudaria em nada seu anonimato e sua situação financeira e de vida, levantar três medalhas pela primeira vez na mesma Olimpíada, pelo Brasil. A medalha do box, dos artistas marciais, do salto com vara, e tantos outros que chegam e se apresentam ao seu país. Reconhecidos lá fora, em suas modalidades, apresentados pela primeira vez ao seu próprio país. Um lugarzinho de mais de 200 milhões de habitantes que ganha tantas medalhas quanto alguma pequena ilha caribenha, ou algum pequeno e paupérrimo país africano com pouca população. Um país com um misto enorme de etnias, habilitado portanto, para inúmeras modalidades que eventualmente são mais fáceis para biotipos específicos. Pois temos quase todos eles. Os biotipos. Não as medalhas. Porque somos mono esportivos, além de todo o resto que já sabemos. Eis que se apresenta com força  o legado. De quatro em quatro anos, a Olimpíada se apresenta a nós e ao mundo, com suas ricas modalidades esportivas. Mas quando é aqui, no nosso quintal, o efeito é bem maior. Tão melhor pra nossa vida esportiva. Claro que temos lamentos. Piscinas verdes, vila olímpica semi-pronta, nossa tradicional violência e tal. As críticas ao apoio das Forças Armadas aos atletas. Até isso, fizeram. Num país onde campeões mundiais não tem patrocínio, nem onde treinar, quando uma instituição aparece pra ajudar, os mortos de espíritos, retardados sistêmicos conseguem criticar. Porque os atletas estão prontos. Bom, eles estavam prontos, e não havia ninguém pra ajudar. Lembra da declaração do Isaquias, campeão do mundo sem apoio nenhum. Pois é. Perguntem a eles, que não tinham nada, se não foi importante. Cada apoio é importante pra quem não tem nenhum. Pronto ou não, não havia nada. Mas isso é Brasil, e por essas e outras que continuamos sendo o medíocre Brasil. Uma potência teórica, travada em nós mesmos.

    Grandes atletas, os melhores do planeta. Lendas como Phelps, Bolt, Kaori Icho, Mo Farah, novatos, promessas que viraram realizada, outras que ainda tentam virar. O esporte é mágico. A vida de atleta é dura. De sacrifício, de renúncia, e o seu auge é a Olimpíada. O momento de auge para muitos, foi aqui. No nosso quintal. O maior evento esportivo do planeta, o mais completo, a maior reunião dos países, a maior reunião do planeta. Por tudo isso voltei atrás. Se nossos jovens, alguns deles, se voltarem ao esporte, o legado já valeu. Se nossa programação esportiva conseguir falar mais uma palavra, além de futebol, já valeu. Esse é o verdadeiro legado. Prédios e estádios são importantes. O esporte, é fundamental. É vida.